Conferência patrocinada pela JID discute o papel das mulheres nas forças armadas

Conferência patrocinada pela JID discute o papel das mulheres nas forças armadas

Por Marcos Ommati/Diálogo
junho 24, 2021

A Junta Interamericana de Defesa (JID) realizou a conferência “Mulheres, Paz e Segurança (WPS, em inglês)”, no dia 16 de junho de 2021. O objetivo do evento foi divulgar experiências bem-sucedidas e lições aprendidas sobre a integração de gênero nas forças armadas e nas forças de segurança, especialmente nas operações de manutenção da paz, militares e de segurança, bem como na educação, recrutamento e desenvolvimento das mulheres militares, entre outros temas. “Experiências valiosas foram apresentadas aos participantes da conferência WPS, para aumentar seus conhecimentos profissionais sobre as questões que representam um desafio, tanto para os tomadores de decisão, quanto para as equipes operacionais”, disse o Coronel do Exército do Peru Guillermo Santolalla, chefe da Divisão de Cooperação Hemisférica da JID.

A conferência atraiu mais de 8.000 assistentes de 39 países, que participaram virtualmente. Palestrantes do Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, Honduras, Nicarágua, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Uruguai compartilharam seus avanços coletivos e as lições aprendidas no esforço para melhor incorporar as mulheres nas forças armadas. “É muito mais do que mulheres; trata-se de como tornar nosso mundo mais seguro. Como poderemos realmente mudar as coisas se as mulheres não são representadas em todos os nossos setores?”, perguntou a embaixadora Jean E. Manes, assessora civil do comandante e conselheira de Política Externa do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM). “Não é uma questão das mulheres. É como eu poderei dar o melhor no meu trabalho, utilizando o potencial total de todas as pessoas em todos os setores. Isso requer uma mudança estrutural para recrutamento, absorção, treinamento, avanço, promoção e identificação das barreiras para o aproveitamento total dos talentos”, disse ela.

As mulheres se sentem inseguras

Em relação a El Salvador, a embaixadora Manes informou que ainda que tenham sido feitos investimentos robustos na segurança salvadorenha com significativo progresso contra a maior parte dos tipos de crimes, os números ainda mostram que a sensação feminina de segurança não mudou. “As mulheres ainda se sentem inseguras. Os dados mostraram que aquelas que usam transportes públicos são as que se sentem mais inseguras.”

Como integrar melhor as mulheres nas forças armadas foi o principal tópico levantado pela Tenente-Coronel da Força Aérea dos EUA Duilia Turner, que comanda o Gabinete da WPS no SOUTHCOM. “A importância da inclusão das mulheres é muito simples, mas tem um grande impacto. Militares mulheres das nações parceiras participam e servem em todas as fileiras de suas forças armadas, mas isso ainda não basta. Precisamos de mais formação militar profissional, escolas especializadas, programas certificados, incorporação de conceitos e modelos de comportamento. O que estou tentando dizer é que qualquer participante desse programa pode se tornar um professor, um modelo de função.”

A Espanha é um exemplo

Segundo a Capitão de Fragata da Marinha da Espanha Eva Ara Montojo Oróstica, a guerra tem diversos efeitos negativos sobre as mulheres, incluindo a violência física, verbal e sexual. “Porém, as mulheres não são apenas vítimas, elas são iniciadoras das mudanças. Durante 32 anos, a Espanha tem participado de diferentes missões militares no exterior para incrementar a paz, a segurança e a estabilidade. Essas ações demonstram nosso compromisso com o mundo e também o avanço do papel das mulheres”, disse ela. Além disso, de acordo com a CF Montojo Oróstica, a Espanha é a líder na disciplina de treinamento de gênero nas missões de manutenção da paz da ONU na União Europeia.

Sobre o mesmo tema, a Capitão de Fragata da Marinha do Brasil Carla Araújo, conselheira militar de gênero da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA, em francês), disse que a participação das mulheres nas missões de manutenção da paz reduz o risco de abuso sexual e também ajuda na atenção médica. “Muitas mulheres locais não querem ser tocadas por um médico masculino. A falta da presença de mulheres nessas situações pode fazer com que uma mulher local não queira receber tratamento médico”, explicou.

Alguns dos principais participantes da conferência incluíram: representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e forças armadas dos países membros da JID, além de grupos de reflexão relacionados ao tema. A JID anunciou que a instituição se compromete a realizar seminários similares todos os anos e planeja publicar uma compilação dos ensaios dos palestrantes, bem como as conclusões e recomendações de cada evento.

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