Conferência sobre Prosperidade e Segurança na América Central

Conference on Security and Prosperity in Central America

Por Myriam Ortega/Diálogo
julho 19, 2017

“As gangues [maras] e o crime organizado transformaram o chamado Triângulo Norte (El Salvador, Honduras e Guatemala) em uma das regiões mais perigosas do mundo.” Assim indicou a Anistia Internacional em seu relatório “¿Hogar dulce hogar? (Lar, doce lar?)”, publicado em outubro de 2016. O documento, que aborda o papel que esses países representam frente à atual crise de refugiados, indica que “os altíssimos níveis de violência fizeram com que mais e mais pessoas fugissem para o norte para salvar suas vidas”. É assim que o problema atravessa fronteiras e mobiliza seus vizinhos e outras nações parceiras da região em busca de soluções. As autoridades Por isso, representantes dos governos dos EUA e do México se reuniram nos dias 15 e 16 de junho, em Doral, na Flórida, com líderes empresariais e dos governos da América Central e de outros países, principalmente do hemisfério ocidental, para realizar a “Conferência sobre Prosperidade e Segurança na América Central”. O evento teve como anfitriões por parte dos Estados Unidos o vice-presidente Mike Pence, o secretário de Estado Rex Tillerson, o secretário de Segurança Nacional John F. Kelly e o secretário do Tesouro Steven Mnuchin. Por parte do México, como país co-anfitrião, estiveram o secretário de Relações Exteriores Luis Videgaray, o secretário de Interior Miguel A. Osorio e o secretário de Finanças José A. Meade. A conferência estudou os problemas econômicos, de governabilidade e de segurança nos países do Triângulo Norte, e contou com a presença de seus líderes: Jimmy Morales, presidente da Guatemala, Juan Orlando Hernández, presidente de Honduras, e Oscar Ortiz, vice-presidente de El Salvador. Também participaram representantes do setor privado dos governos de Belize, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Espanha, Nicarágua, Panamá, da União Europeia e representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. O que acontece nos países do Triângulo Norte, El Salvador, Honduras e Guatemala, afeta diretamente os interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos e de outros países da região”, disse o secretário Tillerson em seu discurso de abertura, publicado na página da Embaixada dos EUA na Nicarágua. “Uma América Central mais próspera e mais segura fará muito para deter a migração ilegal e perigosa, derrotar os cartéis transnacionais da droga e as quadrilhas e acabar com a corrupção em suas economias”, acrescentou o secretário Tillerson. Aliança para a prosperidade As políticas para promover o investimento, o crescimento sustentado e as formas de melhorar as condições para as empresas que investem na região foram pontos da agenda da conferência. Nesse sentido, um dos resultados mais concretos do encontro foi reafirmar o apoio à “Aliança para a Prosperidade”, plano que o Triângulo Norte lidera e que busca reduzir a violência. “Sob a Aliança para a Prosperidade, os países do Triângulo Norte estão conseguindo verdadeiros avanços em áreas como a segurança dos cidadãos, o fortalecimento de instituições públicas e o desenvolvimento de capital humano. A chave para os próximos cinco anos será trabalhar com o setor privado para gerar empregos, melhorar a competitividade e criar condições que incentivem as pessoas a prosperarem em seus próprios países”, disse Luis Alberto Moreno, presidente do BID, na página oficial da instituição. A contribuição da Colômbia A representação da Colômbia foi encabeçada pelo General-de-Exército Juan Pablo Rodríguez Barragán, comandante geral das forças militares, e o ministro da Defesa Luís C. Villegas. A presença da delegação sul-americana reafirmou o apoio colombiano ao esforço dos Estados Unidos e do México para alcançar a segurança e a estabilidade na América Central. A Colômbia promove o investimento e os negócios com os países do Triângulo Norte, com os quais mantém um tratado de livre comércio. É hoje um dos 10 principais capitais estrangeiros nesses países, com investimentos de aproximadamente US$ 2,4 bilhões. Quanto à busca da segurança, a “Colômbia treinou 17.000 servidores públicos da América Central desde 2013 em áreas como investigação criminal, luta contra os narcóticos e luta contra a extorsão e o sequestro”, disse Villegas com referência ao trabalho realizado nas escolas locais de polícia da América Central, em um comunicado à imprensa do Ministério da Defesa. A Colômbia também acompanhou os países da América Central no fortalecimento institucional em áreas de nutrição, saúde, agricultura, modernização do Estado e inclusão social, entre outros. Com o Projeto Mesoamérica, realiza cooperação em promoção social, gestão da qualidade e de serviços e pretende avançar em áreas de interconexão elétrica, segundo a página da Chancelaria colombiana. “A Colômbia recebeu um reconhecimento generalizado tanto dos Estados Unidos, por parte de seu secretário de Segurança Nacional, o General-de-Exército John F. Kelly, [como por] diferentes oficiais, subsecretários e assistentes, pela melhoria nos índices de segurança que teve a oportunidade de apresentar, como, por exemplo, a diminuição de homicídios”, pontuou Villegas. Acrescentou ainda que a quantidade de atentados fatais foi reduzida à metade, em relação aos que havia há 17 anos, fato que reflete a estabilidade regional. “Isso quer dizer que alcançamos níveis abaixo da média da região em matéria de mortes violentas. Da mesma forma, há reduções muito importantes em problemas que lesaram a sociedade colombiana, como a extorsão, que está caindo 44 por cento, e o sequestro, que está em níveis mais baixos; enfim, uma situação de tranquilidade”, finalizou.
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