Condições para eleições em dezembro na Venezuela são “piores” do que em 2018, diz Abrams

Condições para eleições em dezembro na Venezuela são “piores” do que em 2018, diz Abrams

Por Alejandra Arredondo/Voz da América (VOA)/Editado pela equipe da Diálogo
agosto 31, 2020

A Venezuela está agora menos preparada para eleições livres e justas do que estava em 2018, no pleito presidencial cujos resultados foram rejeitados por mais de duas dúzias de países, disse no dia 28 de julho o enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams.

“As condições para eleições livres e justas são de fato muito piores do que as de maio de 2018, quando [Nicolás] Maduro realizou eleições presidenciais”, disse Abrams em uma entrevista coletiva por telefone.

O regime de Nicolás Maduro convocou novas eleições parlamentares para o dia 6 de dezembro de 2020, uma medida que foi criticada pela oposição como mais uma tentativa de asfixiar sua representação política.

As eleições, que buscam renovar a Assembleia Nacional – controlada pela oposição – também foram denunciadas por grupos de defesa dos direitos civis como tendo sido manipuladas para favorecer o partido governista, o Partido Socialista Unido da Venezuela.

“As eleições parlamentares de dezembro já estão manipuladas”, garantiu Abrams, indicando que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) é um organismo criado para regulamentar as eleições, cujos membros foram eleitos pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que é controlado pelo governo.

“O CNE deveria ser uma entidade independente […], no entanto, o TSJ interrompeu as negociações para eleger os membros e ele mesmo fez as nomeações”, disse Abrams.

EUA em contato com a Noruega quanto à Venezuela

O diplomata também falou sobre a visita de representantes do governo da Noruega, que tentou ser um mediador para solucionar a crise venezuelana. Abrams disse que os Estados Unidos estão em contato com a Noruega e que ele mesmo tinha conversado com alguns diplomatas daquele país.

“Em relação aos noruegueses, nós estamos certamente em contato com a Noruega e conversamos com diplomatas noruegueses desde o regresso desse grupo que estava em Caracas, uma viagem difícil para eles, como se pode imaginar, de Oslo até Caracas em tempos de COVID-19”, declarou.

“Não posso dizer que me sinto particularmente otimista quanto a essa viagem, porque parece que o regime já está decidido […]; ele parece querer seguir adiante com essa eleição falsa”, sentenciou o diplomata norte-americano.

Venezuela e Coreia do Norte

As Nações Unidas advertiram Maduro que o acordo militar com a Coreia do Norte violaria as regras do Conselho de Segurança. Os investigadores da ONU descobriram que o próprio Diosdado Cabello assinou esse acordo.

A esse respeito, Abrams disse que uma violação às sanções da ONU é algo potencialmente muito sério para o regime de Maduro, porque há muitos países que estariam dispostos, nesse caso, a impor sanções, embora ainda não o tenham feito individualmente.

“Isso também mostra, novamente, a natureza desse regime. Vimos recentemente que o regime começa a construir sua relação com o Irã. Irã e Venezuela: uma dupla de estados párias. Irã e Coreia do Norte agora: Coreia do Norte e Venezuela. E eu creio que um dos outros impactos, além das próprias possíveis sanções, seria lembrar os países de todo o mundo com relação à natureza desse regime e os parceiros que ele busca em todo o mundo”, disse Abrams.

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