CONAT, comando de elite na luta contra o narcotráfico

CONAT, comando de elite na luta contra o narcotráfico

Por Geraldine Cook/Diálogo
setembro 14, 2021

O Comando Contra o Narcotráfico e as Ameaças Transnacionais (CONAT) foi criado na Colômbia no dia 26 de fevereiro de 2021, como uma força de elite integrada por 7.000 homens e mulheres do Exército Nacional, para liderar a luta contra os grupos armados, realizar operações de interdição contra as estruturas do narcotráfico, desenvolver a erradicação estratégica de cultivos ilícitos e combater a exploração ilegal de jazidas de mineração. Para falar sobre o CONAT, Diálogo visitou as instalações do comando e entrevistou seu comandante, o General de Brigada Juan Carlos Correa Consuegra, do Exército da Colômbia.

Diálogo: Quais são os objetivos principais do CONAT?

General de Brigada Juan Carlos Correa Consuegra, do Exército da Colômbia, comandante do CONAT: A Colômbia é um país muito privilegiado por sua posição geoestratégica. No entanto, ao mesmo tempo em que conta com uma série de recursos naturais que mantêm a biodiversidade do país, também tem sido explorado ou perseguido por ameaças transnacionais, especialmente do narcotráfico, devido à saída dos dois mares, às dificuldades do terreno de selva e aos grupos de mineração ilegal que destroem o meio-ambiente. O Exército decidiu articular todas as capacidades que temos em uma só unidade, para que, de uma forma unificada e holística, analise esse problema e se torne a ponta de lança na luta frontal contra essas ameaças.

Diálogo: Quais são as estratégias do CONAT na luta da Colômbia contra essas ameaças transnacionais?

Gen Bda Correa: A primeira estratégia é a visão holística do problema, pois essas ameaças fazem parte de um sistema que denominamos ‘círculo vicioso’. Miramos o narcotráfico não como um problema isolado, mas sim como um sistema, já que ele busca outras formas alternativas para obter seus recursos e manter organizações armadas ilegais, tanto no país como no mundo. A segunda estratégia é a articulação das capacidades, já que atacamos o narcotráfico em toda a sua cadeia criminosa. A terceira é a articulação da inteligência e das operações, pois trabalhamos com componentes próprios e de nossas forças armadas, além de outras agências nacionais e internacionais. A quarta estratégia é o fortalecimento dos laços de cooperação dentro do Estado, junto aos países vizinhos e amigos.

Diálogo: Como o CONAT é integrado e que tipo de capacitação especial receberão as tropas que o compõem?

Gen Bda Correa: O CONAT é subordinado à Divisão de Aviação de Assalto Aéreo, que conta com três brigadas de aviação: treinamento, manutenção e operações. O CONAT está organizado em cinco brigadas, cada uma com capacidades e missões distintas. Temos uma Força de Deslocamento contra Ameaças Transnacionais, a qual tem capacidade de operações de forças especiais e foi criada para combater as estruturas de comando e controle e finanças dos grupos que se dedicam ao narcotráfico e às ameaças transnacionais. Contamos com três brigadas contra o narcotráfico: a Nº 1 está encarregada de interdição e tem capacidades especiais de assalto aéreo e operações especiais; e as Nº 2 e Nº 3, que encerraram recentemente seu processo de treinamento e capacitação e orientarão a erradicação estratégica. Por fim, temos a Brigada contra a Exploração Ilícita de Jazidas de Mineração, articulada, entre outros, com o Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e o Ministério das Minas e Energia, além de organismos que combatem o impacto ao meio-ambiente.

Diálogo: Como o CONAT administra o conceito de interoperabilidade?

Gen Bda Correa: Nós nos baseamos em doutrinas que criamos na Colômbia, as quais andam lado a lado com a doutrina dos EUA e da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], com conceitos estratégicos, operacionais e táticos, adequados ao contexto nacional. Nossa organização se baseia na OTAN para interagir com outros países. Este ano tivemos duas oportunidades de interoperabilidade, com um pelotão que participou do Centro de Treinamento de Preparação Conjunta (JRTC, em inglês) em Fort Polk, Luisiana. Depois que o pelotão retornou, a divisão Nº 82 de paraquedismo do Exército dos EUA nos visitou e realizamos saltos de paraquedas e exercícios táticos.

Diálogo: O CONAT receberá apoio internacional, particularmente dos EUA?

Gen Bda Correa: Temos uma amizade e uma aliança de muitos anos com os Estados Unidos. Os Estados Unidos continuam nos apoiando com treinamento e equipamento, o que nos ajuda a fortalecer nossas capacidades distintas do CONAT.

Diálogo: Que resultados o CONAT espera alcançar?

Gen Bda Correa: Para 2021, nos dispusemos a apreender 60 toneladas de cloridrato de cocaína; já confiscamos mais de 65 toneladas dessa droga, superando o total do ano anterior e a meta proposta. Nosso objetivo de curto prazo é terminar este ano com cifras recorde de impacto e redução da capacidade dos grupos criminosos. Queremos continuar esse fortalecimento para articular inteligência e capacidades, tanto na Colômbia como em outros países, para assim abalar essas organizações de forma contundente. A médio prazo, o Exército Nacional criará o corpo de Assalto Aéreo do Exército, formado pela Divisão de Assalto Aéreo e o CONAT; essa última passará a ser uma Divisão contra o Narcotráfico e Ameaças Transnacionais, o que nos permitirá crescer em capacidades e alcance. Com esse modelo, queremos ser uma referência no âmbito internacional.

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