Comando Espacial dos EUA concorda em compartilhar dados e serviços

Comando Espacial dos EUA concorda em compartilhar dados e serviços

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 04, 2021

O Comando Espacial dos EUA (USSPACECOM, em inglês) e a Fundação Espaço Livre, uma ONG com sede na Grécia, que promove o acesso aberto à informação sobre o espaço, assinaram no dia 1º de julho de 2021 um acordo para compartilhar dados sobre o espaço. O convênio melhorará a segurança das operações de voos espaciais globais, disse o USSPACECOM em um comunicado.

“Nossos sistemas espaciais servem de base para uma ampla gama de serviços que trazem benefícios nacionais, militares, civis, científicos e econômicos, vitais para a comunidade mundial”, disse o General de Exército James Dickinson, do Exército dos EUA, comandante do USSPACECOM. O acordo com o comando “é um passo para o sucesso de operações espaciais mais seguras para todos”, acrescentou Papadeas Pierros, diretor executivo da Espaço Livre.

Até julho, 26 países haviam assinado os acordos de intercâmbio de dados e segurança de voos espaciais, informou o USSPACECOM. “As empresas comerciais estão lançando 60 ou mais satélites de uma só vez e haverá aumento da concorrência e do congestionamento no espaço”, segundo a instituição.

O USSPACECOM oferece a seus parceiros a informação obtida do Centro de Operações Espaciais Combinadas, na Base da Força Aérea Vandenberg, na Califórnia, para diferentes atividades em órbita. (Foto: Comando Espacial dos EUA)

Engarrafamento espacial

No dia 30 de junho, a partir das instalações da NASA em Cabo Canaveral, Flórida, a empresa norte-americana Space X colocou em órbita o satélite mexicano D2/AtlaCom-1, informou o governo do México em um comunicado.

Em 2022, a Colômbia lançará seus dois primeiros satélites não experimentais para diferentes aplicações civis no país, segundo a revista colombiana Semana.

Em 2020, a China revelou planos para construir duas constelações de órbita terrestre baixa com 12.992 satélites, informou a Space News em Helsinque, Finlândia, no dia 21 de abril. “O projeto também poderá ser utilizado como uma ferramenta para o poder brando, como parte da Iniciativa um Cinturão, uma Rota, ou nos esforços de diplomacia nas regiões próximas”, acrescentou.

O portal da ONG norte-americana União de Cientistas Envolvidos, com base em Cambridge, informou que no dia 1º de maio de 2021 havia mais de 4.084 satélites operacionais orbitando ao redor do nosso planeta.

“O espaço pode parecer infinito, mas as oportunidades de colocar e manter um objeto na órbita da Terra, de forma segura, não o são”, publicou no portal dos EUA Government Executive Michael L. Domínguez, ex-secretário interino da Força Aérea e agente executivo do Departamento de Defesa dos EUA para o espaço. “O risco de choques entre objetos no espaço é muito real e já houve colisões importantes. Uma colisão pode gerar um perigoso campo de escombros que pode paralisar uma variedade de capacidades cruciais das quais dependemos, como as comunicações e a navegação globais, e pôr em perigo os astronautas estacionados na Estação Espacial Internacional.”

“À medida que mais países, empresas e organizações desenvolvem suas capacidades espaciais e se beneficiam do uso dos sistemas espaciais, é de nosso interesse coletivo atuar de maneira responsável, promover a transparência e melhorar a sustentabilidade em longo prazo, a estabilidade e a segurança do espaço”, disse o Gen Ex Dickinson. “A melhor forma de fazer isso é que se tenha uma ideia do que vem acontecendo ali. Esses acordos ajudam a criar essa imagem.”

Simplificar o processo

O USSPACECOM disse que os acordos de intercâmbio de dados melhoram a cooperação espacial multinacional e simplificam o processo para que os parceiros do comando solicitem informações específicas reunidas pelo Centro de Operações Espaciais Combinadas do USSPACECOM. A informação é fundamental para o apoio de lançamento de foguetes, para o planejamento de manobras de satélites e outras atividades em órbita, afirma.

“Esse intercâmbio de dados contribui para garantir a segurança dos voos espaciais, tanto para os ativos de segurança nacional dos EUA como para nossos aliados e parceiros comerciais”, concluiu o Contra-Almirante Michael Bernacchi, da Marinha dos EUA, diretor de Estratégia, Planos e Política do USSPACECOM, que assinou o acordo com a Fundação Espaço Livre.

Share