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Comandante do submarino SS-22 Carrera discute a Iniciativa de Submarinos Diesel-Elétricos e o treinamento com os EUA

Comandante do submarino SS-22 Carrera discute a Iniciativa de Submarinos Diesel-Elétricos e o treinamento com os EUA

Por Steven McLoud/Diálogo
outubro 05, 2021

Quase 30 dias no mar e 5.000 milhas náuticas foi o tempo que tomou e a distância que percorreu um submarino chileno, para viajar de sua base natal em Talcuahano, Chile, até a Base Naval Point Loma, em San Diego, Califórnia, para participar da Iniciativa de Submarinos Diesel-Elétricos (DESI, em inglês), com a Marinha dos Estados Unidos, de junho a setembro de 2021.

O Capitão de Fragata Sergio Carter, da Marinha do Chile, tem mais de 10 anos de experiência navegando em submarinos e atualmente é o capitão do SS-22 Carrera, um submarino classe Scorpène com motor diesel. Considerados um exemplo verdadeiro de híbridos, os submarinos a diesel como o SS-22 Carrera utilizam baterias para navegar silenciosamente embaixo d’água. As baterias são carregadas pelo motor a diesel que precisa de oxigênio para funcionar, o que requer sua subida à superfície para carregar o motor. Como resultado, os submarinos a diesel só podem permanecer submersos por alguns dias cada vez, diferentemente dos submarinos nucleares, que podem permanecer submersos durante semanas.

Com uma capacidade de carga útil de 18 torpedos ou mísseis, o SS-22 Carrera tem seis silos de onde pode abrir fogo e demonstrou ser um valioso adversário para a Marinha dos EUA durante o exercício de três meses.

O CF Carter se reuniu com Diálogo para falar sobre a participação do Chile na DESI e os benefícios de treinar com os Estados Unidos.

Parte da tripulação está a bordo do SS-22 Carrera, enquanto o submarino permanece na superfície para carregar suas baterias. (Foto: Marinha do Chile)

 Diálogo: Como o senhor descreve a DESI?

Capitão de Fragata Sergio Carter, da Marinha do Chile: A iniciativa DESI começou com o Comando das Forças de Frota dos EUA em 2001, para gerar uma força opositora no processo de treinamento dos grupos de combate e no grupo de ataque da Marinha dos EUA, com recursos reais e verdadeiros.

No caso pontual do Chile, antes disso e desde 1994, temos participado de diversos eventos na costa oeste, principalmente nos Estados Unidos; desde que o programa DESI começou, nós participamos a partir de 2007. Esse é um exercício de benefício mútuo, muito interessante para nós, devido aos desafios logísticos e operacionais que significa.

[Desafios] logísticos, primeiro, porque manter um submarino por mais de quatro meses, quase cinco meses, a mais de 5.000 milhas náuticas do nosso porto base, falando da comunidade de submarinos diesel-elétricos do mundo, é uma situação única. Creio que são muito poucos os países que podem [fazê-lo] e têm essa capacidade, e nós pudemos realizar isso sistematicamente. Isso gera um valor agregado em nosso processo de preparação e em nossa capacidade de realizar e manter operações por tempo prolongado e relevante.

No âmbito operacional, significa ter a oportunidade de interagir durante tanto tempo com os melhores recursos de transporte, que é o que tem a Marinha dos EUA. Isso nos permite gerar uma experiência em todos os níveis que temos a bordo: no âmbito dos operadores, mantenedores, e no âmbito de condução que realizam os oficiais e eu mesmo, durante as operações. Dessa forma, trata-se de um benefício fabuloso para nossas tripulações, e creio que também para o governo dos EUA.

O Capitão de Fragata Sergio Carter, comandante do SS-22 Carrera, observa através de um periscópio durante o exercício de treinamento da DESI, na Base Naval Point Loma, em San Diego, Califórnia. (Foto: Marinha do Chile)

Diálogo: O senhor poderia falar sobre o exercício?

CF Carter: Esse exercício consiste aproximadamente de 25 a 30 dias em trânsito para ir do Chile a San Diego. Uma vez em San Diego, são cerca de dois meses e meio aqui, e esses dois meses e meio significam 40 a 45 dias no mar, onde dessa vez interagimos durante 10 dias com o Grupo de Ataque Um, formado pelo USS Carl Vinson, e depois outros exercícios de submarinos contra submarinos nucleares; exercícios com recursos aéreos, como o helicóptero MF 60 Romeo, nas instalações da Ilha San Clemente; e ainda o exercício de resgate submarino denominado Chile Mar, com o Comando de Resgate Submarino.

Diálogo: Qual foi o benefício de treinar com os Estados Unidos?

CF Carter: É inestimável em termos de experiência para os operadores, mantenedores e para aqueles que conduzem o submarino, devido à quantidade de recursos aéreos e submarinos de superfície com os quais interagimos. Atuar como força opositora nos permite treinar no ambiente mais demandante que podemos chegar a ter. Isso permite que a equipe adquira capacidades e que, quando voltarmos para o Chile e as capacidades forem mescladas, esse conhecimento se multiplique com as demais forças superiores que estão no Chile.

Diálogo: De que maneira um submarino pode ajudar a combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada?

CF Carter: No âmbito de ação das Forças Armadas do Chile, temos cinco áreas de missão de defesa, e essas decantam na Marinha. Uma dessas áreas de missão de defesa é preservar nossos interesses econômicos onde estiverem, e aí se inclui resguardar nossa zona econômica exclusiva da pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. Para isso, os submarinos são uma excelente plataforma. Primeiramente, porque são discretos, ninguém os vê quando estão em operação e, em segundo lugar, porque têm uma quantidade de sensores que permitem detectar praticamente qualquer recurso, na superfície e abaixo dela. Eles são capazes de gravar e localizar através de sensores óticos, infravermelhos, eletromagnéticos e acústicos, e isso permite informações essenciais para que depois se determine se as embarcações estavam efetuando ou não uma ação condizente com a devida regulamentação internacional vigente.

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