Com apoio da Rússia, Cuba recrudesce violência nas penitenciárias

Com apoio da Rússia, Cuba recrudesce violência nas penitenciárias

Por Julieta Pelcastre / Diálogo
janeiro 30, 2020

Mais de 90.000 pessoas estão detidas nas prisões de Cuba, o país com a maior taxa de encarceramento do mundo, com 794 presos por cada 100.000 habitantes. Um em cada três cidadãos cubanos já foi detido pelo menos uma vez na vida, informa a Prison Insider, uma ONG francesa de defesa de presos políticos.

Em novembro de 2019, Cuba pediu ao Serviço Federal Penitenciário da Rússia que capacitasse seus carcereiros em “práticas e metodologias”, disse à imprensa Valeri Maximenko, vice-diretor da instituição.

“Agora Havana viola os direitos humanos com seu sistema penitenciário no mais puro estilo russo, caracterizado por tratamentos desumanos”, garantiu à Diálogo Jorge Serrano, especialista em segurança do Centro de Altos Estudos Nacionais do Peru. “Trata-se de governos especializados no emprego da tortura, do terror e de condições sub-humanas, tais como métodos de controle social no âmbito penitenciário, que é onde terminam as dissidências russa e cubana.”

“O pessoal da segurança reforçará seus métodos repressivos para o controle dos presos”, disse à Diálogo Luis Enrique Ferrer, representante no exterior da União Patriótica de Cuba, o maior grupo oposicionista do país, do seu exílio nos EUA. “Por esse motivo, a ditadura não pede ajuda às nações do mundo livre ou aos países latino-americanos que têm regimes democráticos.”

“Nas penitenciárias da ilha existe tortura física e psicológica, sobretudo contra aqueles que criticam, ainda que de forma sutil, seu modelo econômico e político”, acrescentou Luis Enrique. “Surras, isolamento, má alimentação e falta de assistência médica, unidos a acusações duvidosas, longa espera para julgamento e sentenças injustas são parte do inferno que vivem os reclusos na ilha.”

José Daniel Ferrer, irmão de Luis Enrique, foi detido sem acusações formais no dia 1º de outubro de 2019 e está isolado na penitenciária de Aguadores, na província de Santiago de Cuba. “O caso de Ferrer é assustador, mas, como ele, existem centenas de prisioneiros políticos e milhares de presos não criminosos na ilha”, disse o deputado europeu Leopoldo López Gil, coordenador da subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu.

A ONG Human Rights Watch informa que em muitas prisões cubanas os detentos em prisão preventiva não são separados dos condenados, nem os jovens dos adultos; o sistema não reconhece o estado diversificado dos presos políticos e os sancionam por se negarem a participar de sua reeducação doutrinária ou por denunciarem violações aos direitos humanos.

“Nossos colegas de Cuba se preocupam em fazer seu trabalho de uma maneira cada vez mais justa e correta para as pessoas que, por vontade do destino, terminam nessas instituições”, declarou o General de Divisão do Exército da Rússia Anatoly Rudy, subdiretor da Agência Federal de Execução Penal, em sua visita a uma cadeia cubana em agosto de 2019. “Esse trabalho viola a vontade e destrói o espírito de milhares de pessoas nas penitenciárias”, ressaltou Luis Enrique.

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