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Na luta contra o narcotráfico, forças de segurança da Colômbia focam na substituição de cultivos

Colombian Security Forces Focus on Crop Substitution in Fight Against Drug Trafficking

Por Dialogo
fevereiro 29, 2016




Autoridades de segurança da Colômbia priorizam a substituição de cultivos ilegais por alternativas legais, como parte da luta do país contra o narcotráfico, em coordenação com a campanha permanente das Forças Armadas para erradicar folhas de coca, principal ingrediente usado na fabricação da cocaína.

“Estamos diante a maior substituição de cultivos ilegais já feita, pela via da competitividade econômica, pois há setores como o cacau que passam por uma bonança e produzem mais recursos aos camponeses”, disse o ministro da Defesa do país, Luis Carlos Villegas, durante o fórum “Novos Desafios para a Política de Drogas na Colômbia”.

Durante o evento, realizado em janeiro em Bogotá, Villegas discutiu os benefícios dos programas de erradicação e substituição para os camponeses que trocam as plantações ilegais de coca por produtos de exportação crescente, como café, mandioca, mamão e cacau. Por exemplo, os produtores vendem uma tonelada de folhas de coca por cerca de US$ 700, mas podem ganhar mais de US$ 3.000 com 1 t de cacau ou US$ 3.400 com 1 t de café.

Oportunidades ampliadas


O Ministério da Justiça da Colômbia anunciou recentemente que apoiará seis novos projetos de substituição de cultivos ilegais, beneficiando 554 famílias em regiões como Putumayo, Santander, Antioquia, Magdalena e Nariño. O governo promoverá a iniciativa com investimentos de cerca de US$ 270 milhões, priorizando as cidades de Necoclí, Santa Marta, Sucre, Andes, Linares e Valle del Guamuez.

Os Estados Unidos, nação parceira essencial, apoiam o esforço destinando US$ 5 milhões ao programa “Cacau para a Paz”, que será implantado pela Agência para o Desenvolvimento Internacional e o Departamento de Agricultura dos EUA. “O ‘Cacau para a Paz’ apoiará os esforços da Colômbia para avançar no crescimento econômico rural legal através do cacau, especialmente nas zonas afetadas pelo conflito”, disse a subsecretária de Estado dos EUA, Heather Higginbottom, durante visita à Colômbia em 19 de fevereiro.

Higginbottom reuniu-se com produtores de coca que optaram pela plantação de cacau. Ao lado do ministro da Agricultura da Colômbia, Aurelio Iragorri, a subsecretária assinou uma declaração conjunta de intenção em assistência técnica e educação.

Esforços de erradicação


O programa do governo colombiano de apoio aos cultivos legais conta com os esforços das forças de segurança na erradicação das plantações de coca. As Forças Armadas mobilizaram 7.000 soldados em 21 departamentos de todo o país para reforçar os esforços de erradicação, afirma Villegas.

O Exército triplicou o número de soldados nos Grupos Móveis de Erradicação, que realizam a missão em quatro fases. “As Forças Armadas serão responsáveis por 22 Grupos Móveis de Erradicação por fase, com mais de 1.500 soldados para garantir a segurança dos grupos e cerca de 2.560 militares que conduzirão as atividades de erradicação [...]. A Polícia terá 28 Grupos Móveis de Erradicação com aproximadamente 2.800 homens a cargo da segurança”, diz Villegas.

Enquanto isso, a Polícia Nacional da Colômbia (PNC) leva a cabo operações de erradicação manual com base na densidade dos cultivos ilícitos nos departamentos de Chocó, Nariño e Guaviare, diz o Tenente Coronel José Roa Castañeda, chefe de Erradicação de Cultivos Ilegais da PNC.

Entre 1 de janeiro e 10 de fevereiro, a PNC erradicou 300 hectares de cultivos ilegais após destruir 4.966 hectares em 2015, diz o Ten Cel Roa Castañeda. Operações de fumigação aérea, nas quais as forças de segurança usaram o herbicida glifosato, ajudaram as autoridades a alcançar uma redução de 57% nas plantações de coca em um intervalo de 14 anos. Em 2014, havia 69.132 hectares de cultivos de coca no país, bem menos que os 162.510 de 2000.

O uso de herbicidas tem sido uma ferramenta efetiva, mas as autoridades concentram-se agora na substituição de cultivos. Em 2015, a Colômbia suspendeu o uso de glifosato porque o produto foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como possivelmente cancerígeno.

“Elaboramos uma nova estratégia com a maior mobilização de Companhias de Segurança para a Erradicação [soldados que prestarão segurança] e um maior número de Grupos Móveis de Erradicação enviados às áreas de maior influência”, disse o Ten Cel Roa Castañeda a Diálogo
. “Este ano, o poder público pretende erradicar 16.279 hectares em vários departamentos do país.”

Histórias de sucesso


A nova política de drogas da Colômbia incorpora todas as experiências bem-sucedidas de substituição de cultivo na luta contra o narcotráfico. Por exemplo, a Associação de Produtores de Cacau de Tarazá, no âmbito do Programa de Substituição de Cultivos liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU), transformou a região do Bajo Cauca Antioqueño de uma zona de plantação de coca em uma área que produz toneladas de cacau para a exportação.

Em 2015, a organização Misión Chocolate exportou pela primeira vez cacau em grãos para o mercado europeu. O agente de carga internacional QL Solutions, da Espanha, comprou 25 t de cacau para exportar à Europa após verificar a qualidade do produto das associações de desenvolvimento alternativo que integram os programas de substituição de cultivos.

Outro exemplo de sucesso envolve as comunidades indígenas Kogi, Arhuaco, Kankuamo e Wiwa, que vivem em Sierra Nevada de Santa Marta, onde os produtores substituíram plantações de coca por pimenta, látex, cana de açúcar e café. Com o apoio do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), mais de 134.000 famílias se beneficiaram desde 2006 ao substituir seus cultivos ilegais por esses produtos e atividades como pesca, apicultura, artesanato e turismo.

Apesar das iniciativas bem-sucedidas, a Colômbia ainda é um dos maiores produtores mundiais de coca, com 69.000 hectares em 2014, o que representa um aumento de 44% em relação a 2013, de acordo com o Relatório de Monitoramento de Cultivos de Coca na Colômbia, lançado pelo UNODC em novembro de 2015.
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