Marinha Nacional da Colômbia destrói complexo cocaleiro

Colombian Navy Destroys Cocaine Processing Compound

Por Myriam Ortega/Diálogo
junho 22, 2018

A Marinha Nacional da Colômbia destruiu uma estrutura e equipamentos para armazenar e processar cloridrato de cocaína, perto do Golfo de Urabá, no dia 9 de maio de 2018. O complexo cocaleiro, composto por quatro oficinas artesanais, seis armazéns e um acampamento com capacidade para alojar 12 pessoas, foi encontrado na zona rural do município de Ungía, Chocó.

“A descoberta foi feita por tropas do Batalhão Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 16, que fazem parte da Força-Tarefa Conjunta Titán, com o apoio da Estação da Guarda-Costeira de Urabá e da Polícia Nacional”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata do Corpo de Fuzileiros Navais Wisner Paz Palomeque, comandante do Batalhão Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 16. “Desferimos o golpe no grupo armado organizado [GAO] Clã do Golfo com a Estratégia Resplendor da Marinha Nacional e com informações de inteligência do batalhão [Nº 16].”

A Estratégia Resplendor busca neutralizar o narcotráfico, principal fonte de recursos dos GAOs Clã do Golfo e Exército de Liberação Nacional. A Resplendor é executada mediante esforços conjuntos, integrais e focalizados para atacar todas as etapas do processo de produção do cloridrato de cocaína. Ela busca prevenir o tráfico, o consumo de substâncias e a proliferação de ambientes violentos originados do narcotráfico.

O complexo foi destruído de maneira controlada por especialistas da Marinha. O lugar tinha capacidade para produzir 3,5 toneladas de cloridrato de cocaína por mês; foram apreendidos 9.000 litros de insumos líquidos e 1.715 quilos de insumos sólidos utilizados para o processamento de coca.

Além disso, foram encontrados três equipamentos de destilação conhecidos como “Marcianos”, uma máquina embaladora a vácuo e equipamentos diversos utilizados para o processamento do alcaloide. No acampamento, foram encontrados 1.000 kg de mantimentos, camas, cobertores e outros elementos para a sobrevivência na zona, informou a Marinha em um comunicado.

A operação

“O acesso à zona foi por via marítima”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata do Corpo de Fuzileiros Navais Sandro Alonso Gallardo Ropero, comandante encarregado da Brigada do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 1. “Tanto o Batalhão Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 16 como a Estação da Guarda-Costeira de Urabá desenvolveram essa capacidade com a qual se obteve o resultado operacional.”

“Um dos aspectos que permitiu a detecção da infraestrutura foi o seguimento de umas pegadas no terreno que conduziam à casa de campo conhecida como Tumarado”, assegurou o CF (FN) Paz. “Ao chegar ao local, foi constatado que a infraestrutura estava coberta com vegetação artificial, com o objetivo de impedir sua detecção aérea.”

A intervenção também teve o apoio do Grupo de Operação Especial de Investigação Criminal da Polícia Nacional, encarregado de realizar os testes com a droga e adiantar a tramitação legal correspondente para a destruição da infraestrutura. “No total, participaram 36 homens. A operação foi realizada em um dia, porém as tarefas de inteligência que levaram à localização da infraestrutura duraram mais de três meses”, assinalou o CF Paz.

A região e sua população

O lugar onde está localizado o complexo é estratégico para os narcotraficantes. Sua proximidade com o Panamá facilita o tráfico para o norte do continente e, além disso, o terreno lamacento dificulta o acesso das autoridades. “As zonas de Urabá ou de Chocó é totalmente fluvial, possui pântanos; o rio Atrato, o mais importante [da região], desemboca ali no Golfo de Urabá”, indicou o CF (FN) Gallardo. “É preciso transpor obstáculos naturais, quase todos relacionados com os corpos de água de grande profundidade. Às vezes, as operações aéreas ficam limitadas pela grande precipitação pluviométrica da região.”

“O Departamento de Chocó foi afetado historicamente por todas as atividades criminosas dos grupos terroristas que existiram na época”, indicou o CF Gallardo. “A comunidade não pode esquecer todas as ações violentas do terrorismo que ocorreram nos municípios no passado.”
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