Marinha Nacional da Colômbia envia apoio a comunidades indígenas

Colombian Navy Delivers Aid to Indigenous Communities

Por Myriam Ortega/Diálogo
julho 27, 2017

A vida na península de La Guajira, na Colômbia, não é fácil, em especial na parte alta, onde o clima é quente e a água doce é escassa. No deserto é cada vez mais complicado plantar porque os poucos períodos de chuvas mudaram e as sementes ancestrais, que são mais resistentes às condições climáticas, desaparecem de forma gradual. A insegurança alimentar é um fato; por isso seus habitantes, principalmente as crianças, são muito vulneráveis. Ao panorama anterior somam-se as dificuldades de acesso aos serviços de saúde. As distâncias e as diferenças culturais são barreiras na prevenção e no atendimento oportuno de enfermidades. Por essa razão e diante da urgência de facilitar o acesso da população aos serviços, a Marinha Nacional da Colômbia realiza com frequência as “Jornadas de Apoio ao Desenvolvimento.” “Depois de analisar as necessidades da população, a origem delas e as dificuldades para ter a presença institucional, podemos articular e ser facilitadores para que a oferta estatal possa chegar até o último colombiano”, disse à Diálogo o Suboficial Harvee Jonnattan Barreto Garzón, assessor da direção de Ação Integral da Marinha Nacional da Colômbia. Por isso, a XV Jornada de Apoio ao Desenvolvimento teve lugar entre a segunda e a terceira semana de junho. O navio de apoio logístico ARC Golfo de Morrosquillo foi utilizado para mobilizar 100 pessoas de 16 instituições governamentais e privadas, que prestaram serviços de saúde e ajuda humanitária às comunidades indígenas Wayuu, Arwacos e Wiwas. “Nessas atividades, alcançamos uma média de atendimento de 2.500 pessoas dessas comunidades com serviços de medicina geral, pediatria, odontologia, laboratório clínico e vacinação. Aproveitando os meios disponíveis da Marinha Nacional, levamos ajuda humanitária: água, presentes, [mantimentos] e cobertores”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Cesar Augusto Saavedra Díaz, diretor de Ação Integral da Marinha Nacional da Colômbia. “Também contribuímos para a manutenção das obras de infraestrutura, com atividades de impacto rápido que nos permitam melhorar seus postos de saúde, aulas educativas e campos desportivos”, acrescentou. No caso de La Guajira, a intervenção da Marinha é um complemento ao programa da Presidência da República “Alianza por el Agua y por la Vida en la Guajira” (Aliança pela água e pela vida em La Guajira), que concentrou seus esforços nesta região. “A Marinha Nacional tem um compromisso com 13 comunidades que são apadrinhadas de forma permanente e de maneira especial na parte mais alta de La Guajira”, assinalou o CMG Saavedra. “A cada 40 dias são enviadas unidades da Marinha em uma operação mantida para atender a essas 13 comunidades.” O delineamento do plano de trabalho para as intervenções em La Guajira iniciou em junho de 2015. A primeira jornada foi realizada em setembro do mesmo ano e em quase dois anos de missão foram beneficiadas cerca de 4.000 pessoas nas comunidades de Punta Espada, Puerto López, Castilletes, Puerto Inglés e Puerto Francés, entre outras. Nessa região as crianças morrem de desnutrição. O indicador mais importante de êxito é, sem dúvida, que não volte a ocorrer esse tipo de situação nas comunidades atendidas. Lá foram entregues 821 caixas de complementos nutricionais, 5.000 cestas básicas e 11 toneladas de bienestarina (fórmula de bem-estar), um alimento em pó e líquido produzido pelo Instituto do Bem-Estar Familiar da Colômbia, que tem uma mistura de grãos rica em proteínas, vitaminas e minerais. Além disso, foram entregues 1,5 milhão de litros de água e foram melhoradas 19 obras de infraestrutura, tais como campos desportivos, escolas e centros de saúde. Promessa Contínua Outro grande impulso ao trabalho comunitário da Marinha Nacional foi realizado durante o mês de março com a Jornada de Desenvolvimento Bilateral “Promessa Contínua”, dentro do programa de Ajuda Humanitária do Comando Sul dos Estados Unidos, por meio das Forças Navais do Comando Sul. Desde o referido programa foi construída a enfermaria da Instituição Etnoeducativa Rural Laachon Mayapo, com duas salas de aula satélite e uma enfermaria que atende constantemente mais de 1.200 estudantes universitários. Os materiais foram fornecidos pela Embaixada dos EUA e a mão-de-obra pela Marinha Nacional e pelo Exército Nacional da Colômbia. Esses trabalhos criam uma nova maneira de estabelecer vínculos entre a Marinha Nacional e as comunidades. “Os recursos da Marinha Nacional foram colocados à disposição da população, do povo colombiano; é um momento em que ele percebe suas Forças Militares em um contexto de proteção, mas não do esforço armado e sim em um contexto de proteção de suas famílias, levando em conta suas necessidades básicas, seu sentir”, assinalou o Suboficial Barreto. Os beneficiados das jornadas e seus líderes agradecem esse tipo de evento porque há muitos cujas vidas melhoraram graças a eles. Esse é o caso de dona Justina, que pela primeira vez pôde abrir um de seus olhos graças a uma cirurgia na pálpebra, afetada há 28 anos por um tumor; ou o senhor Pedro, que depois de ter passado por vários serviços médicos expressou com gratidão que nem seu próprio pai, em toda a sua vida, tinha feito tanto por ele.
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