Marinha da Colômbia a serviço da comunidade

Colombian Navy at the Service of the Community

Por Yolima Dussán/Diálogo
novembro 15, 2017

A Colômbia é um país de ouvintes de rádio. Apesar da evolução dos meios de comunicação, o rádio chega onde outros meios não conseguem. Com essa certeza, a Marinha Nacional da Colômbia (ARC, por sua sigla em espanhol) criou emissoras para fazer frente ao proselitismo que os grupos de narcoterroristas realizam na zona de Montes de María, no Estado de Sucre, no norte do país.

O processo começou em 1997, quando o governo, por meio do Ministério de Comunicações, autorizou a força pública da Colômbia, composta por as forças militares e a Policia Nacional, como concessionária do serviço de transmissão de som. Seriam emissoras institucionais a serviço da comunidade.

“Com a primeira emissora, e com cada uma das que foram se somando, o comando viu nisso uma aposta interessante com uma reação imediata e positiva por parte da comunidade”, disse à Diálogo o Primeiro-Sargento da ARC Edwin Cubillos Fuquen, diretor da rede de emissoras. “Como resposta à programação e às mensagens estrategicamente transmitidas, começamos a receber informações que permitiram aumentar os resultados operacionais.”

Os primeiros equipamentos de radiodifusão comprados pela Marinha Nacional foram instalados no Batalhão de Fuzileiros Navais Nº 4 em Corozal, Sucre. Lá, através da frequência 99,8 FM, a rádio Marina Stereo Corozal começou sua transmisão em 5 de agosto de 1997, às 6 horas da manhã, com os acordes do hino da Colômbia, seguidos do hino da ARC. Foi a primeira emissora da rede, hoje composta por 18 estações, cujas transmissões são feitas de pontos estratégicos do país onde a força naval está presente.

Emissoras participativas, culturais e educativas

A programação da rede de emissoras, desde o primeiro dia e durante os 20 anos de transmissões ininterruptas, obedece à missão para a qual foi criada. Elas devem difundir programas e mensagens institucionais com caráter participativo, popular, educativo e cultural, buscando o fortalecimento da democracia, os valores essenciais da nacionalidade, a integração civil-militar e a solidariedade cidadã.

“Isso é conseguido graças a um conteúdo elaborado para se conectar com as comunidades em função de seus gostos, resposta a suas necessidades, recreação e fornecimento de informações que contribuam para melhorar sua qualidade de vida”, disse o 1º SG Cubillos. “Em cada uma delas, o conteúdo tanto dos programas informativos como dos musicais está adaptado aos costumes dos habitantes dos povoados a partir de onde transmitimos. Cuidamos de todos os detalhes para que os ouvintes sintam-se identificados com a emissora, para sermos parte de sua vida cotidiana.”

“Pedro, desmobilize-se”

A programação das emissoras foi elaborada para reunir os habitantes. Além disso, promove as atividades de ação integral das Forças Militares, fornece informações sobre a oferta estatal e acompanha a audiência com uma cuidadosa seleção musical.

“Temos um conteúdo de programação muito importante, somado a outro estratégico: a transmissão de mensagens dirigidas aos guerrilheiros escondidos nas montanhas”, disse o Capitão-de-Mar-e-Guerra Omar Enrique Soto Aguilera, diretor de Comunicações Estratégicas da ARC. “Essa foi uma razão estrutural para a criação das emissoras da Marinha.”

A força sabia perfeitamente qual era a penetração do sinal das emissoras que foram abertas em várias zonas do país. Junto com os milhares de panfletos que foram jogados nas montanhas pelas aeronaves militares, começou o processo de convidar os guerrilheiros a voltarem com suas famílias e se reintegrarem à sociedade.

“O número de desmobilizados da guerrilha aumentou”, acrescentou o 1º SG Cubillos. “Uma parte fundamental das mensagens transmitidas tinha como objetivo estimular os guerrilheiros a se reintegrarem à vida civil.”

O maior impacto, segundo o CMG Soto, foi quando, devido às conversas com os desmobilizados, encontrou-se uma maneira ainda mais direta. “Em reuniões com os desmobilizados já em processo de reincorporação à vida civil, eles me recomendaram que enviássemos mensagens personalizadas. Eles nos forneceram nomes de companheiros que queriam sair mas estavam indecisos.”

Foi assim que começaram a produzir mensagens direcionadas. O impacto foi grande nos guerrilheiros que escutavam seu nome na rádio. Sabiam que o Estado falava diretamente com eles. Nos últimos anos, foram desmobilizados cerca de 32.000 guerrilheiros.

A rádio do povo

Todas as emissoras da ARC operam com 5 quilowatts e funcionam 24 horas por dia. A rede Marina Stereo possui 17 estações de rádio que transmitem em frequência modulada, mais uma pela internet, que é transmitida a partir de Bogotá.

Todas possuem uma barra de programação controlada a partir de Bogotá, porém são regionalizadas. Todos os dias, entram em cadeia com a “Revista Diária da Marinha”, um espaço das 7:30 às 9:00 horas com as notícias mais importantes. Sessenta por cento da programação é musical e os 40 por cento restantes são informações. Com frequência, são feitos segmentos remotos para cobrir atividades culturais de diversas regiões.

Sentido social

“Entrei na Marinha com a profissão de jornalista e locutor. Eu desejava fazer parte da força por meio de seus microfones. Ao atingir comunidades distantes com a Marina Stereo, pude comprovar os resultados da conexão das pessoas com a ARC”, disse o Terceiro-Sargento Alexander Morea, um dos 70 “tripulantes” da rede de emissoras. “A Colômbia que escuta nossas transmissões agradece o suporte que lhes damos, as soluções entregues, a recreação e os momentos de entretenimento aos que ouvem a nossa programação. Eles nos fazem sentir que estamos fazendo as coisas bem.”

“Nosso conteúdo tem variado. Agora, as mensagens estratégicas estão voltadas para a estabilização e a consolidação da paz. Depois de 20 anos, temos planos para proteger e ampliar a posição conseguida em todas as zonas”, concluiu o CMG Soto. “Trabalhamos na evolução de nossa programação. As emissoras cumprem a função não só com a população civil, mas também com nossos fuzileiros navais. Cada dia, temos que ser mais eficazes em nosso conteúdo e transmissões. Trabalhamos para isso.”


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