Marinha da Colômbia neutraliza outra embarcação semi-submersível usada pelo narcotráfico

Colombian National Navy Neutralizes Another Drug-Trafficking Semi-Submersible

Por Dialogo
maio 19, 2016





A Marinha da Colômbia já apreendeu este ano quatro semi-submersíveis que seriam usados para traficar drogas. A última embarcação, com 14 metros de comprimento e três de largura, capaz de transportar 4 toneladas de narcóticos, foi confiscada em 13 de maio na cidade de Candelilla de la Mar, no departamento de Nariño.

A embarcação, que tinha um motor a diesel e estaria pronta para navegar dentro de poucos dias, foi apreendida com 900 kg de cloridrato de cocaína em seu interior. Quarenta e oito horas depois, a Marinha da Colômbia destruiu um semi-submersível em um afluente do Rio Timba, no município de Tumaco, em Nariño. Militares da Marinha também detiveram seis suspeitos de terem construído o veículo.

As duas apreensões ocorreram cerca de seis semanas depois que a Marinha confiscou um semi-submersível que estava na etapa final de construção, em 3 de abril. A embarcação, com 15 m de comprimento e 3 m de largura, teria capacidade para transportar 2 t de drogas uma vez instalado o motor.

Na mesma época, a Marinha confiscou mais de 1 t de cloridrato de cocaína e três barcos que continham 20 caixas com 402 pacotes de drogas em um lugar não divulgado. Além disso, soldados da Marinha encontraram 657 pacotes de drogas e 35 recipientes com 1.120 galões de combustível em um depósito ilícito perto de uma área oculta por vegetação fechada.

A primeira apreensão de um semi-submersível este ano ocorreu em 1 de março, cerca de 250 milhas náuticas a oeste da fronteira entre Colômbia e Equador, quando militares da Marinha capturaram quatro tripulantes – três colombianos e um mexicano – e confiscaram 5.824 kg de cloridrato de cocaína encontrados a bordo da embarcação. Cada 1 t de cloridrato de cocaína apreendidos pelos militares e agentes de segurança custam US$ 32 milhões às organizações de narcotráfico em vendas no mercado internacional.

“Inspeções, patrulhamentos estratégicos, obtenção e depuração de informações e planejamento estão entre os muitos passos necessários para o êxito de uma operação para neutralizar um semi-submersível”, diz o Capitão de Fragata Pedro Prada, chefe da Guarda Costeira do Pacífico, lembrando que as apreensões de semi-submersíveis exigem meses de trabalho de inteligência.

Geralmente, os semi-submersíveis têm quatro tripulantes: um ajudante de navegação; o encarregado de máquinas e motores; o que monitora a carga; e um conhecido como “capitão”, que conhece a rota da embarcação. O “capitão” recebe US$ 25.000 por viagem, enquanto outros tripulantes obtêm cerca de US$ 5.000, de acordo com a Marinha da Colômbia.

O que é um semi-submersível?


Também conhecido como “narcosubmarino”, um semi-submersível é uma embarcação marítima artesanal usada para o narcotráfico. Viaja a uma velocidade de 5 a 7 nós, com capacidade para transportar até 15 t de carga. Possui um ou dois motores e geralmente pode abrigar quatro tripulantes que levam uma ou duas semanas para percorrer um trajeto de 3.000 a 3.500 milhas até o México ou os EUA. Menos de 25% do casco dessas naves fica exposto à superfície; a embarcação viaja logo abaixo da superfície da água – daí o nome.

Desde o início dos anos 1990, quando o primeiro semi-submersível foi apreendido, as técnicas de fabricação melhoraram para aumentar a capacidade de carga das embarcações. O corpo da nave é uma lancha coberta com fibra de vidro. O casco é escuro para camuflá-la no mar e sua textura ondulada facilita o escoamento das drogas. Uma pequena cabine sobressai da estrutura para dar visibilidade aos tripulantes, e o ar circula através de tubos.

As embarcações custam entre US$ 500.000 e US$ 1 milhão, de acordo com a Marinha da Colômbia. A construção pode levar entre 30 e 45 dias em fábricas improvisadas capazes de confeccionar até três semi-submersíveis de uma vez, empregando cerca de 30 trabalhadores.

“Em geral, a construção é realizada a poucos quilômetros da costa para que seja difícil de encontrar”, diz o CF Prada. “Descobrimos vários [semi-submersíveis] no Parque Nacional Natural Saquianga e em outras áreas com vegetação fechada e acesso restrito.”

A construção de um submarino propriamente dito, capaz de viajar completamente debaixo d’água, exige um investimento muito maior, materiais adequados e trabalho de especialistas. “Isso demanda muito trabalho e é muito indiscreto para [os narcotraficantes]”, diz o CF Prada. “Por isso, a alternativa que têm é construir embarcações que, embora sejam consideravelmente menores que um submarino, podem levar cinco vezes mais peso que uma lancha.”

Semi-submersíveis, uma invenção do narcotráfico


A fabricação de semi-submersíveis começou nos anos 1990, no auge dos cartéis da droga. Foi uma alternativa para o contrabando de drogas da Colômbia aos EUA e ao México. Ao mesmo tempo, as autoridades desses países começavam a monitorar o transporte aéreo com mais intensidade, e as lanchas geravam muitas perdas devido a naufrágios e à fácil detecção.

A Marinha da Colômbia encontrou o primeiro semi-submersível em seu território nacional na ilha da Providencia em maio de 1993. A embarcação tinha 6 m de comprimento e podia transportar 1 t de drogas. Um ano depois, a Marinha encontrou uma embarcação similar – e continuou a localizar semi-submersíveis em vários pontos das costas colombianas do Atlântico e do Pacífico. As autoridades também encontraram semi-submersíveis no mar através da detecção aérea.

Desde 1993, as autoridades colombianas apreenderam 91 semi-submersíveis que, em sua maioria, foram destruídos imediatamente. Houve um ápice em 2009, quando 20 desses veículos foram neutralizados, coincidindo com a promulgação da lei No. 1.311 – a Lei de Semi-Submersíveis – naquele ano. Em 2015, os funcionários encontraram cinco embarcações, todas nas últimas fases de construção e no mar.

Como funcionam


A Base Naval de Málaga, no departamento de Valle del Cauca, abriga alguns semi-submersíveis encontrados desde os anos 1990. O protocolo exige a destruição dessas embarcações tão logo sejam encontradas, mas as de Málaga foram preservadas para análise.

Nesses modelos, a proa contém um ou dois tanques de combustível, uma área de carga, a cabine dos tripulantes e a sala de máquinas. As embarcações também possuem um gerador para abastecer as baterias que alimentam os equipamentos de comunicação e posicionamento. Não há banheiro.

Em 2000, as autoridades começaram a encontrar novos modelos. Embora os semi-submersíveis sejam silenciosos, não deixem rastros e sejam impossíveis de detectar ao longo do horizonte, são visíveis para quem os sobrevoa. No entanto, os narcotraficantes projetaram um torpedo oco que carrega entre 1 t e 5 t de cocaína e é rebocado por uma lancha pesqueira.

O torpedo possui um sistema de lastro, ou seja, pode introduzir água nas câmaras para perder flutuação ou ar para obter o efeito contrário. Também tem um dispositivo de localização e pode mergulhar a 3 m de profundidade graças ao um cabo de aço de mais de 200 m. Também é invisível para aeronaves.

Boias usadas por narcotraficantes


Desde o início da década, as autoridades começaram a encontrar semi-submersíveis não tripulados transportando 1 t ou 2 t de drogas, além de boias de alta tecnologia que podem ser recuperadas no mar pelos traficantes. “Grande parte da inteligência que realizamos para a Marinha é voltada para a localização dos lugares onde essas unidades são construídas, para evitar que cheguem ao mar, onde é difícil encontrá-las”, diz o CF Prada. “Nossas descobertas incluem semi-submarinos e torpedos submersíveis.”

A rota mais comum seguida pelos semi-submersíveis é sair do Parque Saquianga, em Nariño, até o sul para rodear as ilhas Galápagos, e depois seguir rumo ao golfo de Tehuantepec, no México. Às vezes, outro barco recebe a carga nos arredores, de acordo com a Guarda Costeira do Pacífico da Marinha da Colômbia.

Aplicação da lei


Embora alguns semi-submersíveis possam ser usados em múltiplas viagens, a maioria é afundada por narcotraficantes após a primeira. As embarcações também são equipadas com válvulas que permitem introduzir água para afundar se forem abordadas pelas autoridades.

A Colômbia persegue os envolvidos com essas embarcações através da Lei dos Semi-Submersíveis, que pune os condenados por usar, construir, vender ou possuir um semi-submersiível ou um submarino sem a autorização apropriada com uma pena de seis a 12 anos de prisão e uma multa equivalente a entre 1.000 a 50.000 vezes o salário mínimo vigente, que atualmente está em US$ 228,59. Mas as sanções são muito mais duras caso o semi-submersível ou submarino seja usado para armazenar, transportar ou vender drogas ou materiais de produção de drogas. Os condenados podem pegar entre oito e 14 anos de prisão e ter de pagar uma multa equivalente a 70.000 vezes o salário mínimo.

A Colômbia tem acordos de cooperação em segurança com países nas Américas do Sul, Central e do Norte, a fim de ser mais eficaz na localização dessas unidades e na captura dos narcotraficantes.


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