Justiça colombiana condena a 40 anos o chefe e o negociador das FARC

Por Dialogo
junho 27, 2013


O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Timoleón Jiménez, e o chefe das negociações de paz dessa guerrilha com o governo colombiano, Iván Márquez, foram condenados a 40 anos de detenção por um ataque que deixou quatro mortos e 30 feridos em 2003, informou a Promotoria à AFP, no dia 25 de junho.



A sentença, que atinge ao todo 22 membros da guerrilha comunista com a mesma pena cada um, foi emitida pelo quarto tribunal penal da cidade de Villavicencio, capital do estado (província) de Meta (centro).



Foram apontados os responsáveis pelos crimes de rebelião, terrorismo e homicídio durante um ataque das FARC com explosivos a uma embarcação, no qual morreram quatro pessoas e outras 30 ficaram feridas, no dia 24 de agosto de 2003.



Essa sentença se soma a outras que pesam sobre os comandantes das FARC ditadas pela justiça colombiana, principalmente por crimes de terrorismo, homicídio e sequestro.



Apesar dessa situação, a Promotoria suspendeu temporariamente as ordens de prisão contra Márquez e outros membros das FARC para que eles pudessem viajar a Havana, onde desde novembro de 2012 a guerrilha negocia a paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos.



“Essa condenação não tem relação ou implicação com os diálogos (de paz)”, disse à AFP Álvaro Villarraga, diretor da Fundação Cultura Democrática e ex-integrante da guerrilha desmobilizada Exército Popular de Libertação (EPL).



Atualmente os representantes do governo colombiano e as FARC dialogam sobre a participação dessa guerrilha na política após seu eventual desarmamento.



Esse tema é o segundo ponto de uma agenda de cinco previamente acordada para guiar as negociações, as quais, segundo o presidente Santos, devem levar ao fim do conflito armado com as FARC.



Sobre essa questão, Villarriaga assinalou que a nova condenação contra os chefes guerrilheiros ressalta “a importância do tema da justiça na agenda (de negociações)”.



“As FARC deverão ter um espaço político, mas haverá um nível de justiça (para que os guerrilheiros possam fazer política)”, explicou o analista.



As duas partes já chegaram à solução do primeiro tema da agenda, o desenvolvimento rural integral que, junto com o de garantias para a participação política da guerrilha, integra a agenda que inclui também os temas sobre as drogas ilícitas, o abandono das armas e a indenização às vítimas do conflito.



As FARC, a mais antiga guerrilha comunista da América Latina, estão há 48 anos em luta armada contra o Estado colombiano e contam com cerca de 8 mil combatentes.



A outra guerrilha comunista que atua na Colômbia é o Exército de Libertação Nacional (ELN), com 2.500 integrantes, que até o momento se mantém à margem dos diálogos de paz.










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