Governo colombiano reabre diálogo de paz com a guerrilha apesar do sequestro

Por Dialogo
fevereiro 01, 2013

A delegação do governo colombiano para o processo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) viajou a Cuba no dia 30 de janeiro para reabrir as sessões de diálogo, apesar do sequestro de dois agentes da Polícia na semana passada.

“A ordem do presidente à força pública é a de continuar perseguindo as FARC. A ordem a esta delegação é continuar trabalhando em um acordo para pôr fim ao conflito. Nós não deixaremos que esse objetivo seja desviado”, disse o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, ao ler uma declaração antes de partir para Havana.

As declarações do chefe das negociações foram dadas depois que a delegação das FARC em Havana publicou um comunicado onde ressaltava que “se reserva o direito de capturar como prisioneiros os membros da força pública que se renderam em combate”, em alusão ao sequestro dos dois agentes.

“Vamos a Havana para encerrar o conflito, que é o que decidimos num pacto. Se não for assim, que o digam de uma vez, para que o governo colombiano não perca seu tempo”, acrescentou.

As duas delegações, que estão em conversação desde novembro passado, prosseguiram suas sessões em 31 de janeiro.

Horas depois da declaração do representante do governo, as autoridades comunicaram o desaparecimento de três engenheiros em uma zona rural do Cauca, no sul da Colômbia, que possivelmente seria um novo sequestro das FARC.

O General-de-Exército Alejandro Navas, comandante das Forças Militares, disse que o fato está sendo investigado.

No entanto, a defensora do povo na região, Arelli Isaldáz, declarou que os engenheiros viajavam por uma estrada rural quando “surgiram três pessoas armadas que se identificaram como membros das FARC e simplesmente os levaram”.

Em fevereiro de 2012, as FARC anunciaram que renunciariam ao sequestro com extorsão de civis e libertaram os últimos 10 policiais e militares que mantinham em seu poder e faziam parte de um grupo de até 60 reféns presos por motivos políticos desde a década de 90.

Entretanto, associações de vítimas anunciaram desconhecer o paradeiro de familiares supostamente sequestrados pelas FARC.

O fim dos sequestros havia sido solicitado pelo presidente Santos como um requisito indispensável para considerar um diálogo de paz.



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