O governo da Colômbia e as FARC exigem mutuamente acelerar os diálogos de paz

Por Dialogo
janeiro 16, 2013


As delegações do governo da Colômbia e da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) exigiram mutuamente acelerar as negociações de paz que buscam pôr um fim a um conflito armado de quase meio século.

As conversações foram reiniciadas em 14 de janeiro em Havana, Cuba, após um recesso de fim de ano.

As FARC exigem “rapidez na análise profunda e integral, objetivando os interessas das maiorias nacionais, do Acordo geral para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura”, diz um comunicado transmitido à imprensa por Iván Márquez, chefe da delegação da guerrilha.

Márquez acrescentou que as FARC “advertem o governo de Juan Manuel Santos para que cesse a retórica guerrilheira, que vem acompanhada de falsas promessas de solução para os problemas sociais, e que se comprometa publicamente a apresentar soluções prontas, tangíveis e sem demagogia”.

Por sua vez, em uma declaração gravada e entregue à imprensa antes do início das conversações no Palácio das Convenções de Havana, o chefe da delegação oficial, Humberto de la Calle, também pediu rapidez no diálogo.

“Necessitamos avançar concretamente (…), adotar um novo ritmo, caminhar adiante. A urgência tem como único propósito manter o apoio da cidadania, que quer ver um processo eficaz, digno, rápido, sério”, disse.

Ele acrescentou que as conversações, iniciadas em 19 de novembro de 2012, estão “em fase de obter resultados para um acordo que ponha fim ao conflito”.

“O governo não quer modificar a agenda”, mas as FARC não podem utilizar as propostas do Fórum Agrário para fazer “política armada”, disse De la Calle.

As propostas do Fórum são “para impulsionar o processo (de diálogo de paz); a participação não deve adiantar a ação política das FARC, para conseguir fazer política antes, porque não se pode ter política armada na Colômbia”, acrescentou.

Ambas as partes devem debater os resultados do Fórum, onde foram recolhidas 546 propostas apresentadas por 1.314 cidadãos de 522 organizações do país.

“Analisaremos muito bem e utilizaremos como insumo para a discussão desse primeiro ponto da agenda tudo aquilo que nos foi dito pelos cidadãos, as organizações sociais e políticas”, disse Márquez.

As FARC tornaram públicas 15 iniciativas para solucionar o problema agrário, o primeiro dos cinco pontos da agenda das conversações de paz, que devem ser encerradas no mais tardar em novembro deste ano, segundo a data-limite fixada pelo presidente Santos.

Entre as propostas está o pedido para se erradicar o “latifúndio improdutivo” e buscar a “superação das condições políticas, econômicas, sociais e culturais que geraram o exercício estrutural da violência”, “a transformação das relações rurais” e a “erradicação da fome, da desigualdade”, entre outras.

O governo se recusou a aderir a um cessar-fogo unilateral de 60 dias decretado pela guerrilha no início das conversações e que termina no dia 20 de janeiro.

Esse terceiro ciclo de debates de paz durará 11 dias, anunciou De la Calle.



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