Governo da Colômbia e FARC concordam em erradicar a pobreza no campo

Por Dialogo
janeiro 28, 2013


O governo da Colômbia e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) disseram, em 24 de janeiro, que conseguiram “aproximações” quanto à erradicação da pobreza rural e a transformação do campo colombiano, ainda que ainda haja divergências em outros pontos da agenda do diálogo de paz em Havana.

“Foi abordada a análise exaustiva do ponto de acesso à terra, surgindo itens em comum entre as delegações no que se refere à erradicação da pobreza rural e à obtenção de uma transformação da realidade do campo”, disse um comunicado conjunto emitido no encerramento de um ciclo de 11 dias de diálogos.

Essas aspirações devem ser concretizadas “através de programas integrais que democratizem o acesso à terra, que sejam sustentáveis, que regularizem e proporcionem segurança jurídica à propriedade e que assegurem o bem-estar ao maior número de trabalhadores e populações rurais”, acrescentou a nota.

Em uma declaração lida para a imprensa, o chefe negociador do governo e ex-vice-presidente colombiano, Humberto de la Calle, admitiu que “as conversações avançam em um clima de respeito e diálogo aberto, que existem coincidências no objetivo de transformar o campo, embora também continuem diferenças notáveis”.

O chefe da equipe de negociações das FARC, Iván Márquez, também reconheceu em entrevista coletiva que “apesar das aproximações (…) existem divergências de base”.

Na Colômbia, 52 por cento da propriedade rural estão concentrados em 1,15 por cento da população, enquanto o restante possui propriedades pequenas e médias, segundo informações de Desenvolvimento Humano 2011 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Desde que começaram em Havana, no dia 19 de novembro, as negociações vêm se concentrando no complexo tema agrário. A agenda inclui outros quatro pontos: drogas ilícitas, participação política, abandono das armas e indenização às vítimas.

Durante a rodada encerrada em 24 de janeiro, a guerrilha instou o governo a “deter a marcha precipitada” dos projetos de lei relativos aos assuntos incluídos na agenda das negociações de paz, entre eles o de uma nova Lei de Terras.

“Seria inexplicável” se a Lei de Terras “iniciasse seus trâmites nas câmaras (do Congresso colombiano) sem ouvir os pontos de vista sobre a terra emanados da mesa de paz de Havana”, disseram as FARC em uma carta enviada no dia 16 de janeiro ao ministro da Agricultura da Colômbia, Juan Camilo Restrepo, que também foi convidado a comparecer a Havana.

O governo de Juan Manuel Santos, que fixou o próximo mês de novembro como data limite para o encerramento das negociações, e as FARC anunciaram que “um novo ciclo de conversações terá início em Havana no próximo dia 31 de janeiro” e não no dia 29, como havia sido dito anteriormente.



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