Governo colombiano e FARC admitem avanços para a paz

Por Dialogo
fevereiro 12, 2013


O governo da Colômbia e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) admitiram avanços ao encerrar-se, em 10 de fevereiro, em Havana, o quarto ciclo de conversações de paz, e polemizaram quanto à libertação de dois policiais e um soldado capturados pelos rebeldes no final do mês passado.

Em um comunicado lido à imprensa, após o qual se retirou sem responder a perguntas, Humberto de la Calle, chefe da delegação do governo colombiano para as conversações de paz, explicou que “os acordos a que finalmente chegamos são integrais e sempre temos em mente o princípio de que nada está decidido até que tudo esteja decidido”.

Duas horas depois, Iván Márquez, chefe da delegação das FARC, disse à imprensa que “não há dúvidas de que avançamos e concluímos que o maior sucesso dessas jornadas foi termos chegado a um acordo com o propósito de permitirmos acesso progressivo à terra ao maior número possível de colombianos”.

As duas delegações encerraram nesta data o quarto ciclo de conversações de paz em Havana, que buscam pôr um fim ao conflito armado, iniciadas em 19 de novembro com uma agenda de cinco pontos.

As partes se comprometeram a criar condições para a libertação de dois policiais e um soldado preso pelas FARC no dia 25 de janeiro, os quais o governo considera “sequestrados”, e os guerrilheiros “prisioneiros de guerra”.

De la Calle pediu às FARC “um procedimento ágil” para a libertação desses prisioneiros, e o dirigente guerrilheiro Ricardo Téllez instou o governo de Juan Manuel Santos a “providenciar o quanto antes” a entrega dos prisioneiros à Cruz Vermelha Internacional e à ONG Colombianos e Colombianas pela Paz.

“Uma coisa é o que as FARC declaram em público como parte de sua plataforma (…) e outra é o que se conversa na mesa. Nós respeitamos estritamente a agenda combinada”, disse de la Calle, a propósito da “questão de mineração e energia ou a ideia de frear a construção de megaprojetos para a geração de energia elétrica”.

Ele enfatizou que o governo se restringe “estritamente à agenda compactuada (…) e não abriremos a agenda de conversações a temas novos apresentados pelas FARC”. “Não estamos aqui para falar sobre o divino e o humano”, reafirmou o ex-vice-presidente de la Calle.

De acordo com informações das duas partes, os diálogos serão reabertos em 18 de fevereiro.



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