Marinhas da Colômbia, Equador e Peru desferem duro golpe contra narcotráfico

Colombian, Ecuadorean, Peruvian Navies Deliver Hard Blow to Narcotrafficking

Por Myriam Ortega/Diálogo
dezembro 12, 2018

No final de outubro, a Marinha Nacional da Colômbia conseguiu dar um duro golpe ao narcotráfico em duas operações combinadas com a Marinha de Guerra do Peru e a Marinha do Equador. As operações começaram no sul da Colômbia, pelo rio Putumayo, cuja extensão de mais de 1.000 quilômetros define a fronteira entre a Colômbia, o Equador e o Peru.

As forças encontraram nas operações mais de uma tonelada de drogas entre maconha e cocaína. Além disso, as autoridades capturaram quatro indivíduos de nacionalidade colombiana e apreenderam duas lanchas utilizadas para transportar as drogas.

“Tanto na fronteira com o Peru, quanto na fronteira com o Equador, estamos perfeitamente coordenados”, disse à Diálogo o Contra-Almirante da Marinha Nacional da Colômbia José Ricardo Hurtado, comandante da Força Naval do Sul. “Estamos trabalhando de forma conjunta e combinada com as autoridades de cada país e esses bandidos não podem mais nos enganar. Se eles passarem para o lado equatoriano, já estão sendo esperados ali e, se passarem para o lado colombiano, aqui nós os estamos esperando, de maneira que está ficando cada vez mais difícil para eles.”

Às margens do rio

Segundo a Marinha Nacional da Colômbia, uma primeira operação de controle fluvial foi realizada na penúltima semana de outubro em um trecho do rio Putumayo, a uma distância de 24 quilômetros ao noroeste da localidade peruana de Soplín Vargas. A operação aconteceu em coordenação com o Peru, que destacou unidades da canhoneira fluvial BAP Castilla da Marinha de Guerra, do Batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais da Amazônia Nº 1 e da Polícia Nacional. Na margem do rio, as autoridades conseguiram detectar uma residência onde três pessoas preparavam um carregamento de drogas.

“Havia algumas lanchas carregadas com maconha”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra (FN) da Marinha Nacional da Colômbia Carlos Andrés Téllez, comandante da Brigada Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 3. “Apoiamos a Marinha do Peru com logística, transporte e informações e eles entraram e encontraram duas lanchas com fundo duplo e um artefato metálico tipo parasita.”

O cilindro parasita continha 400 quilos de maconha geneticamente modificada do tipo creepy, embalada em bolsas impermeáveis. Perto da residência, as forças destacadas encontraram mais 900 kg de drogas.

Estima-se que a maconha apreendida tenha um valor aproximado de US$ 5 milhões no mercado internacional. Além da droga, as autoridades detiveram os três indivíduos de nacionalidade colombiana, duas lanchas e confiscaram o cilindro parasita e o armamento.

Segundo a Marinha colombiana, a droga pertencia ao indivíduo conhecido como Sinaloa, líder da Frente 48, um grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia que domina o narcotráfico em Putumayo. A droga, proveniente do município colombiano de Puerto Leguízamo, em Putumayo, tinha como destino final a região amazônica do Brasil.

O rastreamento das drogas

A poucos dias da operação no Peru, unidades da Marinha colombiana apoiaram seus homólogos equatorianos em uma operação que os levou desde a região de Putumayo até a cidade portuária de Guayaquil, no Pacífico equatoriano. O intercâmbio de informações permitiu o rastreamento das drogas transportadas do sul da Colômbia até o Equador, com destino à Europa.

“Temos o conhecimento de que existe uma rede de narcotráfico transnacional que transporta entorpecentes de aeroportos internacionais com destino à Europa”, disse o C Alte Hurtado. “Com base nisto, foram transmitidas múltiplas experiências aos nossos homólogos equatorianos, como o uso e o treinamento de cães capazes de detectar até o mínimo indício de manipulação desses narcóticos, para que eles sejam implementados nos controles migratórios para neutralizar as ações criminosas.”

Com as informações fornecidas pela Marinha da Colômbia, a Marinha do Equador, junto com a Polícia Nacional e a Promotoria Geral do Estado do Equador, conseguiu capturar um indivíduo de nacionalidade colombiana no Aeroporto Internacional José Joaquín de Olmedo, em Guayaquil. O delinquente pretendia levar na sua bagagem mais de 30 kg de cloridrato de cocaína para o sul da Europa.

Os resultados das operações vêm de um trabalho contínuo de intercâmbio de informações entre as marinhas vizinhas. Juntas, as unidades navais da Colômbia, do Equador e do Peru conduzem a luta antidrogas na zona de selva e de difícil acesso que compartilham na região amazônica de Putumayo, utilizada pelos criminosos para a prática de crimes.

“Precisamos continuar trabalhando de maneira coordenada e manter os laços de amizade e cooperação entre os nossos países”, concluiu o CMG Téllez. “Devemos continuar lutando de forma coordenada, apoiando-nos mutuamente entre as diferentes marinhas, a polícia e as promotorias, para conseguirmos criar as estratégias que nos permitam golpear o narcotráfico de forma contundente.”
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