Exército da Colômbia promove programas para impulsionar agricultura no país

Colombian Army Promotes Programs to Enhance Country’s Agriculture

Por Marcos Ommati / Diálogo
maio 13, 2016




O Exército da Colômbia e o Ministério da Agricultura uniram-se para desenvolver ações em apoio ao setor agrícola nas regiões rurais mais vulneráveis do país. Com a assinatura do Convênio Interadministrativo de Cooperação, em abril, ambas as instituições se comprometeram a elaborar uma Estratégia de Desenvolvimento Rural Integral.

O Ministério da Agricultura proporciona programas especializados e recursos financeiros, enquanto o Exército fornece recursos logísticos e humanos para garantir que os programas cheguem aos camponeses nos municípios onde o órgão governamental tem pouca ou nenhuma presença.

“Tradicionalmente, a Colômbia tem sido um país agrícola”, diz o Coronel Giovanni Alarcón, diretor de Consolidação da Chefia de Ação Integral do Exército e Ligação com o Ministério da Agricultura. “No entanto, devido à história de conflito e à localização geográfica de muitas populações, a única entidade estatal que tem presença constante em todo o território é o Exército Nacional. A articulação entre ambas as instituições é fundamental para chegar a um apoio tangível para o setor rural.”

O acordo começou a ganhar forma no início de 2015, com a meta de reativar a atividade agropecuária, capacitar e "empoderar" os produtores, além de impulsionar o setor de maneira sustentável. O acordo busca articular esforços para recuperar a agricultura como uma atividade atrativa em todo o país. Por isso, apoia todas as iniciativas alinhadas a esse objetivo, principalmente as que provêm diretamente dos camponeses.

Trabalho pioneiro em Cauca


O departamento de Cauca, que sofreu com a forte presença de grupos armados ilegais e foi um dos principais pontos de cultivo de coca, é pioneiro no trabalho de revigoração da agropecuária. Os produtores da região retomaram o interesse por recuperar a atividade fora da ilegalidade, principalmente a partir da erradicação massiva de cultivos ilícitos no departamento nos últimos anos, diz o Major do Exército Andrés Peñaranda, oficial do programa Projetos Produtivos.

O projeto Fé na Colômbia
,
iniciado em 2015, é uma estratégia desenvolvida pelo governo federal para apoiar o interesse dos produtores em adotar cultivos legais como opção de vida. A iniciativa busca orientar esforços que melhorem as condições de vida das populações mais vulneráveis, no marco de uma segurança integral.

“As iniciativas dos produtores dos departamentos de Cauca, Valle e Nariño foram acolhidas pelo Fé na Colômbia
”, diz o Maj Peñaranda .
“Agora, no marco do acordo de cooperação do Ministério da Agricultura com o Exército, terão mais viabilidade e sustentabilidade.”

O convênio entre o Exército e o Ministério da Agricultura contempla quatro programas: Projetos Produtivos, Rodada de Negócios, habitação de interesse rural social e programa de crédito agropecuário para soldados do Exército. Os dois primeiros são focados diretamente nos produtores das zonas mais vulneráveis e distantes dos centros urbanos. Os restantes buscam favorecer os soldados e suas famílias, levando em consideração que estes formam parte integral da população rural no país.

Projetos produtivos


Por meio desse programa, as comunidades de cada município se organizam para desenvolver microempresas relacionadas ao setor agrícola, estimulando a geração de empregos, melhorando a qualidade de vida e fomentando a ligação com a terra por meio do uso eficiente dos recursos naturais. Esses projetos produtivos envolvem o cultivo de todos os tipos de frutas e verduras, pecuária, avicultura e piscicultura, produção de laticínios e mel, entre outros.

O Ministério da Agricultura proporciona recursos técnicos e financeiros para fornecer assessoria personalizada a todos os projetos produtivos no país. Em 2015, financiou diretamente 79 projetos produtivos com um investimento de US$ 1,8 milhão. Desde o início de 2016, foram auxiliados outros 48 programas, com investimento de US$ 5,8 milhões.

“Cada comunidade é gestora de seus próprios projetos”, afirma o Cel Alarcón. “Cada ideia de microempresa é estudada e avaliada pelos técnicos do Ministério da Agricultura. Com os ajustes e a assessoria personalizada e integral, os projetos começam a gerar resultados em poucas semanas. Sempre temos as portas abertas para novas iniciativas, com pessoal capacitado em todos os batalhões do país para receber as solicitações.”

“A ajuda do governo e do Exército foi muito importante porque eles nos dão a capacitação adequada no momento certo”, afirma a agricultora Idalí Mejía, líder comunitária de Caloto (Cauca), município altamente vulnerável e fortemente impactado pela violência ao longo dos anos. “Temos 250 famílias desenvolvendo projetos agrícolas em suas casas. São experiências em que toda a família participa, e isso incentiva o sentido de identidade.”

Além disso, segundo Mejía, Caloto agora tem 495 jovens emprendedores que se formaram no Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA) e estão criando empresas, não apenas no setor agrícola, mas também na área do processamento de produtos. “Após a capacitação, as famílias estão economizando em torno de US$ 68 em gastos mensais, porque cultivam alimentos em suas hortas e podem vendê-los”, diz Mejía.

Rodada de Negócios


A Rodada de Negócios consiste em uma reunião de um dia inteiro que congrega todas as comunidades do departamento. Permite às empresas estabelecerem vínculos diretos, realizarem estudos de mercado a custos reduzidos, acessarem novos mercados, gerarem novas oportunidades de negócio e criarem relações associativas.

Isso permite transações empresariais diretas entre as organizações de agricultores e as grandes comercializadoras de produtos, como redes de varejo, fornecedores regionais e, principalmente, a Corporación de Abastos de Bogotá – uma sociedade de economia mista que fornece alimentos a 12 milhões de pessoas diariamente e é o principal mercado de abastecimento do país.

“As rodadas de negócios são a plataforma ideal para determinar a capacidade e o potencial de cada projeto produtivo, permitindo que o produtor desenvolva seus produtos de acordo com as exigências específicas dos compradores”, afirma o Cel Alarcón. “As rodadas de negócios eliminam a figura do intermediário nas transações, por isso o agricultor pode vender seus produtos a um preço mais justo.”

Em 2015, foram realizadas três rodadas em cidades com grande atividade agropecuária. Desde o início de 2016, houve a primeira Rodada de Negócios em Mocoa, capital de Putumayo. As autoridades estimam que os quatro eventos tenham movimentado cerca de US$ 3,3 milhões. Para este ano, estão planejadas outras quatro rodadas – em Tame (Arauca), Barranquilla (Atlántico), Fusagasugá (Cundinamarca) e San José del Guaviare (Guaviare).

“Neste ano, decidimos visitar departamentos que tiveram uma maior influência do conflito armado ao longo dos anos e, por essa razão, suas comunidades exigem um maior apoio”, afirma o Cel Alarcón.

Juan Camilo Velásquez, assessor da Direção de Consolidação da Chefia de Ação Integral, elogia as Rodadas de Negócios. “Foi uma experiência muito positiva em todas as ocasiões. Os produtores ficam muito felizes com a nova possibilidade de fazerem melhores negócios, e os compradores ficam satisfeitos com a ideia de obterem os produtos como os encontram nos mercados das cidades. O sucesso foi tal que já estão nos pedindo uma segunda rodada nos lugares onde ocorreram as primeiras experiências. É algo que estamos considerando, mas vamos dar prioridade para as outras regiões.”


Para apoiar os soldados que serviram em todo o país, especialmente os feridos em combate ou os familiares de falecidos, o Ministério da Agricultura está concedendo 500 casas no valor de US$ 11.000 cada. Até agora, 217 famílias foram beneficiadas.

“Sabemos que o soldado colombiano vem do campo”, diz Velásquez. “Esse ponto de acordo busca solucionar o problema habitacional para os soldados no setor rural.”

Programa de crédito agrícola para as tropas


O Ministério da Agricultura oferece ainda empréstimos baratos por meio do Banco Agrario, entidade vinculada à pasta. O banco concede crédito com baixas taxas de juros para os soldados do Exército, para que possam apoiar suas famílias com projetos agropecuários.

“Este é outro ponto enfatizado entre as famílias de soldados das zonas rurais”, explica o Cel Alarcón. “Sabemos que o soldado passa a maior parte do seu tempo na área de trabalho, separado de seus entes queridos. Queremos que a família tenha a possibilidade de acessar os benefícios que lhes permitam continuar formando parte do setor agropecuário do país.”

O programa inclui assessoria personalizada por parte do Banco Agrario para determinar que tipo de dinâmica de cultivo ou de criação de animais será mais lucrativo para a família. O dinheiro pode vir na forma de crédito imobiliário ou de investimento livre com taxas de depósito de prazo fixo baseadas nos juros mais baixos do mercado.

Esse programa de crédito, oferecido nas 32 Brigadas do Exército existentes no país, beneficiará 80% dos participantes, possibilitando que os soldados da reserva e suas famílias mantenham uma boa qualidade de vida no campo e não precisem migrar para as cidades em busca de empregos.

“Esse programa busca gerar um ambiente próspero nos lares dos membros das tropas. Cada soldado profissional presta serviço por um período máximo de 20 anos. Queremos que, quando se incorporarem à vida civil, já tenham um projeto de vida ótimo em sua região de origem, que já tenha sido iniciado pelos seus familiares”, diz o Cel Alarcón.
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