Estados Unidos e Colômbia aperfeiçoam voos de aeronaves remotamente tripuladas

Colombia, US Improve UAV Flights

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 20, 2018

Uma delegação da Força Aérea dos Estados Unidos visitou a Escola Básica de Aeronaves Remotamente Tripuladas (EBART) da Força Aérea Colombiana (FAC), no Comando Aéreo de Combate Nº 3 em Barranquilla, Colômbia, de 16 a 27 de julho de 2018. O objetivo foi o intercâmbio de conhecimentos e experiências nos processos de capacitação, formação e treinamento para os pilotos e operadores de drones modelo Scan Eagle.

“O intercâmbio de experiências foi feito através do Curso Scan Eagle de Processamento, Exploração e Disseminação, utilizando a experiência dos americanos”, disse à Diálogo o Major da FAC Daniel Eduardo Martínez, subdiretor da EBART. “O curso foi um guia para a realização de missões ISR [inteligência, vigilância e reconhecimento, em inglês], onde nos ensinaram a pilotar uma aeronave remotamente tripulada para realizar esse tipo de missões e nos aprofundamos em como fazer [um relatório] para realizar uma missão.”

Nove oficiais colombianos e militares dos EUA aprenderam em conjunto como cada força aérea opera os veículos aéreos não tripulados nos atuais cenários de conflitos convencionais e assimétricos. “A capacitação nos servirá para melhorar a doutrina das aeronaves remotamente tripuladas, modernizar os manuais, fortalecer o planejamento de uma operação de voo e melhorar as missões de vigilância, reconhecimento e inteligência”, disse à Diálogo o 1º Tenente da FAC Brayan Higuera, instrutor do curso Scan Eagle na EBART.

A FAC opera o sistema tático de vigilância e reconhecimento desde 2006, em apoio à luta contra os grupos armados ilegais e terroristas, com importantes resultados em identificação, vigilância e reconhecimento de alvos de interesse, vigilância aérea, apoio às unidades de operações especiais e busca e resgate. As aeronaves com grande autonomia construídas pela empresa americana Boeing Insitu foram projetadas para missões contínuas de mais de 15 horas, capazes de captar e transmitir uma grande quantidade de imagens em tempo real.

Melhorar a missão

Os militares dos dois países analisaram no curso os relatórios das missões para obter bons resultados com seus sistemas. “Nós nos concentramos na máquina e na tripulação”, comentou o Maj Martínez.

“Os oficiais [americanos] acharam interessante que no [informe] colombiano os técnicos são incluídos para falar sobre as condições do sistema. O [informe] deles se concentra mais no analista e no piloto; não inclui um técnico que lhes informe as horas que restam à aeronave tripulada remotamente”, acrescentou o Ten Higuera.

A esquadrilha colombiana aprendeu como os oficiais da Força Aérea dos EUA realizam as missões “com informações muito completas”. “No momento em que recebem uma informação que lhes chega por qualquer fonte humana ou técnica, eles fazem a vigilância de forma persistente, ou seja, 24 horas por dia”, destacou o Ten Higuera. “Devemos nos concentrar também na questão da persistência da informação.”

Novo método para operar as aeronaves

Depois do curso, a FAC propôs trocar o método de operação das aeronaves Scan Eagle pelo método usado pela Força Aérea dos EUA, com persistência em um objetivo. “O curso ajudou [nossa] instituição aérea a promover uma nova maneira de operar a aeronave”, garantiu o Maj Martínez.

Com a mudança, a FAC poderá mostrar suas plataformas aéreas não tripuladas ao Exército, à Marinha e à Polícia Nacional da Colômbia, para incrementar o esforço de inteligência e o enfoque em um alvo. Além disso, ela poderá dar mais informações sobre o que as forças de segurança poderão fazer com a inteligência humana do que tem sido feito até agora, tanto em relação a imagens como a vídeos e rastreamento de alvos para as manobras táticas.

“As autoridades aéreas estudam como a mudança nas operações pode auxiliar na identificação e na erradicação de cultivos ilícitos no país”, disse o Maj Martínez. “As plataformas Scan Eagle podem ser uma ferramenta importante na luta [contra as drogas] atualmente.”

Modelo latino-americano

A FAC espera obter o certificado da empresa Boeing Insitu antes do final de 2018. “A ideia é que com o certificado, além da experiência que já temos, a EBART se torne a escola de aeronaves remotamente tripuladas da América Latina. Este ano [2018] treinamos o pessoal do Peru e no ano passado [2017] do Chile. A República Dominicana e a Costa Rica também estão interessadas em capacitar suas tripulações aqui, já que começam a adquirir sistemas remotamente tripulados”, disse o Maj Martínez.

No prazo de um ano, a EBART pretende incluir membros da força naval em seu corpo docente. Sua experiência em aeronaves remotamente tripuladas lançadas de navios reforçará o treinamento que será oferecido às Forças Armadas da Colômbia e de outras nações. A escola também estuda a possibilidade de trazer instrutores da Força Aérea dos EUA.

“Desenvolvemos a nova aviação de aeronaves não tripuladas com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos. Recebemos muita ajuda desse país. Isto é muito importante porque cada vez nos desenvolvemos mais e conquistamos mais espaço na aviação mundial”, concluiu o Maj Martínez.
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