Colômbia ataca narcotráfico no mar

Colombia Strikes Narcotrafficking in Territorial Waters

Por Myriam Ortega/Diálogo
março 03, 2017

As Forças Armadas da Colômbia acertaram dois duros golpes no narcotráfico nos mares da Colômbia em 24 de janeiro, apreendendo mais de 800 quilos de cocaína no Pacífico e cerca de meia tonelada no Caribe. Ao tentarem fugir das autoridades nas proximidades do município de Tumaco, no Pacífico colombiano, quatro equatorianos e um colombiano jogaram no mar 30 volumes de cocaína lacrados e amarrados, que estavam em duas embarcações. A Unidade de Reação Rápida, subordinada à Estação da Guarda-Costeira de Tumaco, encontrou o carregamento e os homens, que foram presos para julgamento. “A prova inicial preliminar indicou a presença de 833 quilos de cloridrato de cocaína. A droga apreendida teria como destino inicial os mercados da América Central e, posteriormente, da América do Norte”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Carlos Gustavo Serrano Álvarez, comandante da Força-Tarefa Poseidón contra o Narcotráfico. Coordenação e cooperação O êxito desses combates ao narcotráfico é atribuído especialmente ao trabalho conjunto entre as diferentes forças. “Criou-se um mecanismo de coordenação entre todas as instituições, o Exército Nacional, a Força Aérea, a Polícia e a Marinha da Colômbia, para concentrar esforços na luta contra o narcotráfico, a partir da erradicação dos cultivos ilícitos, até o processamento da pasta básica, a cristalização do cloridrato e o embarque e transporte ilícito para o exterior”, revelou o C Alte Serrano. “Até agora, os registros contabilizados desse esforço conjunto indicam a apreensão de mais de cinco toneladas no país.” Este é um trabalho sólido, como comprovam os números registrados. “No ano passado foram apresentados registros excelentes da Força Naval do Pacífico: desde a fronteira com o Panamá até a do Equador, foram apreendidas quase 120 toneladas [de drogas], que equivalem a quase US$ 4 bilhões. No ano passado, como mencionado pelo Ministério da Defesa, foram apreendidas 369 toneladas. Particularmente, aqui na área de Tumaco, tivemos um registro de quase 23 toneladas”, disse o C Alte Serrano. A cooperação com as forças militares internacionais é muito importante. “Esta luta é significativa não apenas pelo que é apreendido materialmente, mas também pela importância de privilegiar as relações que temos com os outros países, como o Equador e os Estados Unidos, e com países da América Central, com os quais compartilhamos informações oportunas que permitem realizar apreensões de carregamentos no Oceano Pacífico”, destacou o C Alte Serrano. “Entre as quase 120 toneladas apreendidas, boa parte foi feita com esse mecanismo de coordenação.” Quase meia tonelada de cocaína no Mar do Caribe No mesmo dia em que ocorreu a operação no Pacífico, autoridades que atuavam no Mar do Caribe colombiano descobriram um carregamento de 490 quilos de cloridrato de cocaína que era transportado em uma lancha do tipo go fast. A embarcação, que viajava a cerca de sete milhas da costa rumo ao Panamá, foi interceptada por unidades da Estação da Guarda-Costeira de Urabá, da Frota de Superfície do Caribe e do Batalhão Fluvial de Infantaria da Marinha Nº 16, sob o controle operacional da Força-Tarefa Contra o Narcotráfico N.º 73, “Neptuno”. Os tripulantes da embarcação foram colocados à disposição da justiça para seu julgamento. Os detidos pertencem à comunidade indígena de Caimán Nuevo, localizada em Necoclí, demonstrando que as redes do narcotráfico contaminam também os valores ancestrais das comunidades locais. A Neptuno Nº 73 nasceu há três anos. Ela foi criada pela Marinha Nacional e conta com jurisdição em todo o Caribe colombiano. “Quando temos uma situação com [essas] características –embarcações navegando em determinada hora, em determinado momento, com determinadas condições de saída do local...– sempre imaginamos que pode ser uma oportunidade; neste caso, a guarda-costeira deteve diretamente a embarcação e encontrou a bordo essa quantidade de produtos que foram apreendidos”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Juan Francisco Herrera Leal, comandante da Neptuno. Esta operação é uma das maiores conquistas da força-tarefa. “Este ano, fizemos mais de seis operações de interceptação marítima que significaram um total de quase três toneladas de cloridrato de cocaína. Mas também encontramos um “parasita”, como denominamos um dispositivo para ocultar drogas que se instala sob o casco dos navios que partem em viagens internacionais, descoberto em uma inspeção de mergulho durante o controle da Marinha Nacional no Golfo de Urabá”, garantiu o C Alte Herrera. “Com essa apreensão, a Marinha Nacional da Colômbia evitou que mais de US$ 16 milhões fossem arrecadados por grupos criminosos”, anunciou o escritório de imprensa da Marinha em um comunicado.
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