Colômbia apreende maior quantidade de cocaína em sua história

Colombia Makes Largest Cocaine Bust in Nation’s History

Por Myriam Ortega/Diálogo
dezembro 21, 2017

A Campanha Militar e Policial Agamenón II realizou a maior apreensão de narcóticos da história da Colômbia. Em uma operação sem precedentes, no dia 8 de novembro, foram encontradas 13,4 toneladas de cloridrato de cocaína em Chigorodó, Antioquia, graças à inteligência proporcionada pelo Exército Nacional da Colômbia (ENC) e pela Polícia Nacional da Colômbia (PNC). A droga estava dividida em três fazendas na zona de influência do Clã do Golfo.

“Esta guerra mundial contra o narcotráfico foi declarada há mais de 40 anos”, disse o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos. “Assim é demonstrada a força com que se trava a guerra contra o narcotráfico e a inteligência militar do Exército e da Polícia da Colômbia, que trabalharam em conjunto.”

O custo aproximado da droga no mercado internacional alcança US$ 400 milhões. A apreensão afeta as finanças de Otoniel, chefe máximo do Clã do Golfo, o grupo armado organizado que controla 45 por cento da exportação da droga da Colômbia, além de outros negócios ilegais.

A operação

“A inteligência da polícia levou ao local onde armazenavam essa droga”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel do ENC Hugo Durán Benavides, comandante do Batalhão contra o Narcotráfico N.º 3. “Foi planejada uma operação coordenada, realizada em três trilhas dos municípios de Carepa e Chigorodó, Antioquia.”

O ponto de partida foi a informação da PNC, que assegurava a chegada repetida de carregamentos entre 100 e 300 quilos de droga a três fazendas. Depois de analisar a informação, foi planejada a operação no âmbito da Operação Agamenón II. A PNC se deslocou para os locais onde estava a droga para adiantar os processos de apreensão e mandados de busca, enquanto as tropas do ENC asseguravam os pontos.

“Conseguimos interceptar comunicações por rádio, onde esses membros do Clã do Golfo pretendiam atacar e disparar contra as tropas que se encontravam nos pontos”, detalhou o Ten Cel Durán. “Foi quando se tomou a decisão de fazer a retirada da droga com helicópteros, previamente estabelecidos em Carepa.”

A droga estava armazenada em construções artesanais de madeira, com pisos de fundo falso. “Eles procuravam não despertar nenhuma suspeita de que tinham essa droga armazenada”, acrescentou o Ten Cel Durán. “Eles têm redes de apoio integradas [entre a população civil] para informar a respeito de movimentações, presença de força pública e de pessoas estranhas à região.”

“Foi uma operação rápida, flexível, sigilosa, onde houve cooperação”, acrescentou o Coronel do ENC Alberto Ulises Romero, comandante do Comando Especial Contra Ameaças Transnacionais (CECAT). “Isso ocorreu em um único dia; a apreensão começou de manhã cedo e, às 11 horas, já havia sido encontrado tudo.”

Agamenón II

“A Agamenón, como operação da polícia, nasceu há três anos com resultados muito bons. Contudo, há seis meses, o presidente da república viu a necessidade de reformular a estratégia frente ao crescimento exponencial de membros do Clã do Golfo, que começou a ser percebido como ameaça para a segurança nacional”, explicou o Cel Romero. “Em Urabá, [o Clã do Golfo] passou a ter de 1.000 a 1.800 homens, mais uma rede de apoio de 1.000 pontos de informação.”

Para analisar o problema, foi organizado o Comitê de Revisão Estratégica e Inovação Clã do Golfo, formado por 50 membros do ENC, 40 da PNC, 10 da Marinha e 10 da Força Aérea. As formas de ataque ao Clã do Golfo foram analisadas em cinco workshops de organização: de inteligência, de ação integral e de desenvolvimento, de contrainteligência, jurídica e judicial. Após dois meses de trabalho, nasceu a Campanha Militar Policial Agamenón II.

“[Coordenamos] uma campanha militar para poder vincular Exército, Marinha, FAC e Polícia, e a deixamos com o mesmo nome: Agamenón II”, afirmou o Cel Romero. “[Foi] um projeto operacional com um componente de inteligência, liderado pela Polícia Nacional.”

Somou-se à Polícia de Urabá o ENC, com um componente de operações integrado por batalhões contra o narcotráfico, de forças especiais, de combate terrestre, pelo batalhão de helicópteros, pelo CECAT e pela Marinha Nacional da Colômbia. Com essa operação, foram agregados como componentes militares cerca de 2.000 homens. A população confia cada vez mais na Agamenón II.

“Caiu Gavilán, um chefe que tinha todo o controle militar, dirigia todos os membros, todos os pontos e a droga do Clã do Golfo”, finalizou o Cel Romero. “Prendemos Gavilán e, no outro dia, Otoniel saiu e disse que iria se entregar. O clã está dividido; eles estão assustados.”
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