Colômbia voa no Mobility Guardian 2017 pela primeira vez

Colombia Flies in Mobility Guardian 2017 for the First Time

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 05, 2017

Militares da Força Aérea da Colômbia (FAC) participaram do primeiro exercício internacional Mobility Guardian, realizado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF, por sua sigla em inglês) na Base Lewis-McChord, Washington, de 31 de julho a 12 de agosto. A missão é praticar a resposta de operações humanitárias em ambientes de guerra e desastres naturais. O Mobility Guardian, criado pelo Comando de Mobilidade Aérea (AMC, por sua sigla em inglês) da USAF, busca melhorar a resposta de forças conjuntas e aliadas para operar de maneira eficaz em ambientes de guerra e de desastres naturais. Essas manobras substituem o exercício Rodada de Mobilidade Aérea. “Esse exercício multinacional é o maior da história dos Estados Unidos em termos de emprego de unidades de transporte e de homens”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel da Força Aérea da Colômbia Robert Quiroga Cruz, comandante da delegação colombiana no Mobility Guardian. “Tivemos a oportunidade de compartilhar táticas, técnicas e processos essenciais com outras forças aéreas.” O exercício multinacional reuniu mais de 3.000 membros do AMC da USAF e mais de 700 integrantes de 25 forças aéreas de elite do mundo, incluindo Austrália, Canadá, Coreia do Sul, França, Nova Zelândia e Reino Unido, além da Colômbia e do Brasil como únicos representantes latino-americanos no exercício multinacional. Além desses, vários países assistiram como observadores. Somente 12 países estiveram nos cenários de treinamento com dezenas de aeronaves, entre eles Alemanha, Argentina, Espanha e Cazaquistão, entre outros. Por sua vez, Bélgica, Colômbia, Estados Unidos e França também levaram paraquedistas. O treinamento avançado incluiu uma ampla variedade de manobras: tomada de campos de pouso, entrada forçada conjunta, aterrissagens da zona de assalto, operações de visão noturna e missões de paraquedistas. A atividade também colocou à prova as funções básicas de lançamento aéreo de carregamentos, reabastecimento de combustível em voo, transporte aéreo e evacuação aeromédica. Todas as manobras foram planejadas, treinadas e operadas segundo os padrões internacionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte, bem como os exercícios estabelecidos por parte da USAF para as missões. Os resultados Durante o treinamento, as tripulações voaram aproximadamente 1.200 horas e realizaram quase 650 incursões. Nas operações de reabastecimento aéreo, os aviões descarregaram aproximadamente 600.000 quilos de combustível, informou a USAF por meio de um comunicado de imprensa. O pessoal dos portos aéreos processou mais de 3.600 passageiros e 4.911 toneladas de equipamento. As tripulações lançaram do ar 356 paraquedistas, 33 plataformas pesadas e aproximadamente 300 Sistemas de Entregas de Contêineres (CDS, por sua sigla em inglês). A delegação colombiana foi formada por 42 membros da FAC entre pilotos, tripulantes, paraquedistas e pessoal logístico. “Um avião tipo Airbus C-295 da FAC finalizou com nove missões totais: sete diurnas e duas noturnas em condições de NVG [Sistema de Visão Noturna]”, informou o Ten Cel Quiroga. “Dessas missões, quatro foram de lançamento de carga a baixa altura com paraquedas e três de transporte, nas quais foram transportadas 63 pessoas.” No lançamento de carga, a FAC participou com duas tripulações. “A atividade foi realizada em coordenação com os chefes de carga. Eles prepararam os CDS para realizar os lançamentos de baixa altura”, comentou à Diálogo o 2° Tenente Técnico da FAC Diego Franco, mestre de carga N.º 1 do C-295. “Cada CDS pesava aproximadamente 600 kg. Foram utilizados paraquedas de baixo custo para efeitos de treinamento.” A unidade de inteligência do AMC deu as coordenadas e os locais para soltar os carregamentos, sob ameaças em terra. “Os lançamentos de carga foram realizados em um ambiente hostil com mísseis”, relatou o 2º Ten Franco. “Os pilotos tiveram a perícia de evadirem-se dessa importunação para cumprir a missão de entrega de carga à tropa em terra.” FAC lidera missão de paraquedismo A Colômbia também cumpriu uma atividade simulada de evacuação aeromédica e liderou, pela primeira vez, uma operação de paraquedismo a 10.000 pés de altura com oito militares da França, dois do Paquistão e nove da FAC, enquanto o C-295 colombiano mantinha uma velocidade de 200 quilômetros por hora. Os militares realizaram, durante a descida, uma formação tática na zona de lançamento. Os comandos chegaram ao ponto de impacto com precisão, conforme programado. A USAF forneceu a rota e a missão da operação. “Realmente foi um orgulho representar a FAC na missão de paraquedismo”, disse à Diálogo o Capitão da FAC Andrés Echeverría, comandante do Esquadrão de Comandos Especiais Aéreos. “Cruzar esses céus internacionais e compartilhar essa prática com nossos colegas de asas foi uma enorme experiência profissional que nos ajudará a fortalecer nossas técnicas, nossos procedimentos e melhorar a segurança das missões.” Para cumprir esse desafio, a FAC desenvolveu uma preparação intensiva de três meses na Base Aérea do Grupo Aéreo do Oriente, em Vichada. Os esforços da preparação visavam atender missões em condições de ameaças para aviões, ameaças aéreas, lançamento de carga, voos em condições de infiltração e lançamento de paraquedistas de diferentes formas. “A missão de paraquedismo a uma grande altura tem um alto significado para o componente colombiano", declarou o Ten Cel Quiroga. “Foi um trabalho multinacional que se desenvolveu com procedimentos padronizados no idioma inglês, em um ambiente simulado de combate com uma precisão exata da área na qual se queria realizar o lançamento dos paraquedistas segundo protocolos rígidos de segurança.” “Sua atuação foi excelente, especialmente levando-se em conta o fato de que planejaram, dirigiram e executaram um salto multinacional”, finalizou o Tenente-Coronel da USAF Daniel Mangan, subdiretor de Planos e Programas Estratégicos da 12ª Força Aérea/Forças Aéreas do Sul. “A Colômbia é um exportador de segurança e um aliado estratégico de primeiro nível para os EUA.”
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