Colômbia ultrapassa 100 semissubmergíveis apreendidos

Colombia Exceeds 100 Semi-submersibles Seized

Por Marian Romero/Diálogo
dezembro 19, 2017

Em fins de outubro, a Marinha Nacional da Colômbia apreendeu um semissubmergível no Pacífico colombiano. O artefato, com capacidade para transportar duas toneladas de cocaína, media quase 14 metros de comprimento e 3 m de largura e estava camuflado em um córrego.



Durante uma operação de registro fluvial no município de Tumaco, no estado de Nariño, tropas da Força-Tarefa contra o Narcotráfico Poseidón da Marinha Nacional da Colômbia acharam um acampamento composto por quatro estruturas de madeira com capacidade para alojar até 20 pessoas e duas oficinas artesanais com material de construção de semissubmergíveis. Ao encontrar o acampamento, as tropas aprofundaram a busca e encontraram o semissubmergível.



“Fomos alertados sobre a atividade de narcotraficantes em Majagual [zona em Tumaco], um corredor muito importante para a saída da droga. Começamos a busca por qualquer irregularidade e encontramos sinais de presença humana, o que é estranho nessa zona de selva, e havia também um forte cheiro de fibra de vidro”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Carlos Serrano, comandante da Força-Tarefa contra o Narcotráfico Poseidón. “Encontramos o semissubmergível completamente construído, faltando apenas a instalação dos motores de popa.”



Os narcotraficantes investem até mais de US$ 1 milhão para a fabricação de um semissubmergível. Com esse confisco, a Marinha soma 101 embarcações desse tipo apreendidas nos últimos 20 anos de luta contra o narcotráfico. O primeiro semissubmergível foi encontrado em 1997 na ilha de Providencia no Caribe colombiano.



Pacífico colombiano



O meio marítimo continua sendo o mais utilizado pelos narcotraficantes para o transporte de drogas. O Pacífico colombiano é uma zona complexa com um litoral de quase 1.500 quilômetros que se estende por quatro estados: Chocó, Valle del Cauca, Cauca e Nariño. A região é de selva e de difícil acesso e assim os traficantes se movem por diversos rios e córregos que constituem as maiores vias de comunicação na zona.



Além disso, a pesca é uma atividade dominante nessa região de baixo desenvolvimento. Os pescadores artesanais utilizam os mesmos materiais que os exigidos para a construção de semissubmergíveis. Por isso, segundo o Vice-Almirante Luis Hernán Espejo, comandante da Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional da Colômbia, as operações de interceptação de semissubmergíveis envolvem controle institucional do território, patrulhamentos permanentes, inteligência adquirida com fontes locais e imagens aeromarítimas.



Segundo as autoridades, o semissubmergível geralmente é construído a partir de uma lancha pesqueira selada com madeira e fibra de vidro para poder submergir logo abaixo da água com o peso da droga e três ou quatro tripulantes. Leva-se entre cinco e 12 meses para construí-las.



“A construção de um semissubmergível desse tipo em si não é complicada”, explicou o C Alte Serrano. “Não se exigem maiores conhecimentos de engenharia, exceto experiência no mar, porque, embora o artefato deva reunir condições de flutuabilidade, não tem planos de elevação, tanques de lastro, sistemas de navegação inercial nem outro desenvolvimento de engenharia naval.”



Momento propício



Geralmente, os semissubmergíveis partem de Nariño e viajam 1.500 milhas náuticas até o istmo de Tehuantepec, no México, passando por desvios para reabastecer. Com uma velocidade de 6 a 10 nós, a embarcação faz o percurso em quatro a cinco dias.



“É possível evidenciar a existência de um estaleiro ilegal porque normalmente estão nos córregos, à espera do melhor tempo para empreender a travessia até a América do Norte”, disse o V Alte Espejo. “Para navegar com esse tipo de embarcação pelo Oceano Pacífico é necessário fazê-lo com a maré alta. Os narcotraficantes planejam a construção desses artefatos considerando o comportamento das marés para ter um nível alto de confidencialidade.”



Ao longo dos anos, foram apreendidos artefatos desde 5 até 24 m de comprimento com motor central e capacidade de transporte entre 4 e 8 toneladas de droga. “[As embarcações maiores] são embarcações com autonomia muito boa que podem fazer o trajeto sem reabastecer porque têm maior capacidade de armazenamento de combustível”, disse o V Alte Espejo. “Porém, são mais suscetíveis de serem detectadas porque geram maior perturbação da superfície.”



Golpe financeiro



Segundo a Força Naval do Pacífico, um quilo de cocaína tem um valor estimado de US$ 1.700 no Pacífico colombiano ou US$ 33.000 no mercado internacional. “A construção de um semissubmergível custa entre US$1 milhão e US$ 1,5 milhão”, explicou o C Alte Serrano. “Ainda assim, são descartáveis porque as receitas do negócio são suficientes para voltar a construir outros novos e evitar o acompanhamento por parte das autoridades nacionais e internacionais.”



Em 2017, a Marinha Nacional apreendeu quatro semissubmergíveis no Pacífico colombiano, dois a menos que em 2016. “Em 2017, vimos menos semissubmergíveis do que em outros anos; acreditamos que é consequência de um refinamento da inteligência”, disse o V Alte Espejo. “Procuramos apreender esses artefatos bem no estágio de término da construção, assim o esforço e investimento para os narcotraficantes é maior e cada vez se torna uma opção menos rentável.” Concluiu
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