Colômbia entrega municípios livres de minas antipessoal

Colombia Declares Municipalities Free of Anti-personnel Mines

Por Myriam Ortega/Diálogo
maio 22, 2018

O Exército Nacional da Colômbia entregou outros 37 municípios livres de suspeita de minas. A entrega foi feita no dia 4 de abril, data assinalada pela Organização das Nações Unidas como dia internacional para a sensibilização contra as minas antipessoal.

“Hoje damos um salto sem precedentes na tarefa de remoção de minas na Colômbia”, assinalou o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, em Puerto Inírida, no sudeste do país, na entrega oficial dos municípios. “Completamos 33 por cento do total em relação à linha básica definida no plano estratégico 2016-2021, onde foram identificados 673 municípios com alguma contaminação.”

A Brigada de Engenheiros de Remoção Humanitária de Minas Nº 1 do Exército liberou 43.415 quilômetros quadrados de território de minas antipessoal. A tarefa envolveu 4.930 pessoas certificadas, 3.061 removedores de minas, 36 elementos monitores, 165 supervisores e 948 líderes, entre outros, informou a brigada em um comunicado.

“Os resultados obtidos fizeram com que a Colômbia deixe de ser o segundo país com mais vítimas de minas antipessoal no mundo para ocupar o décimo lugar”, disse à Diálogo o Coronel do Exército Nacional da Colômbia Giovanni Rodríguez, comandante da Brigada de Remoção Humanitária de Minas Nº 1. “Com a entrega desses municípios começamos a ver que o Estado está cumprindo o compromisso que assumiu em nível internacional e que as vítimas diminuem muito em relação aos antecedentes que tínhamos.”

Convenção de Ottawa

Em 1997, quando assinou a Convenção de Ottawa, a Colômbia se comprometeu a não usar, fabricar ou transportar minas antipessoal. O acordo, que foi ratificado no ano 2000, possibilitou que a Colômbia estabelecesse suas metas para liberar o país de suspeita de contaminação por minas. “Foi complexo na primeira década, porque havia o conflito armado”, disse o Cel Rodríguez.

A tarefa começou em 2004 com um pelotão; em 2006 já era uma companhia, e em 2009 criou-se o Batalhão de Remoção de Minas Nº 60 Coronel Gabino Gutiérrez (BIDES, em espanhol). “Esse BIDES trabalhou de 2009 a 2016 e, quando ocorreu a assinatura do acordo de paz, um dos compromissos que foram acertados foi o de dar maior celeridade ao tema da remoção humanitária de minas”, assinalou o Cel Rodríguez.

A meta da Colômbia é a de tornar-se livre da suspeita de contaminação por minas até o ano 2021, limpando os 51 milhões de metros quadrados de território. “Em 2017 entregamos 13 municípios e em 2018 já completamos [em abril] 37 municípios”, destacou o Cel Rodríguez. “Esperamos entregar uma quantidade semelhante no trimestre seguinte. A nossa meta é a de ter 119 municípios livres de suspeita de contaminação de minas em dezembro [de 2018].”

Os municípios entregues estão localizados em 14 estados. A entrega mais recente foi feita no dia 19 de abril no município de Granada, no leste de Antioquia. Os soldados de remoção de minas do Exército dedicaram oito anos para limpar os 485.000 metros quadrados do território municipal.

“Nesses oito anos foram destruídos 190 artefatos explosivos”, assinalou o Cel Rodríguez. “A remoção manual de minas é importante porque permite identificar que efetivamente havia uma alta contaminação, resultado que beneficia em especial os 9.800 habitantes de Granada.”

Trabalho de campo

Em cada município se faz a primeira abordagem com as autoridades civis e com as redes de vítimas, que são as que possuem as estatísticas de pessoas afetadas por minas antipessoal. “Realmente, o apoio da comunidade é o mais importante que temos; a missão é a de libertá-los da ameaça que as minas antipessoal representam”, disse à Diálogo a 2º Tenente do Exército Nacional da Colômbia Laura Melisa Martínez García, responsável pelo Estudo não Técnico e Vínculos Comunitários da Brigada de Engenheiros de Remoção Humanitária de Minas Nº 1. “Realizamos reuniões comunitárias para lhes explicar todo o processo de remoção de minas, para que eles nos digam onde há contaminação.”

Com essas informações, o removedor de minas trabalha durante oito horas por dia em terrenos perigosos. “Não se sabe em qual momento [o removedor de minas] poderá ativar o artefato. Com muito profissionalismo e cuidado começa a verificar centímetro por centímetro a terra onde encontra os [dispositivos]”, indicou a 2º Ten Martínez.

Depois, os territórios livres de minas recebem programas do Estado como o de restituição de terras para os desalojados pela violência e outros projetos de produção. “Nossa missão é a de salvar vidas”, concluiu a 2º Ten Martínez. “Para nós o mais importante é que a comunidade se sinta segura pelo trabalho que fizemos e que obviamente nosso país volte a florescer.”
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