Colômbia prende indivíduo procurado pelos Estados Unidos

Colombia Captures US Wanted Individual

Por Myriam Ortega/Diálogo
novembro 12, 2018

No final de setembro, a Marinha Nacional da Colômbia e o Corpo Técnico de Investigações (CTI) da Procuradoria Geral da Nação desferiram um golpe estratégico combinado contra as organizações criminosas transnacionais. A operação resultou na captura de um indivíduo com capacidades técnicas elevadas no estado de Valle del Cauca. Segundo um comunicado da Marinha da Colômbia, Hubert Palacios Caicedo, conhecido como Hubert ou Hoover, de nacionalidade colombiana, é acusado de construir semissubmersíveis no sudoeste do país.

O indivíduo de 60 anos é também requisitado pelo governo dos EUA com fins de extradição por tráfico, fabricação e posse de drogas. A Corte Distrital dos EUA para o Distrito Leste do Texas emitiu a ordem de prisão no dia 18 de abril de 2018.

“A prisão desse indivíduo é muito importante”, disse o Capitão de Mar e Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Nacional da Colômbia Oswaldo Solano, comandante da Brigada de Fuzileiros Navais Nº 2. “Ao que parece, ele era encarregado da fabricação de artefatos semissubmersíveis e lanchas de baixo perfil para transportar narcóticos da costa do Pacífico colombiano até a América Central.”

Captura eficaz

Meses de investigação com o apoio da inteligência dos EUA resultaram em informações de que o indivíduo conhecido como Hubert se dedicava a construir semissubmersíveis e lanchas de baixo perfil no estado de Nariño, bem como no país fronteiriço do Equador. As autoridades o vigiaram de perto e planejaram uma operação para pôr em prática quando ele estivesse em Cáli, no estado de Valle del Cauca.

“Eu enviei um grupo especial de acordo com uma informação que estávamos compartilhando com a equipe regional de inteligência do Pacífico”, disse à Diálogo o Capitão de Corveta do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Nacional da Colômbia Danny García Cardona, comandante do Grupo de Ação Unificada para a Liberdade Pessoal (GAULA) Buenaventura. “A captura ocorreu no bairro pan-americano de Cáli. Quando chegaram lá [as unidades do GAULA], entraram em contato com os membros do CTI, bem como da inteligência da Marinha, que conheciam sua localização e o esperavam para prendê-lo.”

Segundo o CC García, tropas do GAULA Buenaventura, formado por unidades militares e policiais destacadas em Cáli, realizaram a operação com sucesso às 8h30. Hubert foi preso sem resistência em via pública.

“Ele estava normal, não tinha guarda-costas, estava tranquilo”, comentou o CC García. “Ele parecia realmente despreocupado.”

Após a detenção, o indivíduo conhecido como Hubert foi posto à disposição das autoridades de Cáli para ser processado e extraditado. De acordo com um comunicado da Embaixada dos EUA na Colômbia, o “programa de extradição [é] muito meticuloso, com uma média de 90 a 100 extradições por ano.”

Duro golpe contra o narcotráfico

As organizações criminosas transnacionais contam com especialistas na fabricação de artefatos para transportar drogas por mar até a América Central e os Estados Unidos. O meio marítimo continua sendo o mais utilizado pelos narcotraficantes para o transporte de drogas. A região de selva e de difícil acesso do Pacífico colombiano, com um litoral de quase 1.500 quilômetros, é um esconderijo seguro para os narcotraficantes.

No entanto, as autoridades colombianas já acertaram duros golpes contra o narcotráfico na região. Segundo a Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional da Colômbia, no decorrer de 2018 já foram apreendidos 19 semissubmersíveis e lanchas modificadas apenas no Pacífico colombiano.

A fabricação de um semissubmersível requer tempo, recursos, experiência no mar e conhecimentos sobre as condições de flutuação, entre outros. Os criminosos investem até US$ 1,5 milhão e um tempo médio de cinco a 12 meses para fabricar cada semissubmersível. Os narcotraficantes, enfatizou a Marinha, valorizam os especialistas com os quais contam.

“Esse é um golpe estratégico porque não é qualquer pessoa que tem capacidade para fabricar essas embarcações”, concluiu o CC García. “Para saber quanto deve medir a lancha, como ela pode flutuar, a quantidade de combustível que necessita e a quantidade de cocaína que pode ser transportada, é preciso que seja alguém que já tenha a experiência suficiente e a perícia necessária, com 100 por cento de certeza. Não pode ser qualquer pessoa, mas sim alguém que entenda muitíssimo disso tudo. Para a Marinha Nacional, é prioritário se focar nisso para combater esse delito [o narcotráfico].”
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