Colômbia: Autoridades combatem comunicações das FARC

Colombia: Authorities Target FARC Communications

Por Dialogo
novembro 12, 2012




BOGOTÁ, Colômbia – Armas e minas terrestres já não bastam: as
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) acrescentaram Facebook,
Twitter e blogs a seu arsenal.
Como as ações do grupo terrorista colombiano
incluem propaganda ideológica, a internet é a melhor e mais barata arma,
observa Alfredo Rangel, diretor da Fundação de Segurança e Democracia da
Colômbia.
“Isso se tornou claramente um aspecto do
conflito interno da Colômbia”, ressalta. “As FARC se adaptaram e estão
usando tecnologias da informação para passar suas mensagens.”
Em setembro, o líder das FARC, Timoleón
Jiménez, conhecido como “Timochenko”, abriu uma conta no Twitter que informa
sua localização: as “Montanhas da Colômbia”. Sua conta tem mais de 7.000
seguidores, enquanto a das FARC tem 15.860.
Quando as FARC sequestraram o jornalista
francês Roméo Langlois, no fim de abril, o grupo terrorista usou
o Twitter para divulgar informações sobre sua saúde e subsequente
libertação.
As FARC também usaram o Twitter para fornecer
detalhes sobre a libertação de dez policiais e reféns militares, que ocorreu
no início de abril.
“O Twitter se transformou em um meio para
anunciar a libertação de prisioneiros. O site deles evoca a memória de seus
‘heróis’ caídos e as FARC publicam constantemente mensagens sobre liberar a
Colômbia da [suposta] opressão que enfrenta atualmente”, destaca
Rangel.
O governo colombiano investirá cerca de US$
2,8 milhões (R$ 5,6 milhões) em tecnologia em 2013 para identificar a origem
das comunicações digitais do grupo guerrilheiro, em um esforço para combater
as atividades online das FARC.
“O importante é que o governo entende que a
capacidade das FARC de se adaptar nesta área exige que as autoridades
combatam o terrorismo também na mídia”, afirma Jhoan Guevara, especialista
em ciências políticas e comunicações da Universidade Javeriana de
Bogotá.
Embora as FARC e o
governo colombiano estejam engajados em conversações de paz, o
presidente Juan Manuel Santos deixou claro que não suspenderá as operações
militares contra o grupo terrorista, pois o combate às FARC tem sido sua
prioridade desde que assumiu o governo, em 2010.
“As FARC estão em desvantagem numérica e
tecnológica”, disse Santos recentemente. “De uma forma ou de outra, esses
grupos terroristas vão desaparecer. Preferiríamos que depusessem suas armas
e se rendessem, mas, se querem continuar lutando, continuaremos melhorando
nossa infraestrutura. Agregaremos mais policiais e compraremos tudo o que
precisarmos para combater as FARC de todos os ângulos possíveis.”

Interceptações importantes

Ao monitorar as comunicações das FARC, o
governo desferiu golpes importantes contra o grupo terrorista. Por exemplo,
o comandante das FARC Raúl Reyes morreu em uma operação militar em 2008 que
começou com as forças de segurança rastreando seu telefone via satélite para
descobrir sua localização exata.
Comunicações interceptadas também revelaram os
planos
das FARC de assassinar Santos, em agosto.

“Na guerra contra o terrorismo, precisamos
cobrir todos os ângulos e, por isso, temos pessoas trabalhando dia e noite
para monitorar as comunicações das FARC, analisá-las e atacar os pontos
fracos”, disse Sergio Jaramillo, conselheiro de segurança nacional e um dos
criadores da Direção Nacional de Inteligência (DNI), instituição encarregada
de travar a batalha digital contra as FARC.
Diana Carolina Montoya, cientista política da
Universidade de Rosario, afirma que as FARC estão perdendo as batalhas
armada e ideológica.
“Quando você lê os artigos de guerra
publicados no site das FARC, o que desagrada a opinião pública é que sugerem
que os ataques e perseguições são contra as forças militares da Colômbia.
Mas, em nenhum momento, as FARC mostram remorso pelas ações tomadas contra a
sociedade civil”, observa. “Para as FARC, o conceito de danos colaterais não
existe. As FARC usam esses canais de comunicação exclusivamente para atender
às suas necessidades.”

Destruição de rádios clandestinas

As FARC tradicionalmente usam estações de
rádio clandestinas para transmitir sua mensagem às áreas rurais da
Colômbia.
“Acreditamos que há pelo menos uma estação de
rádio em cada região do país. Nas regiões caribenha, do Pacífico, amazônica,
andina e do Orinoco, as FARC contam com pelo menos uma estação para alcançar
especificamente essas regiões”, diz Ariel Ávila, pesquisador da Corporación
Nuevo Arco Iris, ONG que analisa conflitos entre o Estado e o grupo
terrorista.
As forças de segurança da Colômbia
desmantelam regularmente estações de rádio clandestinas das FARC.
Em 25 de agosto, soldados do Exército
colombiano invadiram uma estação de rádio das FARC na área rural de
Cubarral, no departamento de Meta.
Durante a operação, as tropas confiscaram
reguladores de tensão, um console, baterias de longa duração, cabos de
comunicação, um scanner e outro equipamento usado para transmitir sinais de
rádio.
A estação cobria municípios que incluíam La
Uribe, La Macarena, Vista Hermosa, Granada, San José del Guaviare e
Mapiripán, no departamento de Meta, além da região de Sumapaz, no
departamento de Cundinamarca, segundo a 13ª Brigada do Exército.
O Exército anunciou em novembro de 2011 a
desativação da “Voz da Resistência”, uma estação de rádio
de Cubarral que as FARC operavam na região há mais de 15 anos,
principalmente para doutrinação política e para elevar o ânimo dos
guerrilheiros.
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