Forças Armadas da Colômbia continuarão na luta contra o narcotráfico

Colombia: Armed Forces Will Continue Fight against Drug Trafficking

Por Dialogo
maio 06, 2016




Em 2 de abril, a Marinha da Colômbia anunciou que havia apreendido mais de uma tonelada de cocaína e um submersível em operações realizadas na costa do Pacífico do país. Os investigadores disseram que a cocaína apreendida estava sendo transportada para a América Central a bordo de um “narcossubmarino”. Estima-se que o valor da droga chegaria a US$ 32 milhões, caso houvesse sido vendida no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos.

Para discutir o problema das drogas que as autoridades colombianas estão enfrentando, Diálogo
conversou com o General de Exército Juan Pablo Rodríguez Barragán, Comandante das Forças Armadas da Colômbia, durante a Conferência Centro-Americana de Segurança (CENTSEC), realizada em San José, Costa Rica, de 6 a 8 de abril.

Diálogo:
Durante sua apresentação na CENTSEC, o General Francisco Álvarez, de Honduras, fez um agradecimento especial à Colômbia. Por quê?

General Juan Pablo Rodríguez Barragán:
A Colômbia é um país que vem participando ativamente na luta contra o crime transnacional e, especificamente, na luta contra o narcotráfico. Nós desenvolvemos coordenações muito eficazes e mantemos coordenação direta com a América Central, com os países da América do Sul e os Estados Unidos. E, nessa luta contra o narcotráfico, o que a Colômbia tem feito, realmente, é colaborar com nossa experiência, compartilhar as lições aprendidas, e também colocando à disposição toda a tecnologia e o equipamento que temos disponíveis para a comunidade do Hemisfério Ocidental, incluindo a América Central, América do Sul e a América do Norte, para combater esse flagelo do narcotráfico. Quero elogiar todos os membros das Forças Armadas da Colômbia e da nossa Polícia Nacional, porque, no ano passado, foram apreendidas mais de 240 toneladas de cocaína. Isso foi, sem dúvida, uma apreensão recorde. E isso significa, evidentemente, que a estratégia desenvolvida pelas Forças Armadas da Colômbia, em coordenação com a Polícia Nacional, obviamente, com o apoio do Comando Sul dos EUA, é uma estratégia muito eficaz. O que temos feito com os países da América Central e América do Sul, é ajudar por meio da troca de experiências e com treinamento durante os últimos dois anos. Entre os anos de 2014 e 2015, nós treinamos mais de 24.000 homens das diferentes forças armadas na América Central e América do Sul que estiveram na Colômbia para receber esse treinamento que permite que sejam muito mais eficazes na luta contra o narcotráfico. O treinamento também transmite as estratégias que tiveram êxito na luta contra o tráfico de drogas. Nesse sentido, agradeço aos países da América Central por reconhecerem o trabalho da Colômbia, de suas Forças Armadas, da Polícia Nacional, e que, sem dúvida, nos compromete para que sigamos em frente, apoiando e lutando sem cessar para neutralizar o flagelo do narcotráfico, que causa tantos danos à humanidade.

Diálogo:
Vários países estão adotando o modelo colombiano utilizando o trabalho conjunto das Forças Armadas com a Polícia. Agora, com o Acordo de Paz, as Forças Armadas colombianas vão deixar de exercer essa função de polícia? O que o senhor pode nos dizer sobre isso?

Gen. Rodríguez:
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que o modelo colombiano tem sido um modelo de sucesso. É um modelo que, felizmente, tornou possível a derrota da ameaça terrorista contra o Estado colombiano e a recuperação de grande parte da segurança, da proteção a todos os colombianos. A recuperação do Estado de Direito que é tão importante para manter o sistema democrático em uma sociedade. Esse modelo tem sido um modelo de trabalho conjunto entre as Forças Armadas, um esforço conjunto e coordenado muito bem realizado com a nossa Polícia Nacional, porque nossa Polícia Nacional tem contato direto com as Forças Armadas. Todas as atividades são coordenadas. E [também é] um trabalho interagências, entre as demais instituições do Estado, entre elas e o Ministério Público, para que todas as questões de processos criminais, que são tão importantes na problemática do narcotráfico, possam fluir sem nenhum inconveniente. Então, penso que esse modelo deve ser mantido por enquanto, porque o que vamos fazer é assinar um acordo para o fim do conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que foi o grupo terrorista que mais danos causou a este país e que, graças à ação das Forças Armadas e à ação dos nossos policiais, foi militarmente derrotado, a quem o governo nacional concedeu, do ponto de vista político, em hora oportuna, uma oportunidade por meio da negociação que está acontecendo em Havana, para que se desmobilizem, para que entreguem suas armas e passem da ilegalidade para a legalidade, voltando a ser cidadãos de bem. Neste sentido, nós, como soldados, sempre apoiamos essa decisão do governo nacional. Não fomos nem seremos um obstáculo para a paz. Pelo contrário, todos os dias nossos militares e policiais constroem a paz na Colômbia. Em virtude disso, voltando à pergunta que você me fez, o modelo que temos é um modelo muito bem sucedido que deve ser mantido porque, como já expliquei anteriormente, vamos assinar o fim do conflito entre as FARC e o Estado colombiano.

Diálogo:
E isso significa que a paz foi construída?

Gen. Rodríguez:
Não. Isso não significa imediatamente que a paz foi construída. Não, ainda existem algumas armadilhas para a paz, existem algumas metas e objetivos em que a segurança representa um papel primordial. No momento, temos de manter o mesmo nível de força das nossas Forças Armadas, temos de manter a mesma coordenação estreita que temos tido com a Polícia Nacional, a assistência militar que sempre demos à Polícia Nacional e essa coordenação que nos permitiu o êxito. Assim que tivermos construído a paz estável e duradoura esperada por todos os colombianos, que eu creio que vai demorar mais de uma década no mínimo, então poderemos ver e analisar qual outro modelo poderemos implementar. Mas, por enquanto, esse modelo tem tido sucesso.

Diálogo:
E será permanente?

Gen. Rodríguez:
Bom, isso requer a permanência do modelo, considerando que ainda nos restam algumas armadilhas, embora já exista segurança em relação a alguns agentes geradores de violência que o Estado colombiano precisa combater com todo o peso da força e, logicamente, respeitando os direitos humanos e o direito internacional humanitário para recuperar a segurança, para fortalecer o Estado de Direito. Nessa luta contra os agentes geradores de violência, é muito importante manter a coordenação estreita que temos mantido até agora com a Polícia Nacional, manter o modelo que tem tido sucesso até agora. Ainda nos restam algumas armadilhas em relação às quais nós estamos atuando, alguns fenômenos criminais como extorsão, narcotráfico, mineração ilegal, contrabando, o tráfico de armas, de explosivos e munições. É justamente aí que temos de manter esse modelo conjunto das Forças Armadas em coordenação com nossa Polícia Nacional e com outros órgãos do Estado para que, dentro de uma solução integral, possamos consolidar a paz estável e duradoura.

Diálogo:
Quando o senhor cita as FARC, está incluindo também o Exército de Libertação Nacional (ELN)?

Gen. Rodríguez:
Sim, evidentemente, neste momento o governo já anunciou oficialmente o processo de negociação com o ELN. Nós acreditamos ser algo muito importante na consolidação da paz estável e duradoura. Trata-se de uma oportunidade que o ELN deve aproveitar e que o governo nacional ofereceu com o propósito de alcançar esse objetivo tão importante para todos os colombianos. Consequentemente, esperamos que essas negociações tenham um final feliz, tenham sucesso, e que finalmente possamos estabelecer o término do conflito armado, não apenas com as FARC, mas também com o ELN, e começar a construir uma paz estável e duradoura, que é o desejo de todos os colombianos.

Diálogo:
Anteriormente, o vice-ministro da Segurança Pública do Panamá, Rogelio Donadío, nos disse que uma das preocupações do Panamá é que as FARC, que estão sendo suprimidas na Colômbia, avancem para o seu território. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Gen. Rodríguez:
Temos uma coordenação excelente com a República do Panamá, um excelente intercâmbio, e por razões óbvias, de fraternidade, temos dado a eles nossa colaboração nesse assunto. Não apenas do ponto de vista militar, mas também policial. Realizamos um trabalho conjunto na fronteira com o Panamá, onde temos bases conjuntas com a presença da Força Pública colombiana e da Força Pública panamenha, justamente para neutralizar todos os flagelos, como o narcotráfico e a presença de agentes geradores de violência na região. Estes são, em alguns casos, materializados pelas quadrilhas e, evidentemente, na zona de fronteira com o Panamá, onde os grupos integrantes das FARC estavam presentes no passado. Trata-se de um setor afetado pela atividade do narcotráfico. Realizamos um excelente trabalho conjunto nesse local e vamos apoiá-los para que, sem dúvida, possamos neutralizar qualquer pretensão de agentes geradores de violência, não apenas no território colombiano, mas também no território panamenho, ainda mais com a estreita colaboração que temos e a coordenação com as polícias de ambos os países e interagências, porque acreditamos que estaremos prontos para responder a qualquer ameaça que possa aparecer na região fronteiriça.
todo este tema é muito importante Façam o que você tem a fazer rapidamente porque o que aconteceu na Venezuela vai acontecer aqui, com as gangues e criminosos, líderes nas prisões que mantêm a população aterrorizada e à mercê deles e estão acima da capacidade de resposta do governo ... viver na Venezuela está terrível .
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