Colômbia e agências internacionais de segurança juntas contra o narcotráfico

Colombia and International Security Agencies Work Together on Drug Trafficking

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
julho 11, 2017

Representantes da Marinha da Colômbia, da Força-Tarefa Conjunta Interagências Sul (JIATF Sul, por sua sigla em inglês), da Agência Federal Antinarcóticos dos EUA (DEA, por sua sigla em inglês), do Serviço de Aduanas e Proteção de Fronteiras dos EUA e da Aduana francesa realizaram o segundo Intercâmbio Interagências de Experiências e Propostas sobre Narcotráfico Marítimo. O encontro organizado pelo Centro Internacional Marítimo de Análise Contra o Narcotráfico, em suas instalações em Cartagena, Colômbia, convocou 90 participantes, entre os quais se destacou o pessoal das diferentes forças e unidades da Marinha colombiana, como a Força Naval do Caribe, a Força-Tarefa Contra o Narcotráfico N.º 73 e as estações de Guarda Costeira. A aduana marítima da Alemanha participou como observadora. “O narcotráfico é um assunto prioritário para a América do Sul, a América Central e o Caribe, devido aos altos índices de violência criminal, produto do dinamismo das atividades do narcotráfico”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Juan Francisco Herrera Real da Marinha Nacional da Colômbia, comandante da Força-Tarefa Contra o Narcotráfico Netuno N.º 73. O evento proporcionou espaços de intercâmbio de informações e experiências para promover a cooperação e a abordagem institucional e interagências na luta contra o tráfico ilegal de drogas, principalmente por via marítima. Os participantes assistiram a uma série de apresentações referentes a temas de segurança que são comuns para os países associados. Com a ajuda do norte “A JIATF Sul [nos] forneceu informações que mostram uma drástica redução de rotas do Caribe colombiano até o mês de maio”, disse o C Alte Herrera. Com o fornecimento dessas informações, acrescentou o C Alte Herrera, as autoridades colombianas puderam analisar a eficácia de seus esforços na neutralização da saída da droga desse país para o estrangeiro. “A grande conclusão é que não, pois a droga continua saindo”, disse. A JIATF Sul ajuda a combater o tráfico ilícito de drogas por mar e por terra para diferentes países do mundo, entre eles Brasil, Colômbia, El Salvador, Espanha, França, México, Peru e o Reino Unido. Esse grupo de trabalho é composto por militares e órgãos de inteligência e segurança e está sob a coordenação do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM). “O meio mais utilizado para transportar droga para os mercados internacionais é o marítimo. Se quisermos efetividade e resultados positivos, precisamos trabalhar esse tema complexo internacionalmente”, comentou o C Alte Herrera. Brasil, Costa Rica, Equador, Panamá, Peru, México e República Dominicana também são pontos de partida das drogas com destino aos Estados Unidos e à Europa. De acordo com a autoridade naval colombiana, o país aumentou suas plantações de coca de 70.000 hectares em 2015 para mais de 100.000 hectares em 2016. O governo colombiano estimou que em 2017 as plantações ultrapassarão 175.000 hectares. A soma de novos esforços “A quantidade de droga transportada pelos narcotraficantes para o mercado europeu a partir de portos colombianos foi de quase 30 toneladas de cocaína nos últimos dois anos, segundo as autoridades europeias”, explicou o C Alte Herrera. As delegações participantes concordaram em reforçar as ações de inteligência, o intercâmbio de informações, a investigação criminal, a comunicação contínua e a cooperação com as agências internacionais, portos e zonas marítimas. “Além de fortalecer a segurança nos portos colombianos, europeus e de outros países, as agências internacionais de segurança deveriam compartilhar um pouco mais de informações classificadas em questões de segurança e de defesa”, disse à Diálogo Rubén Sánchez, analista e pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia. A Colômbia analisa sua incorporação ao Programa Global de Controle de Contêineres, desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes e a Organização Mundial de Aduanas, que busca reduzir a utilização de contêineres marítimos para as atividades ilícitas. “Como o narcotráfico é uma ameaça internacional, os esforços e as estratégias das autoridades colombianas contra esse flagelo e outras ameaças se fortaleceram devido ao intercâmbio de informações, capacitação e treinamento proporcionados pelo SOUTHCOM, pela Comunidade de Polícias da América e por outras agências internacionais de inteligência”, comentou Sánchez. “Essa cooperação modificou as atividades dos narcotraficantes. Agora eles se movimentam mais na região centro-americana.” Os participantes se comprometeram a continuar o trabalho com os temas propostos e a fortalecer as associações e as estratégias comuns em relação aos problemas de segurança. Entre eles, o C Alte Herrera disse que “nos próximos meses teremos mais resultados que beneficiarão a Colômbia e a região. Na medida em que se compartilham mais informações, somam-se novos esforços e obtêm-se melhores resultados”, finalizou.
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