China aumenta rastro de contaminação

China aumenta rastro de contaminação

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 17, 2021

Ao invés de cumprir sua “promessa verde” feita no dia 22 de setembro de 2020 perante a Organização das Nações Unidas de se tornar uma economia com zero emissões, a China aumenta seu nível de contaminação.

A Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC) se prepara para reativar as operações na Venezuela, assim que o regime de Nicolás Maduro finalizar a legislação energética que outorgará a seus parceiros internacionais mais controle sobre as operações, informou a Bloomberg, no dia 2 de setembro de 2021.

De acordo com a Bloomberg, a petrolífera chinesa envia engenheiros e representantes comerciais para examinar as empresas locais e trabalhar em uma instalação que opera com a Petróleos de Venezuela S.A., para alavancar a produção de petróleo bruto em outras cinco empresas na zona petrolífera de Orinoco.

“Dizer que a Corporação Nacional de Petróleo da China estará de novo na Venezuela é uma importante decisão. Ela reativará todo o processo de coordenação com a China para explorar o petróleo bruto venezuelano”, disse o deputado venezuelano Ángel Rodríguez, presidente da Comissão de Energia e Petróleo da Assembleia Nacional, informou o jornal costarriquenho El País, no dia 10 de setembro.

A CNCP é a empresa matriz de propriedade estatal da PetroChina e, devido a seus rendimentos, é a maior empresa de petróleo e gás do planeta, informou no dia 2 de abril o portal World Energy Trade. A PetroChina é uma das 20 empresas de combustíveis fósseis responsáveis por 35 por cento das emissões contaminantes de metano e dióxido de carbono no mundo, segundo o jornal britânico The Guardian.

“A China realiza pelo menos nove projetos para acrescentar nova capacidade de refino ou construir novas refinarias nos próximos cinco anos”, enquanto na Europa e nos Estados Unidos a tendência aponta para o fechamento das plantas ou a transformação dos complexos para a produção petroquímica e de biocombustíveis, informou a revista mexicana Expansión.

Resgatistas trabalham no local de um acidente em uma mina de carvão na municipalidade autônoma tibetana de Haibei, província de Qinghai, no noroeste da China, no dia 16 de agosto de 2021. (Foto: Xinhua/Wu Gang/AFP)

O êxodo

A Bloomberg garante que a Venezuela, com as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, experimentou uma queda em sua produção quando seus parceiros internacionais se afastaram; a produção atual de 500.000 barris diários é uma sexta parte da produção máxima em 2008.

Devido a esse êxodo, Maduro lançou uma lei energética para atrair mais capital estrangeiro, o que está cada vez mais difícil com as novas considerações sobre a redução das emissões de metano que chegaram ao topo das agendas das empresas petrolíferas mundiais, informou o portal britânico de notícias sobre energia Oil Price, no dia 2 de setembro de 2021.

“Os projetos respaldados pela China em vários continentes deslocaram populações locais, pioraram a qualidade da água, contaminaram as terras adjacentes e arruinaram os ecossistemas frágeis”, disse o portal do Departamento de Estado dos EUA ShareAmerica.

Mais carvão e contaminação

A China não é apenas o principal emissor mundial de dióxido de carbono (CO2) e o maior consumidor de carvão do mundo, mas também prioriza o crescimento econômico em vez da redução de emissões, apesar de ter se comprometido em 2019 a alcançar a neutralidade em carvão antes de 2060, segundo a revista norte-americana Time.

No primeiro semestre de 2021, Pequim anunciou planos para construir 43 centrais elétricas de carvão e 18 altos fornos no país. Se forem construídas, emitirão cerca de 150 milhões de toneladas de CO2 por ano, alertou o relatório Empresas de energia e aço da China continuam investindo em carvão, da organização norte-americana Global Energy Monitor e do Centro de Pesquisas sobre Energia e Ar Limpo, com sede em Helsinki.

No entanto, a China argumenta que tem direito a liberar CO2 para desenvolver sua economia, informou a BBC, no dia 9 de agosto. “Longe de fechar as centrais elétricas de carvão, o governo chinês atualmente está construindo novas plantas em mais de 60 pontos em todo o país. O país também financiou centrais elétricas de carvão fora da China, através de sua iniciativa do Novo Cinturão da Seda”, acrescentou.

Atuar com decisão

Enquanto isso, a Venezuela aumenta suas exportações de petróleo através de transferências entre embarcações, apesar do embargo dos EUA. Em julho de 2021, enviou 28 carregamentos de produtos brutos e refinados, dos quais mais de 80 por cento eram destinados a países asiáticos, incluindo a China, explicou a agência britânica Reuters.

A Bloomberg acrescentou que é provável que a produção da CNPC em território venezuelano seja exportada para a China para cobrir a dívida da Venezuela com o país asiático que, reestruturada, atinge aproximadamente US$ 19 bilhões.

“Não há tempo para demora ou lugar para desculpas. O planeta está perigosamente perto de atingir o umbral acordado internacionalmente de 1,5ºC de aquecimento global. Devemos atuar com firmeza agora, para evitar uma catástrofe climática”, disse no Twitter o secretário-geral da ONU, António Guterres, no dia 6 de setembro.

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