Marinha Chilena usou tecnologia para proteger civis após terremoto

Chilean Navy Used Technology to Protect Civilians After Earthquake

Por Dialogo
outubro 15, 2015

A união das conferências internacionais de aviação, dos exércitos da América do Sul, a reação das autoridades para trocar informações sobre o que aprenderam na luta contra as organizações e grupos terroristas, transmitem confiança aos cidadãos ou pessoas mais afetadas. Deus os ajude nestes tempos difíceis.



Graças em grande parte a seu novo Sistema Nacional de Alarme de Tsunami (SNAM), as Forças Armadas do Chile responderam rapidamente para ajudar os civis após um terremoto de magnitude 8,4 que causou um tsunami que destruiu grande parte do litoral e o interior da IV Região de Coquimbo em 16 de setembro.

O SNAM e a boia de Avaliação do Fundo do Oceano e Relatório de Tsunamis (DART, na sigla em inglês) alertaram as autoridades sobre o desenvolvimento de um desastre natural, permitindo que o Serviço de Hidrografia e Oceanografia Naval (SHOA, na sigla em espanhol) ativasse um alerta de tsunami ao longo de toda a costa utilizando sirenes e mensagens de texto. Tais alertas “ajudaram a garantir que um grande número de pessoas pudessem evacuar”, disse o Contra-Almirante Patricio Carrasco Hellwig, diretor do SHOA à Diálogo.
Autoridades estimam que cerca de 1 milhão de pessoas podem fugir para áreas seguras.

“Muitos sensores foram instalados para nos permitir monitorar o que acontecia ao longo da costa em tempo real; também tínhamos boias, vários programas, softwares e elementos que possuíamos para processar informações. Para tomar decisões, você precisa de boa informação, especificamente informações que sejam rápidas e precisas."


Tecnologia melhorada


A velocidade e precisão desta informação vieram como resultados de melhorias tecnológicas recentemente implantadas pela Marinha Chilena.

Por exemplo, em 2010, foi estabelecida uma sala de operações com especialistas em tsunami, com o apoio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês); a Marinha também instalou dois sistemas de transmissão via satélite, um sistema de transmissão telefônica, dois sistemas de eletricidade e dois sistemas de medição. Todos estes equipamentos possuem reservas no caso de o equipamento original falhar ou apresentar problemas.

Estas melhorias suportam um sistema de monitoramento de 40 SNAM localizados em nível do mar em todo o comprimento do país - inclusive a Antártica e todas as ilhas chilenas - que monitoram o nível do mar usando um aparato a laser especializado para medir as variações na altura da água. O sistema transmite dados através de um Serviço Geral de Pacote de Rádio (GPRS, na sigla em inglês) a cada minuto e por satélite a cada cinco minutos.

Usando tecnologia feita no Chile, autoridades podem também trocar informações com mensagens de texto em uma rede de satélites conectada a 16 departamentos marítimos e 64 autoridades portuárias 24 horas por dia. A Marinha também enviou uma segunda boia DART com um sensor no solo oceânico que transmite informações detalhadas sobre tsunamis enquanto ainda estão longe da costa. As boias, localizadas a 180 milhas a oeste de Iquique e 190 milhas a oeste de Caldera, estão conectadas à rede global de monitoramento de tsunamis.

Aeronáutica, Exército e Marinha ajudam a população civil


No despertar do terremoto e tsunami de 16 de setembro, o governo declarou um Estado de Exceção Constitucional para a região, imediatamente ativando o Centro de Operações de Defesa, uma entidade dirigida pelo Estado-Maior Conjunto e responsável pela coordenação da assistência de diferentes ramos militares. As Forças Armadas designaram o General-de-Brigada Schafik Nazal Lázaro, Comandante-em-Chefe da Segunda Divisão Motorizada do Exército, para coordenar os esforços de assistência humanitária.

Um Boeing 737 da Força Aérea Chilena (FACh, na sigla em espanhol) transportou autoridades do governo para a zona de desastre nas primeiras horas da manhã de 17 de setembro para que pudessem avaliar os danos. Ao mesmo tempo, o Comandante-em-Chefe da Primeira Zona Naval, o Contra-Almirante Arturo Undurraga, que estava a bordo da aeronave da Marinha Orion P-3, voou sobre a região para inspecionar as áreas costeiras afetadas pelo tsunami. A Orion P-3 é equipada com câmera de ata resolução e um sistema de videoconferência que transmite em tempo real, para que as autoridades pudessem alertar a população para maiores danos imediatamente.

Enquanto isso, a Marinha forneceu quatro caminhões de apoio da cidade de Talcahuano, um avião N-407 e um helicóptero N-77; o Exército forneceu três helicópteros PUMA, cinco helicópteros Cougar, caminhões, 11 carros de transporte Mowag, sete tratores traçantes e também compuseram cozinhas de campo; e as FACh entraram com três helicópteros e um avião Hercules para transporte de veículos pesados. Todos os veículos ajudaram as Forças Armadas a entregar 334 t de necessidades básicas consistindo de barris de água, kits de higiene, caixas de comida, lençóis e materiais de construção para os civis em áreas impactadas pelo desastre natural. As tropas também entregaram 5.000 litros de combustível para as máquinas usadas na área.

Forças Armadas responderam em áreas danificadas


Aviso antecipado e ajuda humanitária rápida ajudaram a minimizar os danos do que poderia ser um desastre natural catastrófico. Autoridades registraram mais de 50 situações pós-desastre após o principal terremoto, resultando em 13 mortes e três desaparecidos, segundo o Escritório Nacional de Emergências (ONEMI, na sua sigla em espanhol) do Ministério do Interior. Cerca de 9.000 pessoas foram impactadas pelo terremoto, que danificou seriamente 4.370 casas e destruiu outras 704.

Seu epicentro foi a 46 km a oeste de Canela Baja, uma comunidade da IV Região de Coquimbo, 292 km a norte de Santiago, segundo o Centro Nacional Sismológico (CSN, na sua sigla em espanhol). As áreas costeiras que foram mais severamente castigadas pelo tsunami foram Los Vilos, Higuerilla, La Poza, Tongoy e a IV Região de Coquimbo, onde as ondas atingiram 4,5 metros de altura. Na região costeira de Valparaíso-V Região, as ondas foram de quase dois metros e a água penetrou mais de 700 metros terra adentro, provocando danos generalizados. O terremoto derrubou a eletricidade em Coquimbo, deixando mais de 600.000 moradores sem luz; no entanto, autoridades restauraram a eletricidade em várias regiões em 48 horas após o terremoto e os militares ajudaram a restaurar a ordem.

“Na primeira noite, houve roubos em casas e comércios na área, então a presença dos militares e dos Carabineros nos permitiu focar nas tarefas de limpeza das casas”, disse Julio Varela, 40 anos, jornalista e morador da cidade costeira de Tongoy.

Os Fuzileiros Navais chegaram na madrugada de 19 de setembro a bordo do navio Sargento Aldea e se concentraram na remoção dos destroços e limpeza das ruas. Contingentes de regimentos do Exército trabalham em outras partes de Coquimbo, inclusive 81 membros em serviço das unidades de emergência do Regimento de Colchagua em Monte Patria; 125 do Regimento de Buin em Salamanca; 105 do Regimento Maip em Combarbalá; e 112 do Regimento Chillán na cidade de Illapel.

Enquanto isso, em 19 e 20 de setembro, as FACh realizaram cinco evacuações aéreas para pacientes críticos da cidade de La Serena para Santiago devido a danos estruturais graves no Hospital Regional de San Pablo de Coquimbo. O ministro da Defesa, José Antonio Gómez, visitou a Região de Coquimbo em 20 de setembro para inspecionar o trabalho em terra.

“O trabalho das Forças Armadas nessas épocas é importante para a segurança e para a limpeza da zona de desastre”, disse o ministro aos jornalistas.

Uma semana depois do desastre natural, 2.033 membros em serviço do Exército, Marinha e Aeronáutica ainda trabalhavam na área sob Estado de Emergência Constitucional.

A resposta ao desastre foi elogiada



O Escritório das Nações Unidas para Redução de Risco de Desastres (UNISDR, na sigla em inglês) elogiou a preparação e resposta rápida das autoridades chilenas.

“Os investimentos chilenos em uma infraestrutura resistente, sistemas de aviso antecipado e planejamento urbano garantiram nesse momento que houvessem poucas vítimas, apesar da intensidade do terremoto”, disse Margareta Wahlström, representante especial do secretário-geral do UNISDR.

Estes investimentos vieram em reposta deliberada ao terremoto e tsunami do país em fevereiro de 2010, que matou 525 pessoas e destruiu 370.000 casas.

“Desastres naturais nos ensinaram e melhoraram os processos de reação em operações além das guerras para as pessoas e para a comunidade”, disse o Coronel Pablo Onetto Jara, Comandante do Regimento de Infantaria 21 em Coquimbo.

“O recente terremoto e tsunami na IV Região foi muito menos intenso que os de 27 de fevereiro de 2010, mas nos permitiu aplicar procedimentos que já tinham sido padronizados, praticados e treinados pelas Forças Armadas e pelos governos das regiões e das comunidades. Em cada comunidade e região, há um comitê de operações emergenciais composto de autoridades civis e militares, o que permite a interação e a cooperação."

Julieta Pelcastre colaborou nessa reportagem.





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