Marinha do Chile colabora na Operação Médica Acrux Chiloé 2017

Chilean Navy Collaborates in Acrux Chiloé 2017 Healthcare Operation

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
junho 06, 2017

A Marinha do Chile e a Fundação Acrux, organização chilena sem fins lucrativos que fornece assistência médica em regiões distantes, realizaram uma operação conjunta, de 28 a 30 de abril, em várias comunidades. A equipe de 76 médicos, auxiliados por enfermeiras e técnicos, atendeu quase a metade das pessoas à espera de atendimento na região sul do país. “A iniciativa médico-cirúrgica e de telemedicina reduziu em 47 por cento as listas de espera em Chiloé. Atualmente, existe uma grande desigualdade em saúde; 1,8 milhão de chilenos estão aguardando ser atendidos por um especialista”, comentou à Diálogo o Capítão-de-Corveta da Reserva Naval da Marinha do Chile Roberto Levín, diretor executivo da Fundação Acrux. Os militares transportaram os especialistas de saúde no navio-patrulha PSG-71 Micalvi para as ilhas de Laitec, Mechuque e Maulin, no arquipélago de Chiloé, para dar apoio às pessoas com poucos recursos para obter cuidados médicos. Enquanto isso, outra equipe de especialistas prestou assistência nos centros hospitalares das comunidades de Ancud, Castro e Quellón, também em Chiloé, informou a instituição em um comunicado à imprensa. “Foi uma experiência enriquecedora porque cooperamos com comunidades remotas nas quais atendemos centenas de pessoas”, disse à Diálogo o Capitão-de-Corveta Mario Valenzuela, comandante do PSG-71 Micalvi. O aparato humano, logístico e técnico permitiu realizar mais de 4.000 atendimentos médicos gratuitos, que incluíram consultas, cirurgias e outros procedimentos médicos em diferentes especialidades como cardiologia, endoscopia, oftalmologia, ginecologia, otorrinolaringologia, dermatologia, traumatologia, geriatria e neurologia. Componente imprescindível “Não poderíamos levar adiante essa missão sem a ajuda da Marinha; sua colaboração é vital”, assegurou o CC Levín. A assistência médica também contou com o apoio do Ministério da Saúde, do governo regional de Chiloé, da Universidade de Concepción e de várias empresas privadas. “É uma grande satisfação fazer parte dessas operações médicas e ser a ligação entre as entidades que buscam ajudar a população mais vulnerável da região [de Chiloé], que há tempo espera uma avaliação médica”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Chávez Alvear, diretor de Comunicações da Marinha do Chile. A instituição naval dispõe de pessoal, equipamentos e infraestrutura, além da capacidade e organização para realizar diversas ações de apoio médico. A missão é possível graças a diferentes unidades, como o navio LSDH-91 “Sargento Aldea”, também conhecido como hospital flutuante, que encabeçou o primeiro exercício de ajuda humanitária na região de Arica, no norte do país, em 2015. Nessa ocasião, a Marinha chilena e a Fundação Acrux proporcionaram atendimento médico gratuito a 10.000 pessoas. Colaboraram também na primeira operação médica Acrux 2015, em Chiloé. O esforço de cooperação entre a Marinha e a organização sem fins lucrativos começou em 2005, após a assinatura de um convênio. Desde então, as duas instituições efetuaram 67 operações desse tipo, durante as quais realizaram mais de 76.000 consultas médicas em várias regiões do país. Em 2016, cooperaram em sete missões de assistência médica, que proporcionaram atendimento médico a mais de 10.000 pacientes. “A Fundação Acrux capacita médicos civis na cultura militar para operarem cirurgicamente nos navios”, indicou o CC Levín. De sua parte, a instituição naval realiza diversas ações de apoio médico-odontológico na região. Todo mês, o navio-patrulha PMD-74 Cirujano Videla realiza tarefas médico-odontológicas em Chiloé e nos canais do sul, que chegam até a região de Puerto Edén. “As Forças Armadas, em tempos de paz, devem estar preparadas para ajudar a comunidade civil. Uma amostra disso é o que a Marinha do Chile faz com a fundação”, comentou o CC Valenzuela. “A população se identifica bastante com a Marinha e agradece o apoio oferecido para transportar os médicos navais, ex-oficiais e médicos civis que participam de todas essas atividades”, acrescentou. Um olhar para o futuro Para 2017, as duas instituições têm programado realizar cinco operações médicas: duas na Ilha Robinson Crusoe, uma em Arica, outra na Ilha Mocha e Ilha Santa María e, em dezembro, em Natales, Porvenir e Puerto Williams. A fundação civil planeja também adquirir um navio-hospital com o apoio da Marinha para reforçar a assistência médica que oferece. Além disso, está em desenvolvimento um hospital virtual. Por meio da telemedicina, médicos especialistas poderão atender pacientes de maneira permanente e, assim, contribuir para diminuir ainda mais a lista de espera ambulatorial.
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