As Forças Armadas do Chile apoiam a paz na Colômbia

Chilean Armed Forces Support Peace in Colombia

Por Carolina Contreras/Diálogo
setembro 15, 2016

As Forças Armadas do Chile, com um contingente inicial de quatro efetivos do Exército, quatro da Marinha e três da Força Aérea (FACh), uniram-se como país observador da missão de paz na Colômbia, estabelecida mediante a resolução 2261, aprovada em 25 de janeiro de 2016 pelo Conselho de Defesa da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma missão política especial integrada por observadores internacionais que terão a tarefa de garantir e verificar o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). “É muito importante participar de um processo de paz dessa natureza”, disse o ministro da Defesa do Chile, José Antonio Gómez Urrutia, durante a cerimônia oficial de despedida do grupo de militares no 17 de julho passado. "Estamos colaborando com uma nação irmã para que, finalmente, se possa terminar de maneira pacífica uma situação que, por mais de 50 anos, foi conflituosa", acrescentou. O primeiro grupo de 11 militares chilenos são responsáveis de planejar a mobilização da força internacional e os procedimentos a serem aplicados para a entrega de armas e desmobilização dos guerrilheiros no quartel general da missão em Bogotá. No total, o Chile enviará 75 efetivos militares (50 oficiais e 25 do quadro permanente das três instituições) durante todo o período do processo de paz. No dia 19 de janeiro de 2016, o Governo da Colômbia e as FARC se comprometeram a chegar a um acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura. Nesse contexto, as partes decidiram criar um mecanismo tripartite de monitoramento e verificação do referido acordo conformado pelo governo da Colômbia, representantes das FARC e um componente internacional. A conformação da referida força internacional está nas mãos do Conselho de Segurança da ONU, através de uma missão de paz integrada por observadores internacionais desarmados que se encarregarão de vigiar e verificar o cessar-fogo e fim definitivo das hostilidades bilaterais. Junto com os militares do Chile, a primeira etapa da missão também é integrada por delegados de sete países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos: Argentina, Bolívia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai e Uruguai. Aspectos da missão Os observadores, definidos pela ONU como "especialistas em missão", serão mobilizados de forma gradualpor um período de 12 meses no cumprimento de suas tarefas na Colômbia. Eles não usarão uniformes militares, mas sim um código de vestimenta que os identifique como membros internacionais do mecanismo de supervisão e verificação tripartite. "Eles realizarão tarefas de vigilância, verificação, solução de controvérsias, informes e investigações. Eles trabalharão em estreita colaboração com o pessoal civil da ONU, junto com representantes do governo da Colômbia e das FARC", conforme detalha o informe do Conselho de Segurança da ONU. Assim, por exemplo, o Tenente Coronel Andrés Barros, do Exército do Chile, foi nomeado chefe de Segurança e Ameaças do Quartel-General da ONU em Bogotá. "É um grande desafio, um grande orgulho e, sobretudo, uma grande responsabilidade poder participar dessa missão tão importante", afirmou. Mesmo que os efetivos chilenos não integrem um contingente armado como em outras operações de paz das quais participam as Forças Armadas do Chile, como no caso do Haiti, eles trabalharão igualmente em condições difíceis e desafiadoras, que foram previstas pela ONU e pela Organização Mundial da Saúde, como, por exemplo, no caso do vírus da Zika. Antes de viajar para a missão, o grupo de militares chilenos foi treinado no Centro Conjunto para Operações de Paz do Estado-Maior Conjunto do Chile. Depois da sua chegada na Colômbia, os observadores receberam outra capacitação básica de operações de paz, entre 1º e 6 de setembro passado, na qual foram abordados aspectos do acordo final, metodologia de verificação, aspectos logísticos, de segurança e dos procedimentos operacionais que serão realizados no terreno. Cabe destacar que um grande número dos combatentes das FARC são mulheres, daí a Missão da ONU ter solicitado a participação de observadores femininos. No caso do Chile, a Capitão de Força Aérea Ingrid Melgarejo, é a primeira militar que integra essa missão. História Desde o ano de 2012, quando o Governo da Colômbia e as FARC se comprometeram a iniciar conversações para chegar a um acordo final para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura, na cidade de Havana, em Cuba, o Chile foi um país acompanhante nesse processo para a paz e se comprometeu a apoiar a Colômbia em sua certificação nesse caminho de transição. "Tudo o que eles considerarem que possa ser de utilidade, estamos dispostos a transmitir-lhes através de peritos, de advogados e de especialistas em justiça de transição", disse o ministro de Relações Exteriores do Chile Heraldo Muñoz, depois que o acordo de cessar-fogo foi firmado em 23 de junho de 2016. A missão, conforme consta do site oficial das Nações Unidas, iniciará todas suas atividades após a assinatura oficial do acordo final de paz firmado pelo Governo da Colômbia e pelas FARC, previsto para ser concretizado no próximo dia 26 de setembro. De acordo com o previsto pelo Estado-Maior Conjunto, daqui até o fim do ano o Chile estará em condições de enviar um novo contingente militar de apoio à missão.
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