No início de abril, a Cidade do Panamá serviu de cenário para reuniões de segurança regionais e binacionais, ressaltando o papel estratégico do Panamá para a segurança das Américas. Líderes de defesa e segurança se reuniram, de 8 a 10 de abril, para a Conferência de Segurança da América Central (CENTSEC), um evento patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e organizado em conjunto com o Ministério de Segurança Pública do Panamá.
Ao mesmo tempo, o Panamá e os Estados Unidos, representados pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, ampliaram sua parceria, com o objetivo de proteger o Canal do Panamá e combater os agentes estrangeiros e o crime transnacional.

“A segurança é uma responsabilidade regional, além das fronteiras, doutrinas e idiomas”, disse o ministro da Segurança do Panamá, Frank Ábrego, durante seu discurso de abertura da CENTSEC. “Os desafios já ultrapassam essas fronteiras e os grupos criminosos transnacionais se movem rapidamente, ameaçando nossa infraestrutura crítica, criando campanhas de desinformação, que ameaçam nossas democracias, e isso nos obriga a trabalhar em conjunto para combatê-los.”
O Almirante de Esquadra Alvin Holsey, da Marinha dos EUA, comandante do SOUTHCOM, deu as boas-vindas aos participantes, lembrando-os da importância da colaboração. “A realidade de nossas ameaças atuais é que elas não podem ser enfrentadas por uma única nação. Todos nós devemos assumir o peso. Juntos, reforçaremos nossas parcerias, incrementaremos a cooperação, a coordenação e a interoperabilidade em todo o espectro de conflitos, em todos os domínios”, disse.
A participação de Hegseth na CENTSEC, o primeiro secretário de Defesa a fazê-lo, serviu como prova da importância desse evento e da região. “Vamos aumentar a cooperação para deter as ameaças e aproveitar as oportunidades para reforçar nossa defesa compartilhada. É disso que se trata a CENTSEC Panamá 2025 – amigos que estão lado a lado com amigos.”
A CENTSEC 25 reuniu Belize, Costa Rica, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Panamá e República Dominicana, para discutir esforços combinados para enfrentar desafios comuns. Observadores do Canadá, Colômbia, França, Holanda e México, além de organizações e instituições regionais, como o Centro de Coordenação para a Prevenção de Desastres Naturais na América Central e na República Dominicana (CEPREDENAC), a Junta Interamericana de Defesa (JID), o Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança (WHINSEC) e o Centro William J. Perry de Estudos Hemisféricos de Defesa também participaram do evento.
Ganhando terreno
Antes de se aprofundar nos tópicos deste ano, os participantes da CENTSEC analisaram a edição do ano passado, destacando os avanços na segurança das fronteiras, a luta contra as organizações criminosas transnacionais e a defesa cibernética.
“As nações centro-americanas fizeram progressos significativos na segurança cibernética, embora com diferenças no nível de maturidade, capacidades técnicas e estruturas regulatórias”, disse o General de Brigada Hermelindo Choz Soc, chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala. “A cooperação regional e o apoio de parceiros internacionais têm sido fundamentais para lidar com incidentes e desenvolver capacidades.”
A Costa Rica relatou um progresso contínuo no desenvolvimento de um centro de segurança cibernética, após o ataque de 2022 que paralisou a infraestrutura crítica do governo. O Panamá indicou um fortalecimento de suas comunicações interagências, por meio de sua divisão de inteligência cibernética e do recrutamento de talentos especializados. Honduras destacou os esforços em andamento para a implementação de um centro de monitoramento e controle financeiro, bem como o desenvolvimento de uma estratégia nacional de segurança cibernética. El Salvador anunciou a criação de uma unidade de resposta a incidentes cibernéticos. Por último, a Guatemala apresentou a minuta do manual da Doutrina de Defesa Cibernética do Exército da Guatemala, que está em fase final de revisão.
O valor da colaboração regional

A primeira sessão da CENTSEC começou abordando operações combinadas e a resposta a desastres, destacando que a colaboração e a cooperação entre agências são cruciais para obter resultados eficazes. A delegação salvadorenha compartilhou os resultados de suas operações em alto mar, incluindo a apreensão de narcóticos, a captura de traficantes de pessoas e a interrupção da migração irregular. “A cada grama de cocaína que apreendemos, apoiamos a comunidade internacional e estamos salvando vidas”, disse o Vice-Almirante Exon Oswaldo Ascencio, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de El Salvador, ao falar sobre seus esforços de combate ao narcotráfico.
Por sua vez, o General de Divisão Carlos Fernández Onofre, ministro da Defesa da República Dominicana, enfatizou o valor da cooperação regional internacional, citando o desabamento do teto de um clube noturno em Santo Domingo, em 8 de abril, como um exemplo de como os acordos pré-existentes facilitaram a resposta rápida nos esforços de resgate da Guarda Nacional de Porto Rico, em conjunto com as brigadas mexicanas.
Depois, com foco na defesa cibernética e na infraestrutura crítica, os participantes estudaram o escopo dos grupos de hackers chineses e russos, destacando a importância de fortalecer a tecnologia das unidades de contrainteligência para desenvolver planos de ação. O chefe de segurança cibernética do Ministério da Segurança do Panamá, Luis Esparza, compartilhou o progresso feito nesse campo.
“Hoje enfrentamos ameaças de grupos avançados e persistentes, muitas vezes atribuídas a ataques de nações inimigas e ativistas com motivação ideológica”, disse ele, antes de abordar as lições aprendidas em ataques a oleodutos e estações de tratamento de água. “Imaginem agora o que poderiam fazer ataques bem direcionados a usinas de energia, por exemplo: eles podem tornar toda a região inoperante, afetando o sistema elétrico, não apenas do Panamá, mas de toda a América Central, chegando até os Estados Unidos.”
A CENTSEC 25 concluiu com um entendimento comum de que a colaboração regional é fundamental para a segurança do hemisfério. “Vamos agir com determinação e precisão, trabalhando lado a lado, para garantir a segurança constante do nosso Hemisfério Ocidental”, disse o Alte Esq Holsey, em seu discurso de encerramento. “Quero agradecer-lhes por seu compromisso e esforço; quero que sigamos em frente e entremos em ação, com e para nossos aliados e parceiros.”
Reconhecimento e fortalecimento dos laços
Após o evento, o Alte Esq Holsey concedeu a condecoração da Legião ao Mérito ao Comissário Jorge Gobea, diretor geral cessante do Serviço Nacional de Fronteiras do Panamá (SENAFRONT), por seus 30 anos de serviço. A prestigiosa condecoração militar é concedida por serviços e realizações excepcionais.
Durante a CENTSEC, o secretário de Defesa Hegseth anunciou uma parceria ampliada entre os Estados Unidos e o Panamá, para proteger o Canal do Panamá e combater “a influência maligna da China”. O ministro da Segurança do Panamá, Ábrego, juntamente com Hegseth, assinaram um memorando de entendimento que estabelece uma estrutura para atividades de segurança cooperativa no Panamá e facilita o treinamento conjunto com as forças de segurança panamenhas.
Durante sua visita de três dias, Hegseth também inaugurou o Pier 3 na Base Naval Vasco Nuñez de Balboa, que foi reformado pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, graças a um apoio de US$ 5 milhões. “Este píer, o Píer 3, representa de forma tangível o compromisso compartilhado dos EUA e do Panamá com a segurança do canal”, disse Hegseth durante a inauguração do píer. “Essas melhorias necessárias na infraestrutura revitalizam essa instalação histórica e fortalecem a segurança marítima, tanto no Canal, quanto no Oceano Pacífico.”
“Estamos orgulhosos de nossa história compartilhada e entusiasmados com nosso futuro compartilhado”, concluiu Hegseth. “O retorno ao serviço hoje do Pier 3 mostra como continuaremos a trabalhar juntos para garantir e preservar esse legado.”



