Começa a CENTSEC 2014 na Guatemala

CENTSEC 2014 Kicks-Off in Guatemala

Por Dialogo
abril 01, 2014




Em 12 de março, durante uma patrulha no Caribe Ocidental, os tripulantes a bordo do navio Cutter Tampa da guarda costeira norte-americana detectaram uma lancha tipo go-fast suspeita movendo-se em alta velocidade em águas internacionais. Uma aeronave de patrulha marítima da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA forneceu acompanhamento da embarcação suspeita e o helicóptero a bordo do Tampa decolou para perseguir o navio. Ao chegar ao local, a tripulação do helicóptero disparou tiros de advertência, efetivamente parando a embarcação. Uma equipe de embarque da Guarda Costeira americana posteriormente embarcou no navio e descobriu 695 pacotes escondidos dentro do casco, que mais tarde testaram positivo para cocaína. O valor de atacado estimado nos EUA para os quase 700 quilos de cocaína é de US$23 milhões.

Esta interdição foi parte da Operação Martillo (Martelo em espanhol), que é um componente da abordagem transregional do governo dos Estados Unidos para combater o uso dos litorais da América Central como rotas de transbordo de drogas ilícitas, armas e dinheiro. A Martillo é uma operação internacional focada no compartilhamento de informações e na integração de ativos aéreos, terrestres e marítimos do Departamento de Defesa dos EUA, Departamento de Segurança Interna e órgãos do governo do Hemisfério Ocidental e nações parceiras europeias para combater o tráfico ilícito. É também o foco central da IX Conferência de Segurança dos Países da América Central este ano (CENTSEC 2014).

Esta conferência serve como um fórum para proporcionar aos líderes de Defesa centro-americanos e ao comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) um canal de discussão de questões e estratégias futuras sobre a Operação Martillo e para combater atividades de tráfico ilícito na região. É por isto que representantes das forças armadas e de segurança de Belize, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá e Estados Unidos se reuniram na Cidade de Guatemala, de 1o a 3 de abril. A IX Conferência de Segurança dos Países da América Central (CENTSEC 2014), cujo tema deste ano é Operação Martillo: Lições Aprendidas e o Caminho a Seguir, é co-patrocinada pelo Comando Sul dos EUA, em colaboração com a Guatemala.
“O esforço combinado da Operação Martillo começou em janeiro de 2012, quando a América Central, América do Sul, Caribe e outras nações do hemisfério ocidental e europeu se juntaram aos Estados Unidos para tentar reduzir o tráfico ilícito. A intenção é interromper operações do crime organizado, especialmente em ambas as costas do istmo centro-americano. As estatísticas mostram que a Operação Martillo já é um grande sucesso e um verdadeiro esforço transregional”, disse o Almirante-de-Esquadra John Kelly, comandante do SOUTHCOM, em seu discurso de abertura. Na opinião do almirante do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, a CENTSEC 2014 irá ajudar a moldar não apenas o futuro da Operação Martillo, mas também a forma de atuar dos países participantes deste esforço conjunto.
Já o General-de-Exército Rudy Israel Ortiz Ruiz, Chefe da Defesa Nacional da Guatemala, e que discursou antes do Alm Esq Kelly, disse: “Estamos aqui reunidos para discutir maneiras de combater este mal que se impregnou no seio de nossas sociedades [as drogas], transformando-se num fenômeno gerador de outros males. Por isso, a importância desta conferência, em que cada um veio disposto a aportar seu melhor esforço a fim de atingir os objetivos estabelecidos”.

De acordo com oficiais de alto escalão participantes da CENTSEC 2014 e que conversaram com Diálogo, o crime organizado transregional é uma grande ameaça e um desafio à estabilidade política e econômica para todos os países da região, e a Operação Martillo, no seu núcleo e ponto central, representa uma campanha crucial e informativa de combate ao tráfico ilícito de drogas. No entanto, o almirante Kelly ratificou que, apesar do sucesso obtido, “não podemos descansar porque nossos adversários, os narcotraficantes, não descansam. Martillo tem sido um sucesso por apenas uma razão: sua participação e parceria”. E concluiu: “Vários países aqui representados estão sofrendo terrivelmente devido à demanda por drogas nos Estados Unidos e devido à nossa maneira de encarar este problema, e é por isso que trabalharemos com qualquer nação que queira ser nossa parceira nesta luta contra este crime, as drogas, e aos malefícios que causam às nossas sociedades”.

Diálogo

"O crime organizado transnacional é uma ameaça e um desafio para a estabilidade política e econômica de todos os países da região", disse o chefe do Estado-Maior Conjunto de Honduras, o major-general Fredy Santiago Diaz Zelaya, durante seu discurso de abertura. "Para Honduras, este tema é de vital importância."
Em seu discurso, o general John Kelly, comandante do SOUTHCOM, disse que os "EUA lidam com os desafios econômicos que o país enfrenta agora para superar algumas dificuldades, mas isso não significa um compromisso menor com os esforços do CTOC na região, [isto] é uma tentativa de colocar a nossa casa em ordem". Além disso, o General Kelly destacou o fato de que algumas atividades, como exercícios militares conjuntos, podem ser limitados ou reduzidos, mas que "o nosso [dos EUA] compromisso é forte, e conferências como esta são essenciais para discutir ameaças comuns que afetam todos os países da região”.
Segundo os participantes de alto escalão no CENTSEC 2014 que conversaram com a Diálogo, a maioria das forças armadas regionais tem forte apoio popular. Disseram que este apoio dos cidadãos, respaldado por boa vontade política, proporciona aos militares a autoridade para realizar ações ousadas contra o crime organizado transnacional. Líderes militares entrevistados durante a conferência partilharam a preocupação que, se não agirem de forma decisiva e colaborativa, os traficantes de drogas e as gangues podem unir e se fortalecer. Mas o General Kelly insistiu que as forças armadas da região são apenas parte de uma solução mais ampla para o problema do crime organizado transnacional, e que um esforço unido é fundamental para o sucesso desta luta. "Não é o que os EUA querem, mas o que todos os países da região querem," concluiu.


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