Aumenta a violência das drogas na América Central

Por Dialogo
março 01, 2012


A violência ligada às drogas atingiu níveis “alarmantes e sem precedentes” na América Central, quando os cartéis mexicanos de traficantes transferiram suas operações para o sul, segundo um relatório da ONU divulgado em 28 de fevereiro.



A mudança “resultou no aumento dos níveis de violência, sequestros, subornos, tortura e homicídios” na América Central, informou o relatório anual do Conselho Internacional de Controle de Entorpecentes.



“Na América Central, a escalada da violência ligada às drogas, envolvendo organizações do tráfico, quadrilhas transnacionais e locais e outros grupos criminosos, alcançou índices alarmantes e sem precedentes, piorando significativamente a segurança e transformando a sub-região em uma das áreas mais violentas do mundo”, diz o relatório.



“Os países do chamado ‘Triângulo Norte’ (El Salvador, Guatemala e Honduras), além da Jamaica, apresentam agora as mais elevadas taxas mundiais de homicídios”, informa o documento.



Honduras, Costa Rica e Nicarágua foram considerados em 2010, pela primeira vez, importantes pontos de passagem das drogas ilegais destinadas aos Estados Unidos. A Guatemala foi apontada, no relatório, como área de trânsito da cocaína contrabandeada para o México.



Somam-se aos altos índices de violência a disponibilidade de armas de fogo e a proliferação das gangues de rua, ou “maras” – mais de 900, com 70 mil membros na América Central, diz o relatório.



“O problema das drogas também facilitou a corrupção, que vem enfraquecendo os sistemas judiciais na América Central e no Caribe”, segundo o documento.



“Os fundos de drogas e a corrupção nos serviços de segurança estão enraizados na América Central, abrindo caminho para outras formas de crime organizado, incluindo o tráfico de armas de fogo”, diz o relatório.



A secretária de Segurança dos EUA, Janet Napolitano, em visita a El Salvador como parte de uma mudança regional na política de combate às drogas, disse em 28 de fevereiro que todos os países devem agir individualmente e também em conjunto para melhor enfrentar a luta contra as drogas ilegais.



Segundo dados norte-americanos, 90 por cento da cocaína enviada da América do Sul para o lucrativo mercado dos EUA passam pelas nações da América Central.



No México, enquanto isto, os cartéis de drogas responderam aos seis anos de repressão do governo com “níveis sem precedentes de violência”, segundo o relatório.



Foram citadas estatísticas governamentais mostrando que 35 mil pessoas morreram entre 2006 e 2010. O número de mortes no final de 2011 foi estimado em mais de 50 mil, com base em registros da mídia e cifras oficiais.



O relatório reconheceu “o firme comprometimento” do governo do México, que adotou medidas decisivas para lidar com as questões das drogas, mas não disse se a estratégia está surtindo efeito.



Ele disse que as apreensões de cocaína no México caíram de 48 toneladas em 2007 para 9,4 toneladas em 2010, mas citou que essa queda reflete um declínio da demanda. Apreensões de maconha chegaram a 2,1 toneladas em 2009, e 2,2 toneladas em 2010.



Estima-se que a potencial produção de heroína no México represente nove por cento do total mundial. O México é também um importante produtor de metanfetaminas.










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