A América Central se unifica para combater o tráfico de drogas e as quadrilhas

Central America Unites to Combat Drug Trafficking and Gangs

Por Lorena Baires/Diálogo
outubro 28, 2016

O tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro, o tráfico de pessoas e de armas e a violência exercida pelas quadrilhas não reconhecem fronteiras. Por isso, as forças armadas da América Central traçaram uma linha estratégica conjunta para frear as organizações criminosas. Este é um esforço permanente, liderado pela Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas. A cada ano, representantes das forças armadas da região reúnem-se no Centro Regional de Treinamento Contra o Crime Organizado Transnacional (CRACCT, por sua sigla em espanhol) de El Salvador. Sua finalidade é unificar critérios e compartilhar suas experiências mais exitosas. De 19 a 30 de setembro, os oficiais dos exércitos de El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua participaram da 6.ª edição do Seminário Regional Contra o Crime Transnacional. “As estruturas criminosas mudam suas formas de agir devido à globalização. Por isso, é importante manter uma estratégia constante de transferência de informações e experiências. Isto nos permite elevar o nível de eficácia na luta contra o crime”, disse o Coronel de Artilharia Rafael Antonio Díaz, comandante do CRACCT. O seminário foi desenvolvido pelo Comando das Forças Especiais, pela Força Aérea e pela Força Naval de El Salvador. Também foram apresentadas as experiências de campo do Grupo Conjunto Cuscatlán, do Centro Antiquadrilhas Transnacional e dos grupos de elite da Polícia Nacional Civil de El Salvador, além da Divisão Antidrogas, da Divisão Elite Contra o Crime Organizado e da Unidade Especial Antiquadrilhas. Nas jornadas teóricas, os grupos de elite de combate salvadorenhos expuseram as novas formas de operação das quadrilhas, dos traficantes de drogas e do tráfico ilícito. Detalharam as subestruturas desses grupos criminosos, assim como os mecanismos de ação que, em conjunto, os transformam em organizações do crime organizado. “As experiências bem sucedidas ganhas por todos os países são a chave para apertar o parafuso que freia o passo dessas organizações”, disse o Coronel de Transmissões DEM Daniel Serrano, subchefe do Estado Maior Geral do Exército das Forças Armadas de El Salvador (FAES). “As quadrilhas e o tráfico de drogas são problemas comuns nos nossos países, mas cada um tem particularidades especiais”, afirmou o Cel Serrano. “Compartilhar essas experiências nos permite reduzir as possibilidades de sua multiplicação. São ameaças sem fronteiras e devemos abordá-las como tal”. Nas jornadas práticas aconteceram dinâmicas especiais para unificar os procedimentos relacionados com registro, apreensão e custódia de evidências. Os oficiais também estabeleceram novas formas de interceptação marítima e aérea, além de canais mais livres para a cooperação entre agências. Uma região sem fronteiras Esses exercícios de aprendizagem e troca de experiências também foram essenciais para consolidar e combinar procedimentos fronteiriços, porque as fronteiras não existem para esses criminosos. “El Salvador luta de frente contra as estruturas das quadrilhas. Por isso, há migração para os municípios rurais da Guatemala”, disse o Primeiro Tenente Bladimir Álvarez, representante das Forças Armadas da Guatemala. “Nossa missão imediata é fortalecer as fronteiras para impedir que escapem da justiça”. Outro fenômeno relacionado é que as migrações obedecem também à busca de espaços mais seguros para se treinar para o uso de armas de guerra. “Em Honduras, identificamos que as quadrilhas de El Salvador vêm para dar treinamento. O mesmo ocorre com quadrilhas salvadorenhas que viajam para a Nicarágua”, acrescentou o Capitão Tenente Denis Meléndez, das Forças Armadas de Honduras. “Identificar de forma conjunta esses movimentos nos permite criar estratégias mais eficazes para capturá-los”. O CRACCT elaborará uma lista de recomendações de aplicação comum imediata. Enquanto isso, avança-se com a homologação de outras listas que precisam de mais tempo por sua complexidade. O Centro já capacitou 300 oficiais sobre esses temas. Esses encontros são muito valiosos para compartilhar táticas e fortalecer o esforço conjunto no combate às ameaças emergentes. Para a FAES, a eficácia para implementar esses novos conhecimentos está na liderança dos oficiais quando conduzem suas tropas. Dessa forma, multiplicam-se os conteúdos e as práticas realizadas durante esse novo exercício regional.
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