América Central impulsiona esforços sistemáticos de cooperação

Central America Promotes Systematic Efforts of Cooperation

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
junho 29, 2017

Representantes da Conferência das Forças Armadas da América Central (CFAC, por sua sigla em espanhol), integrada pelas forças armadas de El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e República Dominicana, participaram de 15 a 17 de maio da LXXXII Reunião Ordinária de Representantes (ROR), em Tegucigalpa, Honduras. A assembleia teve como objetivo desenvolver os relatórios que serão aprovados e ampliados na Reunião Ordinária do Conselho Superior, a ser realizada de 11 a 14 de julho em Tegucigalpa. A CFAC é um órgão internacional militar que busca contribuir com a segurança, o desenvolvimento e a integração dos Estados membros, segundo as leis de cada país. Criada em 1997 com o objetivo de dar andamento à integração militar na América Central, a instituição realiza reuniões, oficinas, seminários e treinamentos em operações humanitárias e de manutenção da paz, entre outros temas relacionados com a segurança regional, de acordo com o website do órgão. Trabalhos de preparação O objetivo final da ROR é o de impulsionar o esforço permanente e sistemático de coordenação, cooperação e apoio mútuo. Durante a mesma, participantes desenvolveram seis temas: o enfrentamento às ameaças emergentes, a manutenção das operações de paz, as operações de ajuda humanitária, o papel das forças armadas no apoio à segurança pública, a cooperação e o desenvolvimento institucional e a gestão ambiental. “Ventilamos distintas recomendações e conclusões sobre os diferentes eixos temáticos. [Procuramos] proporcionar um nível ótimo de defesa contra ameaças à democracia, à paz e à liberdade”, disse à Diálogo o Coronel de Comunicações Walter Smith Cruz, representante do Exército de Honduras na CFAC. Nesse sentido, os delegados militares propuseram ao Comitê Executivo desenvolver atividades especializadas extraordinárias, como a aprovação da equipe das unidades humanitárias de resgate para satisfazer as necessidades de apoio dos países nos casos de desastres naturais ou causados pelo homem. Também comentaram sobre o treinamento do pessoal das unidades que executam estas operações, a pedido do país afetado. Na reunião destacaram a participação dos Estados da América Central e da República Dominicana no exercício internacional “Forças Aliadas Humanitárias”, patrocinado pelo Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) e realizado de 19 a 28 de abril, na Guatemala, para melhorar a capacidade de resposta e planejamento das tarefas em caso de catástrofes naturais. O SOUTHCOM coordena o exercício anual com nações parceiras regionais há mais de uma década. “Por esse eixo temático incentivamos o fortalecimento do plano de treinamentos de todas as nossas unidades para consolidar as operações de ajuda humanitária. De janeiro a abril do 2017 realizamos 4.432 atividades vinculadas à assistência humanitária”, relatou à Diálogo o Coronel de Transmissões Samuel Guzmán Leiva, representante do Exército da Guatemala na CFAC. Considerações de segurança De acordo com o relatório de inteligência sobre as ameaças emergentes, o Comitê Executivo recomendou que cada país faça uma análise particular para sublinhar as últimas modalidades e tendências do narcotráfico, pois sofrem mudanças constantes. “Antes, a Guatemala era considerada um país de trânsito de drogas. Agora há indícios de produção de amapola, que tem a ver com a heroína”, disse o Cel. Guzmán. Os representantes das instituições armadas também recomendaram a atualização dos manuais operacionais e administrativos da CFAC e o desenvolvimento de operações coordenadas no Limite Político Internacional (LPI), com o objetivo de fazer frente às ameaças atuais por parte da delinquência organizada transnacional, que inclui narcotráfico, tráfico de pessoas, corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. “As instituições armadas centro-americanas desenvolvem operações de maneira contínua para contribuir com a segurança regional em benefício da população. No primeiro trimestre de 2017, os Estados centro-americanos realizaram 488.467 ações de apoio à segurança pública e de combate ao crime organizado transnacional”, ressaltou o Cel Smith. “Um número maior de pessoas vinculadas ao narcotráfico e ao tráfico ilegal de pessoas foi capturado. Um volume maior de drogas foi confiscado, o qual se pretendia levar para os Estados Unidos. Estas ações beneficiaram a população e contribuíram para melhorar a segurança regional”, acrescentou. CFAC - um exemplo a ser seguido “A CFAC se transformou em um exemplo a ser seguido por outras instituições internacionais. O Sistema de Integração Centro-americana está interessado em fazer um convênio de cooperação com o órgão. A força da CFAC é o consenso, a integração, a confiança e a cooperação entre as forças armadas”, ressaltou o Cel Guzmán. Para o Cel Smith, as atividades criminosas geram altos níveis de violência na América Central e na República Dominicana. Isto provoca o deslocamento de famílias para outras cidades e países da região, a perda de seus bens e o atraso em seu desenvolvimento integral. Da mesma forma, isto afugenta os investimentos estrangeiros, necessários para dinamizar as economias na região. “Com a finalidade de avançar mais na consolidação dos mecanismos de cooperação entre os [países] membros, os mecanismos de intercâmbio de informações e inteligência em tempo real devem ser fortalecidos. Além disso, é preciso fortalecer os meios de comunicação, já que as operações realizadas pelas unidades da CFAC ao longo do LPI requerem uma comunicação que permita amplo comando, controle e coordenação, para que se possa reagir oportunamente ante situações inesperadas”, concluiu o Cel Smith.
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