Trinta e oito militares de Belize, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras e Jamaica, bem como bombeiros da Nicarágua e do Panamá, participaram da 18ª edição do CENTAM SMOKE, realizada de 16 a 20 de setembro, na Base Aérea de Soto Cano, em Comayagua, Honduras. O exercício bianual de resgate civil-militar, conduzido pelo 612º Esquadrão da Força Aérea dos EUA, Força-Tarefa Conjunta-Bravo (JTF-Bravo), situada na Base Aérea de Soto Cano, em Comayagua, Honduras, busca fortalecer as capacidades por meio do intercâmbio de práticas entre os países participantes.
O CENTAN SMOKE também serve para padronizar conhecimentos entre membros de serviço de diferentes nações e colocar em prática várias técnicas e ferramentas para aprimorar o conhecimento operacional na remoção de vítimas de veículos e de incêndios.
“O objetivo desse exercício é que os participantes sejam capazes de responder rapidamente em resgates de veículos e aeronaves e em incêndios florestais, salvando vidas, habitats e economias”, disse à Diálogo o Suboficial Ricardo Ramírez, da Força Aérea dos EUA, suboficial de despacho de Bombeiros do 612º Esquadrão.
De acordo com o SO Ramírez, a partir de 2025, o CENTAM SMOKE implementará novos elementos de treinamento, como o lançamento do Wild Land, que será um local de treinamento de combate a incêndios fora da base.
“Desde a criação do treinamento em 2007, mais de 2.000 bombeiros e militares dos sete países da América Central foram capacitados. Além disso, militares da Colômbia e da Jamaica se juntaram recentemente ao exercício”, disse à Diálogo, em 14 de outubro, o inspetor de incêndios da JTF-Bravo, Herberth Gaekel. “Originalmente, havia quatro edições por ano, mas em 2022 isso mudou e agora há apenas duas.”
Novas experiências

O 1º Tenente Allan Barahona, do Exército de Honduras, da Unidade Humanitária de Resgate (HRU) de Honduras, disse à Diálogo que a ideia é “aprender e exercitar ao máximo o conhecimento que nos dão, para ter um efeito multiplicador em nossas unidades e colocá-lo em prática quando a população precisar”.
O 1º Ten Barahona e outros sete membros da UHR participaram do exercício pela primeira vez. Essa é a única unidade militar em Honduras que se dedica ao resgate, não apenas de militares, mas também de civis, que são vítimas de desastres naturais ou acidentes.
Lá, eles colocaram sua resistência e força física à prova, para aprender a manobrar o equipamento com maestria. “As duas ferramentas que temos para abrir e liberar as portas e para cortar a estrutura do veículo precisam de muita força para serem operadas. Elas são bastante pesadas, com cerca de 25 quilos. É preciso ter destreza para cortar a estrutura do veículo sem machucar a vítima”, afirmou.
Para o 2º Tenente Jhonatan Arboleda, essa também foi sua primeira participação. “Nós, no Exército da Colômbia, não temos um corpo de bombeiros [como a JTF-Bravo]. Em vez disso, temos a Unidade de Prevenção e Atenção de Resgate”, informou à Diálogo.
Entre as novas técnicas aprendidas, ele mencionou a extirpação, projetada para garantir que a extração de pessoas seja realizada de forma segura e eficiente, minimizando o risco de lesões adicionais a outras vítimas. “A prioridade é retirar o indivíduo [de um veículo] o mais rápido possível. Mas também aprendemos como podemos fazer isso de forma a proteger a pessoa ferida sem que, na pressa de tirá-la de lá, um de nós também se machuque. Essas novas técnicas serão acrescentadas às práticas da nova geração de militares que formam a brigada.
“Temos mais de 2.000 soldados na brigada”, disse o 2º Ten Arboleda. “Eu serei o instrutor e replicarei em períodos curtos, médios e longos, até que todo o pessoal esteja treinado.”
A equipe da Colômbia conquistou o primeiro lugar nas competições amistosas durante os exercícios de incêndios de aeronaves, estruturais, extirpações, obstáculos, resgate vertical e camaradagem. “Gostamos muito de participar de competições, porque sempre temos a adrenalina no sangue para experimentar coisas novas”, acrescentou o 2º Ten Arboleda.
Determinação feminina
Duas oficiais femininas da Guatemala e de Belize participaram da formação. “As participantes me deixaram impressionado com a dedicação demonstrada e por sua excelente resistência física; elas sempre demonstraram vontade de continuar”, observou o 2º Ten Arboleda.
A Soldado Saida Griselda Vázquez Martínez, do Exército, foi uma das 12 integrantes que formaram a equipe da UHR da Guatemala. “Na UHR, recebi treinamento em resgate especializado, onde aprendemos a combater incêndios florestais e estruturais, treinamento de busca e salvamento em estruturas colapsadas em áreas agrestes, bem como resgate aquático e vertical; também temos uma parede para a simulação de alpinismo”, disse.
Ao relatar sua experiência dentro do simulador de aeronave, que ultrapassa os 260 graus Celsius, a Sd Vásquez enfatizou a importância do apoio dos outros participantes. “Do lado de fora, você pode ver uma pequena chama, mas dentro você vê um cenário diferente. Quando você entra, é um pouco mais difícil, mas você consegue fazer o resgate com o apoio e a camaradagem dos outros participantes, seguindo as instruções, que foram muito claras”, disse.
Os participantes perseveraram durante o treinamento exaustivo e estarão melhor preparados para apoiar e ajudar sua equipe em momentos de necessidade. O exercício multinacional CENTAM SMOKE exemplifica o lema da JTF-Bravo: “Progresso por meio da unidade”.


