Carteis narcotraficantes mexicanos expandem seu controle na Colômbia

Carteis narcotraficantes mexicanos expandem seu controle na Colômbia

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
maio 12, 2021

Após a queda do cartel do narcotráfico de Medellín e da morte de seu líder Pablo Escobar Gaviria, em 1993, os carteis mexicanos começaram a controlar o contrabando e a distribuição de cocaína na Colômbia. Nos últimos anos, os narcotraficantes mexicanos começaram a investir na produção de cocaína colombiana.

Para agir contra a chegada dos carteis mexicanos, o governo colombiano articula um intercâmbio permanente de informação de inteligência militar com os governos dos Estados Unidos e do México.

O governo do presidente dos EUA Joe Biden anunciou, no dia 1º de abril de 2021, que colaborará com o México e a Colômbia para garantir que a luta contra a produção e o tráfico de drogas seja feita de acordo com o cumprimento da lei e respeitando os direitos humanos, informou a agência EFE.

A Defensoria do Povo informou, no dia 8 de março de 2021, que a violência gerada pelos grupos do narcotráfico provocou 16 eventos de deslocamentos em massa interurbanos e 14 eventos de deslocamentos em massa rurais, no primeiro bimestre de 2021. (Foto: Defensoria do Povo da Colômbia)

Os carteis mexicanos “entram com dinheiro e armas, e deixam a guerra para os outros grupos que eles mesmos financiam”, informou no dia 25 de janeiro a revista colombiana Semana. “Os carteis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração transferiram sua rivalidade a pelo menos cinco estados”, informou o jornal colombiano El Tiempo.

O intercâmbio de inteligência entre México e Colômbia “para detectar carregamentos de drogas através de cinco rotas marítimas” permitiu, em 7 de janeiro de 2021, o confisco de um semissubmersível com mais de 1 tonelada de cocaína no litoral de Oaxaca, publicou o jornal mexicano El Occidental.

Os confrontos entre os criminosos “ocasionaram deslocamentos forçados, homicídios, massacres, confinamentos, assassinatos de líderes comunitários e ex-combatentes”, informou a Defensoria do Povo, instituição autônoma do Ministério Público da Colômbia. Os eventos violentos desalojaram mais de 11.000 pessoas de suas comunidades no primeiro bimestre de 2021, destacou a Defensoria.

Segundo a investigação Radiografia: A execrável presença dos carteis mexicanos, divulgada em junho de 2020 pela ONG colombiana Fundação Paz e Reconciliação (Pares), “a presença de carteis mexicanos no país coincide com os lugares de maior intensidade de cultivos de coca ou com corredores estratégicos para o narcotráfico: a costa do Pacífico de Nariño, Catatumbo, Baixo Cauca da Antióquia, Norte de Cauca e Magdalena”.

 

A presença de carteis mexicanos no país coincide com os lugares de maior intensidade de cultivos de coca ou com corredores estratégicos para o narcotráfico: a costa do Pacífico de Nariño, Catatumbo, Baixo Cauca da Antióquia, Norte de Cauca e Magdalena”, investigação Radiografia: A execrável presença dos carteis mexicanos.

 

O mais ativo cartel mexicano em território colombiano é o de Sinaloa, que mantém alianças com o Exército de Libertação Nacional (ELN), com dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e com a quadrilha criminosa Clã do Golfo, informou a agência de notícias Reuters. O Cartel Jalisco Nova Geração tem vínculos com um grupo em Buenaventura, o principal porto colombiano no Pacífico, acrescentou.

Esses grupos criminosos “aumentaram o financiamento e o armamento das organizações narcotraficantes colombianas”, informou a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes das Nações Unidas, no seu relatório de 25 de março de 2020.

“Há carteis de drogas de outros países com franco-atiradores profissionais e que plantam minas antipessoais para impedir os trabalhos de erradicação”, disse ao jornal El Tiempo o presidente da Colômbia Iván Duque.

Os narcotraficantes mexicanos “decidiram […] participar diretamente da produção de cocaína na Colômbia, não apenas comprar, mas também investir diretamente na produção através de organizações”, declarou à agência EFE León Valencia, diretor da Pares, durante a apresentação do relatório.

“Os carteis mexicanos estavam subordinados […] aos carteis colombianos, mas essa relação já se transformou; na realidade, os reis, os chefes dos chefes, são os mexicanos”, disse Valencia.

“Vemos que, se [os grupos ilegais] conseguem entrar em contato com organizações colombianas, podem aumentar muito seu controle social, podem aumentar muito seu poder.”

A Fundação Pares identificou 97 grupos ilegais em todo o país, “e uma parte importante deles tem alianças com os [carteis] mexicanos, sendo que 27 dos quais estão na fronteira com a Venezuela”, concluiu Valencia.

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