Trinidad e Tobago foi a coanfitriã da Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC), em Porto da Espanha, de 10 a 12 de dezembro, reunindo 21 nações para discutir a viabilização de uma abordagem regional, para responder a desastres naturais, crises e ameaças comuns.
O fórum anual de segurança regional, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), tem como objetivo promover laços de cooperação, fortalecer parcerias e compartilhar lições aprendidas.
“A natureza dinâmica do ambiente de segurança atual exige nada menos do que uma ação unificada, inovadora e decisiva”, declarou o Marechal do Ar Darryl Daniel, chefe do Estado-Maior da Defesa da Força de Defesa de Trinidad e Tobago, em seu discurso de abertura. “Somos lembrados do papel fundamental que essa conferência desempenha no fomento da colaboração regional, no aprimoramento de nossas capacidades coletivas e na construção de um futuro seguro para nossas nações”, acrescentou, agradecendo aos líderes da região por seu compromisso.
Por sua vez, o Almirante de Esquadra Alvin Holsey, da Marinha dos EUA, comandante do SOUTHCOM, destacou a importância da parceria e da história, culturas e valores compartilhados pelos países da região. Ele alertou os participantes sobre os avanços dos regimes autoritários e comunistas, suas práticas de exploração e corrupção, bem como o uso da desinformação e do crime cibernético, para ganhar influência na região. Ele também ressaltou a ameaça de organizações criminosas transnacionais e gangues violentas, que enriquecem através do tráfico de drogas, armas, pessoas e fauna selvagem, e pediu apoio ao Haiti, pois a violência continua aumentando.
“As consequências são de longo alcance e só se agravam em uma região que é frequentemente assediada por desastres naturais e degradação ambiental”, declarou o Alte Esq Holsey, que assumiu, em 7 de novembro, o comando do SOUTHCOM no lugar da General de Exército (R) Laura J. Richardson, do Exército dos EUA. “Com a presença de tantos líderes, esta semana nos oferece uma oportunidade única para redobrar nosso compromisso com a colaboração, a cooperação e a parceria, à medida que enfrentamos nossas ameaças e desafios comuns.”

Ministros de segurança e defesa, chefes de defesa e outras autoridades de alto escalão de Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, República Dominicana, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago participaram da conferência. Entre os observadores estavam Canadá, Colômbia, França, México e Reino Unido.
Representantes da Comunidade do Caribe, da Agência de Gerenciamento de Emergências em Casos de Desastres do Caribe, do Sistema de Segurança Regional, do Centro William J. Perry, da Junta Interamericana de Defesa e delegações do Escritório da Guarda Nacional dos EUA e de outras agências do governo dos EUA também participaram como observadores.
Identificação de desafios e oportunidades
A CANSEC começou com uma discussão sobre desafios cibernéticos e recomendações para melhorar a segurança cibernética na região. Sob o tema “Combatendo ameaças em vários domínios com as tecnologias atuais”, a sessão abordou a implementação da análise de dados, para melhorar a tomada de decisões em todas as atividades operacionais, e ressaltou a importância do compartilhamento de informações e da colaboração para enfrentar ameaças regionais comuns. Tecnologias como Consciência de Domínio Aprimorada e Inteligência Artificial também foram consideradas essenciais para o processo de tomada de decisões das forças regionais de defesa e segurança.
“A segurança cibernética é fundamental para nossa prosperidade e proteção compartilhadas. As atividades cibernéticas maliciosas ameaçam não apenas nossas economias, mas também o próprio funcionamento de nossas democracias, liberdades e valores”, disse o Alte Esq Holsey. “Os agentes patrocinados pelo Estado destacam operações de espionagem cibernética e de informação, para coletar inteligência e persuadir o público a apoiar seus interesses. Nossa segurança futura depende da transformação de nossa capacidade para protegermo-nos contra essas ameaças cibernéticas e muito mais.”
A segunda sessão, “Possibilitando uma abordagem de toda a região para responder a desastres naturais e crises”, enfatizou a importância da mitigação da crise climática e do fortalecimento das estruturas e da cooperação existentes para o gerenciamento de crises e a resiliência, em uma região conhecida por ser propensa a desastres naturais. A sessão também abordou ferramentas regionais, agências e mecanismos de resposta disponíveis, com o objetivo de aprimorar os esforços atuais de planejamento para enfrentar esses desafios.
“A geografia regional faz com que as nações do Caribe sejam especialmente suscetíveis aos efeitos devastadores de eventos climáticos extremos e desastres naturais. Para isso, nosso compromisso coletivo de estar ao lado de nossos parceiros continua firme”, acrescentou o Alte Esq Holsey.
Esforços contínuos
Quando a conferência chegou ao fim, os chefes das delegações agradeceram aos participantes por sua dedicação à estabilidade e à paz regionais e pelo avanço de soluções coletivas em direção a esse objetivo. Ao compartilharem palavras de união, os líderes pediram apoio ao Haiti no restabelecimento da segurança.
“O Haiti precisa do apoio de todos vocês. A missão de segurança que apoia a Polícia Nacional do Haiti precisa do apoio de todos os presentes para poder cumprir sua missão”, declarou o General de Divisão Carlos Antonio Fernández Onofre, ministro da Defesa da República Dominicana, em seu discurso de encerramento.
A Vice-Almirante Antonette Wemyss-Gorman, chefe do Estado-Maior de Defesa da Força de Defesa da Jamaica, fez eco às palavras do Gen Div Onofre. “A instabilidade em qualquer lugar do Caribe é instabilidade para toda a região”, disse a V Alte Wemyss-Gorman. “Embora eu entenda que o destacamento fora de seu país seja uma tarefa desafiadora […], continuarei a pedir a meus colegas chefes que recalquem sobre a importância de ajudar o Haiti.”
“Eu gostaria de fazer-nos lembrar de um provérbio africano: Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quiser ir longe, vá junto”, concluiu o General de Brigada Carlos Lovell, chefe do Estado-Maior da Força de Defesa de Barbados. “Com base nas discussões aqui hoje e no compromisso de cada nação parceira e do SOUTHCOM, acredito que iremos longe após a CANSEC 2024.”


