Campanha é lançada para combater violência contra mulheres em Honduras

Campaign launched to fight violence against women in Honduras

Por Dialogo
outubro 30, 2013



No início da noite de 9 de setembro de 2013, Patricia Núñez Mendoza estava dirigindo seu carro num bairro altamente populoso em Tegucigalpa. Ela tinha acabado de pegar seus pais.
De repente, uma picape bloqueou seu caminho. Três homens armados saíram e cercaram o carro da moça. Um dos pistoleiros parou perto do lado da motorista e atirou um único tiro que atravessou direto em se coração.
“Eles estão nos atacando!”, gritou Patricia. Um dos homens armados, que estava perto da porta do lado do motorista, disparou um único tiro. A mãe de Patricia gritou “Ajudem minha filha, ajudem minha filha!”.
Mas era tarde demais. O tiro matou Patricia na hora.
Entristecidos, os pais de Patricia disseram não saber por que alguém queria matar sua filha.

Violência contra a mulher

O assassinato de Patricia não foi um caso isolado. A taxa de homicídios de mulheres – “femicídio” – aumentou significativamente em Honduras nos últimos anos. Em média, uma mulher é morta a cada 18 horas.
Entre janeiro e junho de 2013, foram assassinadas 323 mulheres em Honduras, de acordo com o Observatório da Violência, administrado pela Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH). Houve um aumento da taxa de homicídios registrada em 2012, quando 278 mulheres foram mortas no primeiro semestre daquele ano. Em todo o ano de 2005, 175 mulheres foram assassinadas em Honduras.
As mulheres foram assassinadas de maneiras diferentes. Algumas, como Patricia, foram mortas quando dirigiam. Outras vítimas foram deixadas no acostamento de estradas, com as mãos amarradas.
A maior parte das vítimas tinha entre 15 e 44 anos. Entre as vítimas havia vendedoras ambulantes, advogadas, mulheres casadas e mães solteiras.
Em 2013, “aumentaram as mortes violentas de mulheres”, disse Grissel Amaya, que chefia a Fiscalía Especial de la Mujer. “Quase duas mulheres morrem violentamente todos os dias no país.”


Campanha anti-violência

No início de setembro, apenas cinco dias antes de os atiradores matarem Patricia Nuñez, as Nações Unidas e vários grupos comunitários hondurenhos lançaram uma campanha para reduzir a violência contra mulheres.
O lema da campanha é “Homens corajosos não são violentos”. A campanha faz parte de uma ação abrangente para combater a violência contra mulheres na América Latina. Países em todo o continente americano estão preparando sua participação no “Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres”, que está agendado para 25 de novembro de 2013.

Motivos diferente

Algumas mulheres foram assassinadas por estarem envolvidas com o crime organizado ou com outra atividade perigosa e ilegal, que pode colocar suas vidas em risco, disse a analista de segurança María Luisa Borjas.
“Eu não tenho dúvida de que algumas mulheres têm participação em atividades ilegais”, disse María Luisa. “Nós temos visto mulheres participarem em assaltos, uma mulher foi filmada quando matou um segurança num recente roubo a banco, mas certamente elas são uma minoria.”
Segundo a analista, os motivos por trás dos assassinatos de muitas mulheres são desconhecidos.

Vitimização

Estar envolvido com um homem que trabalha para o crime organizado pode ser perigoso, disse María Luisa.
María Luisa explicou que as mulheres são vítimas de formas diferentes. Os maridos ou namorados de algumas delas as forçam a participar em atividades perigosas.
De acordo com a analista de segurança, “Não é incomum que namorados, maridos ou parceiros amorosos, envolvidos em gangues, por exemplo, forcem suas mulheres a lhes trazer drogas para dentro dos presídios onde estão presos. É aí que nós vemos o envolvimento criminoso.”
“Quando esses homens têm disputas entre si, estejam ou não na cadeia, eles acertam suas contas e vingam-se matando as mulheres uns dos outros”, disse María Luisa. “É mais fácil matar elas ou suas crianças como retaliação.”

Tráfico de drogas

Em outros casos, traficantes de drogas forçam meninas e adolescentes a vender pequenas quantidades de drogas em regiões movimentadas das cidades, informou María Luisa. Os narcotraficantes tratam as meninas e adolescentes com violência caso elas não vendam as drogas.
Nos últimos meses, membros do crime organizado em Tegucigalpa sequestraram e mataram uma vendedora ambulante de doces porque ela se recusou a vender drogas ilícitas para eles.

Iniciações do crime organizado

María Luisa disse que algumas vezes, membros do crime organizado matam pessoas desconhecidas, homens e mulheres, como um ritual de iniciação.
“É sabido que os criminosos escolhem como alvo pessoas que não devem nada a ninguém”, explicou María Luisa. “Eles fazem a iniciação dos assassinos usando pessoas inocentes, esse é outro motivo pelo qual nunca se sabe nada sobre as mortes de tantas pessoas que não possuem vínculos com o narcotráfico ou o crime organizado”, disse a analista. “É um teste de aptidão.”

Morte de Patricia

Os pais de Patricia Nuñez não tem respostas para sua morte e se perguntam se ela foi morta como uma iniciação do crime organizado. Ela não tinha inimigos, disseram. Patricia tinha um bom relacionamento com o namorado e planejava casar-se com ele. Ela queria concluir seu Master e não era envolvida em nenhuma atividade ilegal, disseram seus pais.


Oi, meu comentário é o seguinte: quando uma grande quantidade de drogas é apreendida, eles alegam que vão queimá-la. Mas nem tudo é queimado, a metade é deixada de lado para ser vendida. Talvez não vocês, mas as pessoas que guardam as drogas e depois as distribuem clandestinamente para outros lugares. Essa é minha opinião.
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