Bonança econômica do Brasil atrai a cocaína boliviana

Por Dialogo
dezembro 13, 2011


Mais de 50 por cento da cocaína processada na Bolívia tem como destino o Brasil, onde cresceu sensivelmente o número de consumidores graças à bonança econômica dos últimos anos, segundo pesquisa do jornal Valor, publicada no dia 12 de dezembro.

“O Brasil passou, nos últimos dez anos, de país de trânsito a país de consumo” de cocaína, disse Murilo Vieira, diplomata da embaixada brasileira em La Paz.

O país sofre “o efeito colateral” por ter 30 milhões de pessoas saídas do nível de pobreza que se transformaram em consumidores de classe média nos últimos dez anos, acrescentou Vieira.

“A chamada nova classe média passou a ter acesso à cocaína e a uma droga relativamente barata, o crack” (resíduo da cocaína), informou o diplomata.

Em função do aumento do consumo no Brasil, “máfias colombianas, mexicanas, peruanas e brasileiras começaram a se estabelecer na Bolívia para exportar a droga” para território brasileiro.

“De 60 a 80 por cento da cocaína boliviana tem como destino o mercado brasileiro, estimado em cerca de 900 mil consumidores”, o que tornaria o país o terceiro maior consumidor dessa droga, depois dos Estados Unidos e da União Europeia, informou o jornal.

O controle das rotas do narcotráfico detonou na Bolívia uma luta entre os grupos mafiosos, “às vezes violenta, às vezes nem tanto, mas da qual participam todas as organizações”, disse a Valor Douglas Farah, pesquisador do Centro Internacional de Avaliação e Estratégia dos Estados Unidos.

A Bolívia, o terceiro produtor mundial de cocaína depois do Peru e da Colômbia, segundo a ONU, assinou um acordo com o Brasil, no início deste ano, para combater o tráfico de drogas com aeronaves não tripuladas brasileiras.

Na semana passada, o governo brasileiro reconheceu que enfrenta uma “epidemia de crack” por causa da explosão do consumo dessa substância, e anunciou uma ofensiva que conjuga atendimento médico aos consumidores e um duro combate ao tráfico nas fronteiras.

Em 2010, a Polícia Federal do Brasil apreendeu quase 28 toneladas de cocaína (pasta, cloridrato e crack) e 154 toneladas de maconha. Até agosto de 2011, havia encontrado 15 toneladas de cocaína e 87 de maconha, disse à AFP um porta-voz da Polícia Federal.



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