Encontro das Forças Armadas brasileiras alinha conhecimentos sobre guerra eletrônica

Brazilian Armed Forces Summit Aligns Electronic Warfare Knowledge

Por Andréa Barretto/Diálogo
novembro 21, 2017

Cerca de 100 militares e civis participaram do VIII Encontro de Guerra Eletrônica de Defesa (EGED), realizado no auditório do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro (EB), em Brasília, nos dias 13 e 14 de setembro. Cada edição do evento anual é organizada por uma das três forças.

Em 2017, o EB conduziu as atividades por meio do seu Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE). A unidade integra a estrutura do Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército e é responsável pela capacitação de militares nessa área. “O EGED sempre conta com a participação de militares das três forças, que se reúnem para conversar e apresentar os principais projetos sobre guerra eletrônica que estão sendo conduzidos no campo da defesa”, explicou o Coronel do EB Luis Carlos Sousa, comandante do CIGE.

“A guerra eletrônica é dinâmica, é moderna e é constante. Todo dia surgem novidades na área. No EGED, temos a oportunidade de nos atualizarmos em relação ao que é feito pela indústria e pelo pessoal da academia, que muitas vezes trazem soluções possíveis de serem aproveitadas no meio militar”, afirmou o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Brasil Marcelo Alcides Albuquerque da Costa, diretor do Centro de Guerra Eletrônica da Marinha (CGEM), que vai coordenar o EGED em 2018.

Guerra eletrônica vs. guerra cibernética

A guerra eletrônica trabalha com o espectro eletromagnético e tem duas vertentes, uma de comunicação e outra de não-comunicação. “A vertente da comunicação se ocupa dos sinais eletromagnéticos que carregam uma informação, a exemplo da forma como funcionam os rádios”, explicou o Cel Luis Carlos. “Já a vertente da não-comunicação é aquela que trata de sinais que não transportam um conteúdo, já que o próprio sinal constitui em si a mensagem, como no caso dos radares”.

Por sua vez, a guerra cibernética tem foco em outros aspectos, como aqueles relacionados às redes computacionais integradas. “Mas há uma interseção entre as duas porque, quando a guerra cibernética passa para as redes sem fio, ela entra no espectro eletromagnético. São áreas que estão muito próximas. A integração entre as atividades de guerra eletrônica e guerra cibernética foi inclusive um dos pontos discutidos no encontro”, esclareceu o CMG Albuquerque. Dentro do quadro institucional das Forças Armadas brasileiras existem organizações distintas para cada um desses dois campos de defesa, mas a tendência é que passem a se desenvolver de forma sempre mais imbricada, segundo o CMG Albuquerque.

Troca de experiências

Durante os dois dias do EGED, representantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica do Brasil apresentaram em palestras os principais projetos e atividades desenvolvidos no campo da guerra eletrônica, além dos desafios e demandas relativos a essa área de atuação. Entre os assuntos levados à pauta, o Sistema Integrado de Monitorando de Fronteira (SISFRON) foi um dos destaques. Um dos programas mais robustos do EB, o SISFRON, apoia-se no emprego de tecnologias de radares de vigilância terrestre, de equipamentos de comunicação, de transmissões por satélites, entre outras, a fim de ampliar a fiscalização na linha da fronteira continental brasileira. O objetivo é usar esses equipamentos para levantar o máximo de informações que possam subsidiar de forma estratégica a tomada de decisões pelas autoridades de defesa do país.

“O desenvolvimento do SISFRON depende de um conhecimento sobre o ambiente eletromagnético. E esse modelo utilizado pelo EB para montar o programa foi um dos pontos divulgados e discutidos no encontro”, disse o Cel Luis Carlos. “A ideia do EGED é essa, a de compartilhar conhecimentos sobre os projetos que estão dando certo em uma força, para que esse produto possa servir às outras forças, de forma a minimizar a redundância nessa área e otimizar os resultados”, afirmou.

A interoperabilidade das atividades de guerra eletrônica desenvolvidas pelas Forças Armadas é o primeiro objetivo elencado pela Política de Guerra Eletrônica de Defesa brasileira, estabelecida por meio da Portaria Normativa Nº 333, publicada em 2004. Para que seja possível o trabalho conjunto, o alinhamento sobre a doutrina militar de guerra eletrônica é um passo fundamental. As Forças Armadas têm aprendido sobre isso também em operações práticas, além da sua participação em eventos como o EGED.

O CMG Albuquerque ressaltou a importância do trabalho conjunto entre as forças e citou um exemplo: “A Marinha estava desenvolvendo um trabalho na área de comunicação e detectou determinado sinal na Amazônia. Na ocasião, entramos em contato com o Exército Brasileiro, que nos apoiou de imediato, fornecendo os dados de que precisávamos”, disse o CMG Albuquerque. “Com isso, conseguimos descobrir juntos que se tratava da transmissão de um diálogo falado num dialeto indígena e conseguimos entender o que estava acontecendo”.

A relação com a Força Aérea Brasileira (FAB) também é frequente. Com o emprego de aeronaves, a FAB colabora com a fiscalização do território marítimo brasileiro. Sobrevoando a área, equipamentos embarcados nos aviões coletam dados que são repassados à Marinha e se somam àqueles levantados pelas equipes de suas embarcações. Esse conjunto de informações fundamenta o direcionamento das patrulhas navais realizadas nessa região.
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