Aplicativo da Força Aérea Brasileira permite gerenciar planos de voo

Brazilian Air Force App Enables Flight Plan Management

Por Taciana Moury/Diálogo
novembro 30, 2017

A Força Aérea Brasileira (FAB) lançou um aplicativo que vai facilitar a vida dos pilotos civis e militares no Brasil. Agora é possível apresentar um plano de voo de qualquer lugar, utilizando o smartphone, sem a necessidade de se deslocar até uma sala de Serviço de Informação Aeronáutica (AIS, por sua sigla em inglês). O aplicativo FPL BR possibilita a elaboração, validação, o envio e a atualização dos dados do plano de voo em tempo real. A nova ferramenta está disponível gratuitamente para download, desde o dia 23 de outubro, nas lojas App Store e Google Play, para as plataformas iOS e Android.

O FPL BR foi elaborado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão gestor do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, em parceria com uma empresa brasileira do grupo Embraer, com o objetivo de otimizar o atendimento nas salas AIS nos aeroportos brasileiros. “O Brasil tem um fluxo de 8.500 voos diários. Esse é o número de planos de voos que chegava todos os dias nas salas de tráfego e nas salas AIS de todo o Brasil. Era necessário acompanhar a modernização e garantir a praticidade para melhorar a fluidez do sistema”, explicou o Brigadeiro do Ar da FAB Luiz Ricardo de Souza Nascimento, chefe do subdepartamento de Operações do DECEA.

O aplicativo já foi lançado com sucesso entre os aviadores. Apenas no primeiro dia de lançamento foram 6.000 downloads. As avaliações do FPL BR junto aos sistemas Android e iOS conquistaram níveis positivos; numa escala até cinco, o aplicativo da FAB recebeu notas 4,9 e 4,6 respectivamente. “Qualquer um pode baixar gratuitamente o aplicativo, mas para enviar o plano de voo é necessário um código disponibilizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pelas unidades aéreas, no caso da aviação militar”, explicou o Brig Luiz Ricardo.

Segundo ele, o aplicativo garante praticidade, precisão e mais qualidade ao plano de voo. “Tem alguns campos que não deixam o piloto enviar o plano de voo se não estiver adequado. Na hora de preencher o campo aeródromo, por exemplo, o aplicativo já faz uma consulta se o aeródromo informado pelo piloto está operando normalmente e só permite a finalização se o código estiver correspondente”, disse.

O FPL BR está integrado aos sistemas utilizados pelo Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, além de outros órgãos fiscalizadores, como a ANAC, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeronáutica e a Assessoria para Assuntos de Tarifas de Navegação Aérea. “Podem ser consultados dados de meteorologia, aeródromos, definição do nascer e pôr do sol em cada canto do país, garantindo mais segurança nas operações e, consequentemente, facilitando o controle do espaço aéreo”, reforçou o Brig Luiz Ricardo. A interface disponibiliza a consulta de plano de voo completo, plano de voo simplificado, bem como mensagens de atualização relacionadas à modificação, cancelamento e atraso, como também do recebimento de notificações sobre a aprovação ou reprovação das mensagens enviadas.

Racionalização dos recursos humanos

Outro objetivo do DECEA com o aplicativo é conseguir racionalizar melhor os recursos humanos que atuam nas salas de informações aeronáuticas. O órgão espera uma diminuição gradativa da utilização do plano de voo manual e a consequente diminuição da demanda nas salas AIS. “A perspectiva é de que em dois anos ocorra uma diminuição de até 50 por cento, podendo chegar aos 80 por cento em algumas localidades”, disse o Brig Luiz Ricardo. “Os funcionários das salas AIS vão poder disponibilizar informações aeronáuticas mais relevantes”, acrescentou.

Antes do aplicativo, o plano de voo poderia ser realizado presencialmente ou por telefone nas salas AIS. “Atualmente mantemos profissionais exclusivamente para receber os planos de voo. É um processo muito mais demorado do que por meio do aplicativo”, explicou o Brig Luiz Ricardo. Ele contou que a primeira evolução do processo já aconteceu a partir de 2015, com a possibilidade do envio pela internet, por meio do Portal de Serviço de Informação Aeronáutica. Foi o sucesso da operação informatizada que incentivou o DECEA a pensar no aplicativo. “Vimos que seria possível ampliar a funcionalidade e a praticidade”, revelou.

Testado e aprovado

O processo de elaboração, desde o documento com a descrição da necessidade operacional até o lançamento, durou quase dois anos. A fase de testes envolveu mais de 2.000 pilotos civis e militares que usaram a ferramenta por um período de aproximadamente seis meses. A 2º Tenente Datiza Vitória da Silva, piloto do Segundo Esquadrão de Transporte da Ala 15 na Base Aérea do Recife, foi uma das que participaram dos testes e destacou as vantagens da nova ferramenta da FAB. “O sistema já preenche as lacunas e diminui a possibilidade de erro, além de ser mais fácil de usar”, disse a 2º Ten Vitória. A oficial ressaltou o fato de o aplicativo estar disponível 24 horas por dia. “Algumas missões são realizadas em horários e lugares que não possuem a estrutura de uma sala AIS e as funcionalidades do aplicativo são fundamentais.”

Para o piloto de helicóptero e ultraleve Alessandro Rocha dos Santos, o sucesso do aplicativo é consequência da integração entre o usuário e o operador. “Foi um trabalho executado por profissionais da aviação que estão no DECEA e que entendiam a necessidade de facilitar o processo. Além disso, foram consideradas as opiniões dos pilotos que estavam participando do processo de testes”, revelou.

Uma das sugestões dos pilotos foi a possibilidade de clonar planos já realizados. “Faço voos panorâmicos com frequência na cidade do Rio de Janeiro, sempre utilizando a mesma rota. Antes eu tinha que fazer um novo plano a cada voo. Agora, utilizo o mesmo e troco só a data e o horário. É muito mais prático”, contou Rocha.

Segundo o Brig Luiz Ricardo, o DECEA ainda está recebendo sugestões para a melhoria e evolução da ferramenta. “Em breve iremos disponibilizar, ou nesse aplicativo ou em outro, todas as cartas aeronáuticas disponíveis no Brasil, para facilitar ainda mais a navegação dos pilotos”, antecipou. Para ele, o Sistema de Controle do Tráfego Aéreo debe evoluir de forma constante.
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