Brasil reforça segurança para a Copa do Mundo da FIFA 2014

Por Dialogo
janeiro 29, 2014



Membros das Forças Armadas e agentes de elite da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) do Brasil trabalharão juntos para oferecer segurança na Copa do Mundo da FIFA 2014.
“A segurança não pode ter nenhuma falha, porque vários chefes de Estado comparecerão ao megaevento esportivo”, disse a presidente Dilma Rousseff durante uma reunião no início de janeiro, segundo o portal de notícias Clarín.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, e outros oito ministros envolvidos com a segurança da Copa do Mundo também compareceram à reunião.
As Forças Armadas, a polícia estadual e a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) irão monitorar de perto incidentes em estádios que possam levar a surtos de violência.
O Brasil espera rebeber 32 times de futebol, cerca de 600.000 turistas estrangeiros e 3,5 milhões de torcedores locais.
De acordo com o Nuevo Diario, Dilma decidiu fortalecer o abrangente plano de segurança para a Copa do Mundo devido a problemas de segurança ocorridos no estado do Maranhão, especialmente no presídio de Pedrinhas na capital, São Luís.
Detentos do presídio decapitaram três outros presos e filmaram os crimes. O vídeo foi divulgado em 7 de janeiro pelo jornal Folha de S. Paulo.

Sessenta policiais militares foram enviados para diversos presídios no estado para reforçar a segurança. Em retaliação, líderes presos e membros da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam ordenado ataques a quatro ônibus urbanos em São Luís.
O PCC planejava atacar autoridades eleitas e forças de segurança durante a Copa do Mundo, de acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), vinculado à Procuradoria-Geral de Justiça.
“Os líderes de quadrilhas criminosas veem o avanço das forças de segurança como um risco. Então, estão na defensiva e, em muitos casos, na ofensiva, como foi o caso do principal grupo do crime organizado, o PCC”, diz Carlos Mendoza Mora, diretor da Proyectos Estratégicos Consultoría, empresa de segurança privada na Cidade do México.
As autoridades observarão as ações do PCC e outros grupos que tentarem sabotar o evento internacional, diz Mendoza Mora.
O plano de segurança da Copa do Mundo é liderado pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE), do Ministério da Justiça. A estratégia busca evitar três ameaças: torcedores violentos, crime organizado e ataques terroristas.
A segurança para a Copa do Mundo é uma das principais preocupações do governo brasileiro. Cerca de 18.000 militares reforçarão a segurança para o Mundial, que ocorrerá entre 12 de junho e 13 de julho.
As autoridades estabeleceram uma força policial especial de choque para dar apoio às forças de segurança no controle de possíveis protestos durante a Copa.
Um total de 10.000 agentes selecionados das polícias estaduais de todo o Brasil receberá treinamento especial de controle de multidões pela FNSP, o batalhão de elite vinculado ao Ministério da Justiça.
A FNSP é especializada em prevenção de violência urbana.
Agentes de segurança serão mobilizados nas 12 cidades do país que sediarão a Copa do Mundo, disse o comandante da Força Nacional, coronel Alexandre Augusto Aragon, de acordo com o site G1. “Nós estávamos preocupados [com a segurança da Copa do Mundo] antes dos protestos de 2013. Não vamos esperar as coisas acontecerem”, disse Aragon.
Há sete meses, ocorreram milhares de protestos em diversas cidades do Brasil contra a desigualdade de classes e os gastos de dinheiro público com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016. Os protestos coincidiram com a Copa das Confederações da FIFA.
Uma força policial de 100.000 agentes se juntará às tarefas de vigilância nas cidades-sede da Copa do Mundo.
Aconselhado pelos EUA, o Brasil treinou 50.000 membros da polícia e 25.000 agentes de segurança privada.
Segundo as autoridades, as forças de segurança também irão salvaguardar o espaço aéreo dos eventos esportivos. Para essa finalidade, o Brasil recentemente adquiriu o sistema de artilharia antiaérea V/Shorad Saab/Bofors Dynamics AB RBS-70 NG Bolide, uma unidade (com estação de tiro, míssil e equipamentos associados) para testes, de acordo com o site Defensa.
O AB RBS-NG é um sistema de defesa aérea de baixa altitude, com a capacidade defensiva de proteger campos de futebol dentro de um raio de 8 km e uma altitude de até 500.000 metros. O sistema também pode interceptar mísseis de cruzeiro e VANTs (veículos aéreos não tripulados).
O dispositivo MANPADS compartilhará a tarefa de proteger o espaço aéreo dos locais de eventos esportivos, junto com o sistema portátil de defesa IGLA-S e o sistema blindado de defesa aérea Gepard 1A2.
Os RBS-70-NG estarão disponíveis no Brasil com pessoal treinado em março. Segundo Mendoza Mora, o Brasil investiu cerca de US$ 500 milhões em equipamentose tecnologia para a segurança na Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016. “A cobertura policial não será necessária apenas em certas áreas, mas também em muitas áreas de trânsito”, explica Mendoza Mora.
As forças de elite têm a capacidade de fornecer uma resposta “sensível e antecipada”, e os centros de comando móveis das forças de segurança são muito bem equipados, avalia. “As Forças Armadas e as forças policiais devem fortalecer seu contato e cooperação com serviços amistosos em nível internacional – em termos de compartilhamento de Inteligência e informação – para prevenir ameaças do crime organizado e de grupos radicais que tentarem usar dispositivos químicos ou algo similar”, ressalta Mendoza Mora.
Protestos públicos, crime organizado e a reduzida presença do Estado em certas áreas desafiarão o governo brasileiro durante a Copa do Mundo, diz o diretor da Proyectos Estratégicos Consultoría.
Mas o evento também proporcionará uma oportunidade de fortalecer a segurança na luta contra o crime e melhorar o controle de território, afirma.
O campeonato de futebol terá “o maior nível de segurança imaginável” para prevenir manifestações violentas, disse o secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke.

Apoio do público às UPPs

A Policia Pacificadora (UPPs) conquistaram o apoio da maioria dos moradores das favelas porque elas são muito eficientes. As UPPs fizeram um bom trabalho confrontando e capturando membros dos dois maiores grupos do crime organizado no Brasil, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). As duas quadrilhas praticam tráfico de drogas, extorsão, jogo ilegal e sequestro.
“A grande maioria da população apoia as unidades pacificadoras, principalmente por causa da sensação de segurança que sente”, disse o capitão Ilmar Ubiratan Salgado Luzia, um oficial da PM destacado para o Departamento de Comunicação Social das UPPs.
“Os fatores que motivaram o sucesso são especialmente a confiança que a população tem no trabalho da força pacificadora”, explicou o capitão.
De acordo com o capitão, o sucesso das UPPs estimulou “um relacionamento mais próximo com as comunidades, através de eventos cívicos e sociais, atividades com crianças e encontros com associações de moradores, entre outros."
As UPPs promoveram uma melhora gigantesca na vida do Santa Marta e em outras favelas, onde vivem 20% da população da cidade, cerca de 6,5 milhões de habitantes. Como muitos outros moradores, Saucedo é grato à ação da polícia.
“No início de 2009 no Santa Marta, nós começamos as nos sentir confiantes para sair na rua por causa do trabalho da força policial, que trouxe os bairros de volta e confrontou quadrilhas criminosas muito perigosas, que aterrorizavam todo mundo”, disse Saucedo, um camelô que vende doces e cigarros.






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