Brasil arquiva planos de construção de novas usinas nucleares

Por Dialogo
maio 11, 2012


O Brasil informou, em 9 de maio, que arquivou os planos de construção de novas estações de energia nuclear nos próximos anos, em decorrência do desastre de Fukushima, no Japão, no ano passado.

O governo anterior, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia planejado construir de quatro a oito novas usinas nucleares até 2030.

No entanto, o secretário executivo do Ministério de Energia, Márcio Zimmermann, declarou em um fórum no dia 8 de maio que não havia necessidade de se construírem novas usinas nucleares nos próximos dez anos.

“O plano anterior, que vai até 2020, não prevê (novas) usinas de energia nuclear porque isto não é necessário. A demanda é suprida com energia hidroelétrica e fontes complementares de energia tais como vento, térmica e gás natural”, disse Zimmermann, em notas divulgadas pelo Ministério.

“O plano de 2021, que eu saiba, tampouco considerará usinas de energia nuclear”, acrescentou, embora ele não tenha descartado a construção destas unidades a longo prazo.

“Depois do acidente (Fukushima, em 2011) no Japão, não apenas o Brasil mas o mundo todo parou para analisar e avaliar”, disse na mesma ocasião Maurício Tomalsquim, presidente da empresa de pesquisas de energia EPE.

Tomalsquim disse que nos próximos dez anos a contribuição hidroelétrica para a energia consumida no Brasil cairá dos atuais 75 por cento para 67 por cento, enquanto as fontes de energia renovável – vento, solar e biomassa – aumentarão de oito para 16 por cento.

A única usina nuclear brasileira, localizada em Angra dos Reis, uma cidade litorânea perto do Rio, tem dois reatores de água pressurizada em operação, com fornecimentos de respectivamente 657 MWe (megawatt elétrico) e 1350 MWe.

Um terceiro reator voltou a funcionar em junho de 2011 após uma disputa de 24 anos, com fornecimento previsto de 1245 MWe.

A usina de Angra dos Reis produz atualmente cerca de três por cento da energia do Brasil, que se baseia grandemente nas instalações hidroelétricas.

O Brasil, poder dominante da América Latina, e a vizinha Argentina são os únicos países sul-americanos que operam usinas civis de geração de energia nuclear.





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