Brasil envia primeira ajuda humanitária pós-furacão ao Haiti

Brazil Sends Post-hurricane Humanitarian Aid to Haiti

Por Patrícia Comunello/Diálogo
outubro 19, 2016

A bordo de um Boeing C-767-300 da Força Aérea Brasileira (FAB) desembarcaram em Porto Príncipe na sexta-feira, dia 14 de outubro, 120 barracas fornecidas pela Defesa Civil brasileira para abrigar famílias de haitianos. Até o fim de outubro novas cargas serão enviadas por transporte aéreo. A aeronave foi deslocada do Esquadrão Corsário (2o/2o GT), sediado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. As tendas operacionais têm estrutura de fácil manejo e montagem, com piso e cobertura feitos de PVC e estrutura tubular de alumínio. “Essas características permitem melhor atendimento em situações de desastres naturais”, explicou a assessoria de comunicação da FAB. “Saímos do Rio de Janeiro com mais de 10 toneladas e agora o carregamento chega a 20 toneladas de equipamentos. Para nós, não só pessoalmente, mas profissionalmente, é uma grande satisfação apoiar uma população que tem sofrido tanto após o furacão”, disse o Major Aviador Grei Santana, comandante da FAB. A aeronave, com a carga e a tripulação, decolou da Base Aérea de Brasília por volta das 10h da manhã de sexta-feira, 14 de outubro, chegando ao destino após sete horas de viagem. Após o desembarque, a coordenação das Forças Armadas do Brasil na Missão de Paz das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti se encarregou de distribuir as barracas. O contingente brasileiro auxilia as populações reconstruindo estradas e pontes destruídas, levando mantimentos e até proporcionando apoio quanto à segurança de organizações não-governamentais humanitárias que auxiliam os atingidos pelo desastre. “Em um país que ainda se recupera dos traumas do terremoto de 2010 e enfrenta agora os estragos do furacão, sabemos que, mesmo indiretamente, estamos ajudando muitas pessoas. Com muito orgulho levamos as bandeiras do Esquadrão Corsário, da FAB e do Brasil”, opinou o Capitão Marcos Fassarella Olivieri, um dos pilotos da aeronave. O Cap Olivieri já havia feito a rota Brasília-Porto Príncipe levando 17 toneladas de material de apoio aos militares da Marinha, Exército e Aeronáutica que integram o Batalhão Brasileiro de Infantaria de Força de Paz e a Companhia Brasileira de Engenharia de Paz no 24o Contingente Brasileiro da Força de Paz. Eles fazem parte das equipes especializadas em manutenção que estão sendo deslocadas para auxiliar as áreas mais atingidas. Também na sexta-feira, 14 de outubro, o governo do Brasil anunciou que repassará US$ 250.000 (cerca de R$ 800.000) para o Programa Mundial de Alimentos. Os recursos serão usados na compra e distribuição imediata de alimentos e outros itens de primeira necessidade para as vítimas do furacão, informou o Palácio do Planalto. O dinheiro sairá do orçamento de cooperação internacional humanitária da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores. Respuesta humanitaria brasileira "A resposta humanitária brasileira é fruto de uma atuação integrada entre os ministérios das Relações Exteriores, Saúde, Integração Nacional e Defesa e tem o objetivo de mitigar a situação haitiana, considerada a mais dramática desde o terremoto ocorrido no ano de 2010", diz a nota do governo federal. As quatro pastas ministeriais analisam novas ações, como o envio de kits humanitários e medicamentos. Nesta segunda-feira, dia 17 de outubro, o avião da FAB fez nova conexão entre Brasília e Porto Príncipe levando donativos, entre alimentos, materiais de limpeza, agasalhos e até material escolar para crianças. São 10 toneladas de doações coletadas pela Rede de Solidariedade ao Haiti, que é uma iniciativa voluntária civil, segundo o Coronel Joanes Gregoratto, assistente do arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil, cuja estrutura opera dentro do Ministério da Defesa. “Um grupo de mulheres criou a rede em 2015 e solicitou apoio do Ministério da Defesa para enviar as doações a instituições religiosas no país caribenho”, esclareceu o Cel Gregoratto, lembrando que a carga de 10 toneladas se destina a escolas em Porto Príncipe, “que devem ser direcionadas às famílias, principalmente crianças e mulheres, afetadas pelos estragos”. Em novembro, está previsto o envio de mais 75 toneladas de donativos arrecadados pela rede de voluntárias, mas por navio. O Cel Gregoratto informou que a Cruz Vermelha no Brasil está providenciando a locação de contêineres para remeter ao Haiti.
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