Brasil e Chile, juntos em queda livre

Brazil and Chile, Together in Free Fall

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
junho 22, 2017

Integrantes da Esquadrilha de Paraquedismo Boinas Azuis da Força Aérea do Chile (FACh) participaram de um intercâmbio de cooperação em técnicas de salto com a Esquadrilha de Paraquedismo do Exército Brasileiro “Os Cometas”. A instrução faz parte da preparação da seleção chilena para a competição internacional anual de paraquedismo militar e o campeonato latino-americano. Durante as duas primeiras semanas de abril, 11 membros dos Boinas Azuis, quatro paraquedistas da Esquadrilha “Os Cometas” e 18 instrutores e técnicos militares participaram da capacitação realizada no simulador de queda livre (túnel de vento) do Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro, em Goiânia, perto de Brasília. A preparação esteve centrada em melhorar as técnicas de salto em grupo e individuais, desenvolver manobras de controle e melhorar a comunicação entre os participantes, praticar circuitos e aproximações de aterrissagem e melhorar o método de voo dos militares que operam as câmaras. “O treinamento nos permitiu fortalecer a técnica individual e em grupo para melhorar o desempenho no ar, assim como compartilhar experiências e procedimentos”, disse à Diálogo o Major da FACh Pablo Varela, comandante da Esquadrilha Boinas Azuis. Durante o período de instrução, cada participante entrou no simulador quatro vezes por dia. Cada paraquedista demora 30 segundos em queda livre, ou seja que cada sessão de 30 minutos representa 60 saltos reais. A capacitação de cada integrante da equipe chilena somou aproximadamente duas horas, equivalentes a 240 saltos reais. “Este ano, adicionamos quatro horas com o simulador de navegação, o que permitiu praticar, de forma virtual, as aproximações e circuitos de aterrissagem em diferentes cenários e com condições meteorológicas distintas, melhorando desta maneira a precisão e a segurança nas aterrissagens”, comentou o Maj Varela. “Sabemos que o paraquedismo é uma atividade de alto risco, motivo pelo qual a segurança e o treinamento o tornam mais seguro”, disse à Diálogo Héctor Ulloa, presidente da Federação Chilena de Paraquedismo e da Confederação Latino-Americana de Paraquedismo, com sede no Chile. Os militares participantes experimentaram todos os efeitos de uma queda livre em um fluxo de ar de potência que variava entre 180 e 250 quilômetros por hora, no qual controlaram seu corpo, os giros e as evoluções. A instrução ocorreu em um ambiente controlado e sem riscos, com a assessoria contínua dos instrutores chilenos. Títulos mundiais “A esquadrilha sempre participou do desenvolvimento do paraquedismo nacional, sendo uma das precursoras desta disciplina no país”, ressaltou Ulloa. As experiências e o intercâmbio de conhecimentos obtidos pelos chilenos junto aos seus homólogos brasileiros fazem parte da instrução anual para participar de campeonatos nacionais e internacionais, tanto no âmbito civil quanto no militar. “Ser uma equipe da Força Aérea facilita bastante este trabalho, já que contamos com pessoal profissional, leal, coeso, resiliente e comprometido”, ressaltou o Maj Varela. Esta unidade, com anos de treinamento, obteve diversos títulos devido à sua competência e alto grau de preparação e concentração em rotinas arriscadas, as quais centenas de assistentes desfrutam. Os Boinas Azuis realizarão, em agosto, um treinamento de formação em técnica de queda livre, no Chile, para representar o país no Campeonato Latino-Americano, que acontecerá em outubro, em Cardona, Argentina. Este terá lugar “sob a assessoria de um instrutor brasileiro que tem mais de 10.000 saltos”, disse Ulloa. O grupo seleto obteve o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Formações em Queda Livre em novembro de 2016. Os paraquedistas da equipe chilena também envidarão seus melhores esforços para conseguir um ótimo resultado no Campeonato Mundial de Paraquedismo Militar, a ser realizado em julho na Alemanha, com a participação de mais de 30 países. Esta competição incluirá as categorias de precisão de aterrissagem, acrobacias individuais e em grupo. “Todos os treinamentos nos permitem fazer apresentações mais atraentes e seguras e ter um nível competitivo maior”, comentou o Maj Varela. “A esquadrilha de exibição é muito rigorosa com os protocolos de segurança e bastante exigente em seus treinamentos, no intuito de alcançar os padrões e as ‘performances’ de voo para competir com países tão poderosos como o Brasil ou a Argentina”, acrescentou Ulloa. Melhor uso dos recursos Segundo o Maj Varela, o treinamento no sistema de simulação de queda livre reduz os custos do processo de instrução e aumenta os níveis de segurança no desenvolvimento dos saltos. Por exemplo, cada salto de queda livre de uma altura de 10.000 pés abrange um tempo útil de queda de 30 segundos. Caso cometa um erro, o paraquedista não poderá continuar com a sequência ou com o exercício que pretendia realizar. No simulador, cada entrada é de dois minutos, o equivalente a quatro sessões. Em caso de erro ou se for necessário repetir o exercício, o instrutor pode fazê-lo imediatamente e continuar com a sequência. “A capacitação permite que a instituição [FACh] melhore o treinamento de seus níveis médios, fazendo uso mais eficiente dos recursos. Os custos são minimizados em horas de voo, desgaste de materiais e riscos”, ressaltou o Maj Varela. “Além disso, é impossível fazer, em quatro dias, este tempo de queda livre, realizando saltos reais, motivo pelo qual se consegue uma melhora substancial com a equipe em menos tempo”, acrescentou. Os Boinas Azuis, também conhecidos como Cavalheiros do Ar, pertencentes ao Grupo de Apresentações da FACh, nasceram na década de 1970. Nos últimos cinco anos, realizaram mais de 5.000 saltos, divididos em instrução, treinamento, apresentações e competições. Este grupo de paraquedistas apoia o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das técnicas de salto livre das unidades de Forças Especiais da FACh. Além disso, estimula a pesquisa e o desenvolvimento científico sobre fisiologia de voo, ao apoiar as atividades realizadas pelo Centro de Medicina Aeroespacial no referido campo, relata o site da instituição aérea.
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