Brasil e Bolívia cooperam em ações de segurança

Brazil and Bolivia Come Together for Security Operations

Por Nelza Oliveira/Diálogo
novembro 02, 2017

Com mais de 3.400 quilômetros de fronteira em comum que se estende por quatro estados brasileiros (Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia), Brasil e Bolívia deram mais um passo em direção à cooperação na segurança da região, com a criação de um Gabinete Binacional de Segurança. A implantação aconteceu em 17 de agosto em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, com o objetivo de combater as organizações criminosas transnacionais, o narcotráfico, o tráfico de pessoas e armas, além do contrabando, lavagem de dinheiro e outros crimes. Desde a implantação do gabinete binacional, algumas ações já foram implementadas na fronteira do Brasil com a Bolívia. Em 18 de agosto, por exemplo, duas pontes que ligam o Brasil à Bolívia, a da Amizade, em Brasileia, e a Wilson Pinheiro, em Epitaciolândia, no estado do Acre, foram fechadas entre 23h e 5h para reforçar a segurança da área. Com a medida, tanto bolivianos quanto brasileiros não podem usar carros ou motos para atravessar as pontes no horário de interdição. O trânsito no local deve ser feito a pé e todos passam por uma fiscalização e apresentam documentos de identificação. Após dois meses, as pontes continuam fechadas e sem prazo para reabertura. Em 20 de agosto foram fechadas parcialmente, durante um mês, 37 passagens de fronteira entre o estado boliviano de Pando e o estado brasileiro do Acre para combater o crime organizado. E no dia 28 de setembro, as Forças Armadas brasileiras realizaram uma operação de varredura nas fronteiras no estado do Mato Grosso do Sul para combater, entre outras práticas ilícitas, o tráfico de armas, drogas, munições, o contrabando e o descaminho, segundo informação do portal Capital do Pantanal, da cidade de Corumbá. De acordo com a publicação, veículos que vinham da Bolívia eram minuciosamente revistados e tinham a documentação checada. A operação prosseguiu no dia seguinte. Parceria constante O General-de-Exército César Augusto Nardi de Souza, chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil, explicou que o gabinete é uma reunião bilateral realizada pelos ministérios da Defesa, da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional do Brasil com o país vizinho. “A parceria na área de segurança entre o Brasil e a Bolívia já acontece. Entretanto, o objetivo da reunião bilateral foi ampliar os acordos e a atuação conjunta para redução dos crimes na área transfronteiriça”, disse o Gen Ex Nardi. “Foram propostas ações de cooperação entre Brasil e Bolívia, como, por exemplo, o combate a organizações criminosas, a atuação conjunta entre as forças armadas, as forças de segurança, policiais e de inteligência, a troca de informações entre os países, entre outras”, continuou. A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, responsável em contribuir para a coordenação entre as autoridades brasileiras e bolivianas e facilitar o diálogo e a cooperação entre as agências envolvidas diretamente no combate aos crimes transnacionais, falou à Diálogo sobre a importância do Gabinete Binacional de Segurança. “O crime transacional representa um desafio enfrentado por todos os países na região, que requer o aprimoramento da cooperação internacional e da coordenação entre todos os órgãos envolvidos domesticamente com a matéria”, afirmou. “O combate aos crimes transfronteiriços é assunto prioritário para o governo brasileiro, que vem promovendo iniciativas para fortalecer a cooperação nessa área”, acrescentou. A reunião que marcou a instalação do gabinete também visou a implementação da Declaração de Brasília sobre segurança nas fronteiras, acordada, em 16 de novembro de 2016, entre a Argentina, a Bolívia, o Brasil, o Chile, o Paraguai e o Uruguai, para estabelecer os objetivos prioritários e diretrizes para o desenvolvimento de ações coordenadas nessa região, além da cooperação na área policial e de defesa. “A Declaração de Brasília antecedeu a reunião bilateral entre Brasil e Bolívia e concentra o mesmo espírito da reunião ocorrida em Santa Cruz de La Sierra”, concluiu o Gen Ex Nardi. “O gabinete binacional está em linha com os compromissos assumidos na Declaração de Brasília, ao evidenciar a prioridade de fortalecer a cooperação entre as agências dos dois países envolvidas na problemática da segurança nas fronteiras e do combate aos ilícitos transnacionais”, completou a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores. Ponto a ponto Durante as cerca de três horas da reunião que marcou a implantação do Gabinete Binacional de Segurança entre o Brasil e a Bolívia, representantes das delegações brasileiras e bolivianas apresentaram as ações que já estão em curso e as propostas de colaboração entre os dois países. Após o encontro, o ministro da Defesa do Brasil Raul Jungmann falou um pouco sobre como será desenvolvido o trabalho em conjunto. “Nós tivemos um programa de trabalho intenso com dirigentes e ministros deles e nossos nas áreas de segurança, inteligência, das Relações Exteriores, da Defesa, com as forças armadas e policiais de ambos os lados participando. Montamos um programa ponto a ponto para atacar as rotas do tráfico, as quadrilhas e os seus recursos financeiros”, disse o ministro Jungmann. “Vamos montar um laboratório para ver e acompanhar essa questão dos fluxos financeiros. Vamos fazer compartilhamento de informações na ponta das fronteiras. Vamos integrar, através de linha direta, nossas forças armadas, policiais, de segurança e de inteligência, enfim, tudo aquilo que é requerido pela população do Brasil e da Bolívia para que a gente combata, sufoque, golpeie o crime organizado”, completou Jungmann. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, algumas ações já estão em curso. Os dois países decidiram, também, estudar a possibilidade de aprofundar a cooperação para controle do espaço aéreo com vistas a coibir o tráfico ilícito de drogas.
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